A Usiminas (USIM5), uma das principais produtoras de aço do Brasil, vive um momento de transição em 2025. Após enfrentar forte desvalorização e margens comprimidas, a companhia tenta reorganizar sua estrutura financeira e se preparar para uma nova fase de crescimento. Com as ações negociadas próximas de R$ 4,90, os investidores se perguntam se o pior já passou e se este é o momento ideal para aproveitar o preço descontado.
Situação atual da Usiminas
A ação preferencial USIM5 acumula queda de cerca de 25% no ano, refletindo o enfraquecimento da demanda global por aço, custos elevados de insumos e impacto das importações asiáticas. Mesmo assim, a companhia apresentou lucro líquido de R$ 128 milhões no segundo trimestre de 2025, revertendo o prejuízo registrado em 2024.
O EBITDA ajustado atingiu aproximadamente R$ 408 milhões no mesmo período, mostrando melhora operacional, embora ainda abaixo das projeções de mercado. A receita líquida ficou em torno de R$ 6,5 bilhões, com leve avanço em relação ao ano anterior, mas longe do pico histórico.
A dívida líquida subiu para R$ 1,37 bilhão, resultado de investimentos em modernização das usinas e manutenção de caixa para suportar o ciclo de baixa da siderurgia.
Dividendos: cenário ainda incerto
A Usiminas não distribuiu dividendos em 2025, o que desanimou parte dos investidores que buscam renda passiva. O último pagamento ocorreu em 2024, com rendimento equivalente a cerca de 5,8% sobre o valor atual das ações.
Apesar disso, a empresa possui histórico consistente de proventos em ciclos de lucro mais robustos, principalmente quando o preço do aço se valoriza no mercado internacional. Analistas apontam que uma eventual retomada do setor pode reabrir espaço para o retorno dos dividendos a partir de 2026, especialmente se as margens voltarem ao patamar de dois dígitos.
Projeções e preço justo da USIM5
As estimativas mais recentes de valuation apontam preço-alvo em torno de R$ 10,00 para a ação, o que representa potencial de valorização de 100% frente à cotação atual.
Os principais fatores que sustentam esse otimismo incluem:
Recuperação gradual do setor de aço e da construção civil;
Crescimento das exportações após ajuste de estoques;
Redução esperada dos custos de carvão e energia;
Possível normalização dos juros a partir de 2026.
Por outro lado, o cenário ainda impõe riscos relevantes: margens apertadas, concorrência internacional crescente e dependência de um ciclo econômico favorável para retomada do lucro.
USIM3 x USIM5: diferenças entre as ações
A Usiminas possui três tipos de ações listadas na B3: USIM3 (ordinária), USIM5 (preferencial) e USIM6 (preferencial classe B).
A USIM5 é a mais procurada por investidores individuais, pois apresenta maior liquidez e, historicamente, pagamentos mais frequentes de dividendos. Já a USIM3 garante direito a voto, mas é menos negociada.
Vale a pena investir na Usiminas agora?
A USIM5 pode ser uma oportunidade para quem busca potencial de valorização no médio e longo prazo. A ação segue descontada em relação ao valor patrimonial e pode reagir com a recuperação da economia brasileira e do setor industrial.
Entretanto, para investidores que priorizam renda via dividendos imediatos, o papel ainda não é atrativo, já que a política de distribuição está suspensa até a melhora do fluxo de caixa.
Em resumo:
Perfil indicado: investidor que aceita risco e aposta na retomada do ciclo siderúrgico;
Perspectiva: valorização relevante em caso de recuperação do aço e do consumo interno;
Cautela: ausência de dividendos e volatilidade elevada no curto prazo.
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