A Vale encerrou 2025 com desempenho operacional acima das expectativas iniciais. A companhia conseguiu atingir o topo do guidance em todas as suas principais commodities, incluindo minério de ferro, cobre e níquel, consolidando um ano marcado por disciplina operacional, eficiência e execução de projetos estratégicos.
Ao longo do ano, quatro novos projetos entraram em operação, fortalecendo a base produtiva da empresa. Além disso, a mineradora gerou mais de US$ 1 bilhão com a parceria com a Aliança Energia, outros US$ 1 bilhão em ganhos de eficiência e distribuiu US$ 3,4 bilhões em dividendos, mesmo em um cenário de preços mais voláteis das commodities.
Outro destaque estrutural é o projeto Novo Carajás, apontado como peça-chave para sustentar o crescimento da produção de minério de ferro até pelo menos 2035, com ativos mais eficientes e menor custo marginal.
Produção de minério de ferro deve crescer até 360 milhões de toneladas
A Vale projeta uma trajetória consistente de crescimento na produção de minério de ferro nos próximos anos:
2024: 328 milhões de toneladas
2025: cerca de 335 milhões de toneladas
2026: entre 335 e 345 milhões de toneladas
2030: aproximadamente 360 milhões de toneladas
Esse avanço é sustentado por projetos com ramp-up mais rápido, menor necessidade de desmonte e maior eficiência operacional, especialmente no sistema Norte.
Entre 2024 e 2025, a companhia já entregou crescimento de 3% no volume de vendas, e a expectativa é manter uma taxa média de crescimento anual próxima de 3% entre 2025 e 2030.
Novo Carajás e Serra Sul+20 ampliam eficiência e previsibilidade
O portfólio de projetos ligados a Carajás se destaca pela maior produtividade e menor custo operacional. Um dos principais ativos é o Serra Sul+20, que deve adicionar 20 milhões de toneladas por ano à capacidade produtiva.
Avanço físico: 81% concluído
Início de operação: segundo semestre de 2026
Além disso, a Vale já conta com:
6 projetos estruturantes (3 em andamento e 3 em fase inicial)
Mais de 12 projetos de longo prazo como opcionalidades para depois de 2030
Esse pipeline reforça a previsibilidade da produção e reduz riscos operacionais ao longo do tempo.
Uso de inteligência artificial reduz custos e aumenta eficiência
A Vale vem intensificando o uso de inteligência artificial e modelos preditivos para melhorar eficiência e reduzir perdas. Um exemplo claro está no porto de Ponta da Madeira, onde a eficiência aumentou 8% entre o 1T23 e o 1T25.
Os ganhos vieram principalmente de:
Monitoramento inteligente da umidade do minério
Redução de perdas na estação chuvosa
Maior previsibilidade logística
Operações de carregamento mais seguras
Esse avanço tecnológico tem impacto direto na redução do custo de caixa e no aumento das margens operacionais.
Cobre ganha protagonismo e deve dobrar produção até 2035
Embora o minério de ferro ainda represente 79% da receita da Vale, a companhia vem acelerando sua estratégia de diversificação, com destaque para o cobre, metal essencial para transição energética e eletrificação.
A produção evoluiu de:
2023: 327 mil toneladas
2025: cerca de 370 mil toneladas
2026: entre 350 e 380 mil toneladas
A meta é ultrapassar 700 mil toneladas até 2035, com:
Crescimento médio de 5% ao ano até 2030
Crescimento de 7% ao ano entre 2030 e 2035
Outro ponto relevante é a redução do custo de produção, que caiu de cerca de US$ 3 por tonelada em 2023 para menos de US$ 1 por tonelada em 2025, fortalecendo o EBITDA da companhia.
Níquel também avança, mas ainda tem peso limitado na receita
No níquel, a Vale projeta crescimento relevante:
2023: 151 mil toneladas
2025: cerca de 175 mil toneladas
2026: entre 175 e 200 mil toneladas
Entre 2025 e 2030, a expectativa é de crescimento acumulado de aproximadamente 30%. Assim como no cobre, os custos operacionais caíram de forma expressiva, reforçando a rentabilidade do segmento.
Apesar disso, cobre e níquel somados ainda representam cerca de 17% da receita total, o que mantém o minério de ferro como principal vetor de resultados — e também como principal risco cíclico.
China desacelera, mas Índia e emergentes devem sustentar demanda
A Vale reconhece que a demanda chinesa por minério de ferro tende a diminuir gradualmente entre 2025 e 2040, refletindo a desaceleração econômica e mudanças no setor imobiliário do país.
Historicamente, há forte correlação entre o PIB da China e o preço do minério de ferro. Com a perda de tração da economia chinesa após a pandemia, os preços recuaram para níveis mais próximos de US$ 100 por tonelada.
Por outro lado, a companhia aposta no crescimento da demanda em:
Índia
Sudeste Asiático
Oriente Médio
Norte da África
Além disso, a produção global de aço deve crescer cerca de 1,2% ao ano, ajudando a sustentar a demanda pelo minério.
Custos caem, capex segue controlado e endividamento diminui
A disciplina financeira é um dos principais pilares da tese da Vale. Os custos fixos de soluções de minério de ferro devem cair de US$ 6,3 bilhões em 2023 para US$ 5,7 bilhões em 2026.
O custo de caixa C1, que engloba da mina ao porto, deve ficar abaixo de US$ 20 por tonelada a partir de 2026, representando uma redução de cerca de 10% em três anos.
O capex anual permanece abaixo de US$ 6 bilhões, com:
Cerca de US$ 5,5 bilhões em 2025
Prioridade para manutenção e projetos de alta eficiência
Com isso, o endividamento líquido vem caindo, mesmo considerando obrigações relacionadas a Samarco e Brumadinho, que devem perder peso gradualmente a partir de 2028.
Mais produção, menos custos e capex baixo aumentam potencial de dividendos
A combinação de maior volume, custos mais baixos, investimentos controlados e redução de passivos extraordinários cria um cenário favorável para dividendos mais robustos nos próximos anos.
À medida que os desembolsos relacionados a acidentes diminuem e os projetos entram em plena operação, cresce o espaço para geração de caixa livre — fator essencial para remuneração ao acionista.
Mercado vê potencial de valorização e recomenda compra
Após o Investor Day, analistas destacaram:
Curva futura mais favorável para o minério de ferro
Volumes mais previsíveis
Custos estruturalmente menores
Capex disciplinado
A maioria das casas de análise trabalha com preço-alvo próximo de R$ 80, o que representa um potencial de valorização de cerca de 17% em relação à cotação atual próxima de R$ 69.
A Vale entra em um novo ciclo operacional com crescimento sustentável, eficiência recorde e estrutura financeira mais sólida, reforçando a tese de valorização das ações e de dividendos mais relevantes no médio e longo prazo — mesmo diante dos desafios do ciclo de commodities.
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