A Vale (VALE3) voltou a ganhar destaque no mercado após o JP Morgan manter recomendação positiva para a mineradora e projetar preço-alvo de R$ 104 para a ação. A avaliação reforça a tese de que o papel ainda pode estar descontado, mesmo após a recuperação recente na Bolsa.
O banco também apontou preço-alvo de US$ 19,50 para os ADRs da companhia negociados em Nova York. A visão positiva se apoia na qualidade dos ativos, na geração de caixa e no crescimento da divisão de metais básicos, especialmente cobre e níquel.
Resultado do 1T26 reforça a tese
A Vale encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 1,9 bilhão, alta de 39% na comparação anual. O EBITDA ajustado proforma somou US$ 3,9 bilhões, avanço de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Na operação, a produção de minério de ferro chegou a 69,7 milhões de toneladas, alta de 3% na comparação anual. As vendas de minério somaram 68,7 milhões de toneladas, avanço de 4%, no maior volume para um primeiro trimestre desde 2018.
Cobre e níquel ganham peso na história da Vale
Além do minério de ferro, o mercado passou a olhar com mais atenção para os metais ligados à transição energética. No 1T26, a produção de cobre da Vale atingiu 102,3 mil toneladas, alta de 12,5% na comparação anual.
Já a produção de níquel somou 49,3 mil toneladas, avanço de 12,3%. Esse desempenho fortalece a leitura de que a Vale pode depender menos do minério de ferro no longo prazo, ampliando sua exposição a metais usados em eletrificação, energia e infraestrutura.
Caixa melhora, mas dívida exige atenção
O fluxo de caixa livre recorrente da Vale foi de US$ 813 milhões no trimestre, US$ 309 milhões acima do registrado um ano antes. A melhora foi impulsionada pelo avanço do EBITDA.
Por outro lado, a dívida líquida expandida atingiu US$ 17,8 bilhões no fim do trimestre, alta de US$ 2,2 bilhões frente ao trimestre anterior. Segundo a empresa, o aumento refletiu principalmente o pagamento de US$ 2,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio.
| Indicador da Vale no 1T26 | Resultado |
|---|---|
| Lucro líquido | US$ 1,9 bilhão |
| EBITDA ajustado proforma | US$ 3,9 bilhões |
| Fluxo de caixa livre recorrente | US$ 813 milhões |
| Produção de minério de ferro | 69,7 milhões de toneladas |
| Vendas de minério de ferro | 68,7 milhões de toneladas |
| Produção de cobre | 102,3 mil toneladas |
| Produção de níquel | 49,3 mil toneladas |
| Dívida líquida expandida | US$ 17,8 bilhões |
Dividendos seguem como ponto central
A Vale segue no radar de investidores que buscam dividendos, mas a tese exige cautela. Como a companhia atua em commodities, a remuneração ao acionista depende de variáveis como preço do minério de ferro, câmbio, custos logísticos, frete, demanda chinesa e disciplina de capital.
Ainda assim, o pagamento bilionário feito no trimestre mostra que a empresa continua comprometida com retorno ao acionista quando há geração de caixa suficiente.
Pressão política também entrou no radar
Nem todos os fatores são positivos. A decisão da Vale de comprar navios na China gerou críticas do presidente Lula, que defendeu maior uso da indústria naval brasileira.
Para investidores, o ponto merece atenção porque envolve logística, custo de transporte e competitividade global. A Vale depende de eficiência operacional para vender minério em escala internacional, principalmente para a Ásia.
Vale ainda é oportunidade?
A nova avaliação do JP Morgan reforça a visão otimista para VALE3, mas a ação continua exposta à volatilidade das commodities. O preço-alvo de R$ 104 indica potencial relevante, mas não elimina riscos.
A tese da Vale combina lucro bilionário, produção forte, avanço em cobre e níquel, geração de caixa e dividendos. Ao mesmo tempo, exige atenção ao minério de ferro, China, dívida e pressão política.
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