A Vale (VALE3) apresentou um resultado surpreendente no terceiro trimestre de 2025, registrando lucro líquido de US$ 2,74 bilhões, superando com folga as estimativas do mercado, que apontavam para US$ 2,1 bilhões. O desempenho representa um avanço de 78% em relação ao mesmo período de 2024 e de 30% frente ao trimestre anterior, impulsionado pela valorização do minério de ferro e pela melhora operacional da companhia.
A notícia reforça a expectativa dos investidores sobre a possibilidade de pagamentos extraordinários de dividendos, algo que vem sendo observado de perto desde o início do ano. A empresa já havia sinalizado que, se conseguisse reduzir sua dívida líquida para US$ 15,5 bilhões até o fim de 2025, abriria espaço para esse tipo de distribuição adicional de lucros.
Dívida em queda e lucro em alta sustentam otimismo
A mineradora encerrou o trimestre com dívida líquida de US$ 16,64 bilhões, abaixo dos US$ 17,4 bilhões do trimestre anterior, mostrando avanço consistente em sua desalavancagem. O desafio agora é continuar essa trajetória até o último trimestre do ano para alcançar a meta de endividamento proposta.
Com o lucro acima do esperado e a redução gradual da dívida, o cenário se torna favorável para a possibilidade de dividendos extraordinários, ainda que a empresa precise cumprir o restante do plano financeiro até dezembro.
EBITDA forte e crescimento em metais para transição energética
O EBITDA ajustado da Vale teve alta de 17% em relação ao 3T24 e de 28% na comparação trimestral, refletindo a melhora dos preços do minério e o aumento do volume produzido. A companhia destacou a expansão do portfólio de metais para transição energética, com destaque para cobre e níquel, que já representam 16,6% do EBITDA total um avanço importante na estratégia de diversificação.
Além disso, a empresa concluiu a entrega do segundo forno de Onça Puma, ampliando em 15 mil toneladas a capacidade de produção de níquel e com 13% de economia em relação ao orçamento inicial, dentro do cronograma.
Redução de custos e foco em eficiência operacional
A Vale também avançou em eficiência operacional, reduzindo o custo caixa do minério de ferro em 7% e o custo de finos e pelotas em 4% na comparação anual. Essa melhora foi possível por meio da recuperação de volumes em minas existentes e da comercialização de minérios de teor intermediário, com maior valor agregado.
Essas medidas, combinadas à queda nas despesas e à melhoria do fluxo de caixa livre que cresceu 337% no trimestre, reforçam a solidez financeira da companhia e aumentam a confiança do mercado.
Perspectivas e projeções para 2026
Apesar do avanço, a Vale ainda enfrenta desafios ligados às provisões de Mariana e Brumadinho, que seguem pressionando o caixa e devem persistir até 2030. No entanto, analistas projetam um cenário mais leve a partir da próxima década, com menor impacto dessas despesas e maior contribuição dos metais voltados à transição energética.
Com os resultados sólidos e perspectivas positivas, a Vale se posiciona como uma das ações mais atrativas da bolsa, especialmente para investidores focados em dividendos e longo prazo. Caso consiga reduzir a dívida para o patamar prometido, o mercado deve reagir positivamente ao anúncio de dividendos extraordinários, o que poderá fortalecer ainda mais o desempenho de VALE3 na B3.
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