A Usiminas abriu a temporada de balanços de 2026 com números que surpreenderam o mercado. A companhia reportou lucro líquido de R$ 896 milhões no 1T26, um avanço de 166% em relação ao mesmo período do ano anterior e de quase 600% frente ao trimestre anterior.
O resultado ficou muito acima das expectativas, que giravam em torno de R$ 190 milhões, reforçando um momento de recuperação operacional da empresa.
Receita cai e mostra que recuperação ainda não é completa
Apesar do lucro elevado, a leitura dos números exige cautela. A receita líquida somou cerca de R$ 5,9 bilhões no trimestre, registrando queda de aproximadamente 14% na comparação anual.
Esse dado indica que a melhora no lucro não veio necessariamente de crescimento de vendas, mas sim de fatores como:
- Ganhos cambiais
- Créditos tributários
- Melhora de eficiência operacional
- Ajustes internos
Ou seja, a recuperação ainda não é sustentada por expansão de volume ou demanda consistente.
EBITDA cresce, mas ainda enfrenta pressão estrutural
O EBITDA ajustado atingiu cerca de R$ 653 milhões, com margem de aproximadamente 11,1%.
Na comparação:
- Alta de 56% frente ao trimestre anterior
- Queda de cerca de 10% na base anual
Isso mostra que houve melhora sequencial (curto prazo), mas ainda há fragilidade quando comparado ao ciclo anterior.
Desempenho por segmento: aço salva, mineração pesa
O resultado foi puxado principalmente pela divisão de siderurgia:
- EBITDA do aço: R$ 544 milhões (forte recuperação)
- EBITDA da mineração: R$ 111 milhões (queda relevante)
A divisão de aço foi beneficiada por:
- Aumento de preços
- Melhor mix de produtos
- Redução de custos
Já a mineração sofreu com:
- Queda nos volumes
- Pressão de preços
- Custos mais elevados
Queda nos volumes reforça cenário desafiador
Outro ponto importante foi a retração nos volumes vendidos:
- Aço: 1,0 milhão de toneladas (queda de ~7% trimestral)
- Minério de ferro: 1,9 milhão de toneladas (queda de até 21%)
Isso confirma que a empresa está priorizando margens em vez de crescimento de volume, estratégia comum em momentos de pressão no setor.
Estrutura financeira segue sólida
Apesar dos desafios, a Usiminas apresenta uma posição financeira confortável:
- Caixa: R$ 6,7 bilhões
- Dívida bruta: R$ 6,3 bilhões
- Dívida líquida: negativa (empresa com caixa líquido)
- Dívida líquida/EBITDA: -0,20x
Além disso, o fluxo de caixa livre foi positivo em R$ 84 milhões, mesmo com investimentos (CAPEX) de R$ 285 milhões no trimestre.
Tabela completa dos resultados – Usiminas (USIM5)
| Indicador | 1T26 | Variação vs 1T25 | Variação vs 4T25 |
|---|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 5,9 bilhões | -14% | — |
| EBITDA ajustado | R$ 653 milhões | -10,9% | +56% |
| Margem EBITDA | 11,1% | — | — |
| Lucro líquido | R$ 896 milhões | +166% | +596% |
| Volume de aço | 1,0 Mt | -8% | -7% |
| Volume minério | 1,9 Mt | -12% | -21% |
| Caixa | R$ 6,7 bilhões | — | — |
| Dívida líquida | -R$ 390 milhões | — | — |
| CAPEX | R$ 285 milhões | — | — |
Mercado reage positivamente ao balanço
Após a divulgação, as ações da companhia chegaram a subir mais de 10% no pregão, refletindo o otimismo com o resultado acima das expectativas.
O desempenho reforça a percepção de que a empresa está em fase de recuperação, especialmente na divisão de aço.
O que esperar da Usiminas em 2026
Mesmo com o resultado forte, analistas seguem cautelosos. O cenário ainda apresenta desafios relevantes:
- Forte concorrência do aço importado
- Dependência do mercado brasileiro
- Pressão de custos industriais
- Volatilidade da mineração
Além disso, projeções indicam que 2026 ainda deve ser um ano de margens pressionadas, mesmo com medidas protecionistas em vigor.
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O resultado do 1T26 mostra uma empresa em recuperação, mas ainda em um cenário instável.
Pontos positivos:
- Lucro muito acima do esperado
- Forte geração operacional no aço
- Estrutura financeira sólida
Pontos de atenção:
- Receita em queda
- Dependência do mercado interno
- Mineração pressionando resultados
- Recuperação ainda não consolidada
A Usiminas começa 2026 com números fortes e surpreendentes, mas o cenário ainda exige cautela.
O lucro elevado mostra eficiência e melhora operacional, mas a queda na receita e nos volumes indica que a recuperação ainda não é estrutural.
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