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Início » Últimas Notícias » Ultra (UGPA3) dispara na Bolsa e vira maior aposta do Fundo Guepardo: ação ainda está barata?
Ações

Ultra (UGPA3) dispara na Bolsa e vira maior aposta do Fundo Guepardo: ação ainda está barata?

Com 21% da carteira concentrada em UGPA3, fundo com retorno médio acima de 20% ao ano reforça confiança na estratégia da Ultra e seus múltiplos ainda descontados.
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins23 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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A Ultra (UGPA3) passou a ocupar o topo da carteira do Fundo Guepardo, um dos fundos de ações mais consistentes do mercado brasileiro, com retorno médio superior a 20% ao ano desde sua criação. A posição representa 21,3% do patrimônio do fundo, evidenciando forte convicção na tese da companhia.

O movimento ocorre após a valorização expressiva das ações, que saíram da faixa de R$ 16 para cerca de R$ 27 desde a última carteira divulgada. Mesmo após essa alta relevante, os múltiplos seguem abaixo da média histórica — o que mantém o papel no radar de investidores que buscam crescimento aliado a geração de caixa.

Fundo Guepardo: estratégia concentrada e foco em convicção

Diferentemente da média do mercado, que costuma diversificar entre 20 a 30 ativos, o Fundo Guepardo mantém uma carteira concentrada, geralmente entre 8 e 14 ações.

Principais posições atuais:

  • Ultra (UGPA3) – 21,3%

  • Klabin (KLBN11) – quase 20%

  • Allos – 17%

  • Tegra – 11%

  • Vibra Energia – 9,5%

  • Rumo – 7,7%

  • Grupo Mateus – 6,6%

  • Gerdau – ~5%

A estratégia é clara: concentração em empresas com alta geração de caixa e retorno sobre capital crescente.

Ultra (UGPA3): estrutura de negócios e geração de caixa

A Ultra é uma holding com operações relevantes em distribuição de combustíveis, gás GLP, logística e transporte hidroviário.

Ipiranga (Distribuição de combustíveis)

  • Representa cerca de 60% do EBITDA consolidado

  • Aproximadamente 3,3 bilhões de EBITDA

  • 17% de participação de mercado

  • Distribuição para quase 6 mil postos

Mesmo com aumento da concorrência e perda marginal de market share desde 2021, a Ipiranga perdeu menos participação que concorrentes como Vibra Energia e Raízen, mostrando resiliência operacional.

O volume distribuído segue em crescimento, com margens sustentadas e ROIC em trajetória de alta.

Ultragaz

  • 30% do EBITDA do grupo

  • 1,7 bilhão de EBITDA

  • 22% de market share

  • 51 bases operacionais

  • 1,7 milhão de toneladas vendidas

O setor é altamente concentrado. Quatro empresas controlam cerca de 90% do mercado nacional.

Mesmo com volumes praticamente estáveis desde 2021, a Ultragaz elevou resultado e mantém ROIC acima de 40%, um patamar extremamente elevado.

Se fosse avaliada isoladamente a 10x EV/EBITDA, poderia representar algo próximo de R$ 18 bilhões a R$ 20 bilhões em valor — uma parcela significativa do valor total da Ultra.

Ultracargo

  • 18% de market share em armazenagem

  • Capacidade estática crescente

  • Margens elevadas

  • ROIC entre 15% e 20%

Apesar de leve perda de participação desde 2021, a empresa aposta no crescimento do agronegócio e do etanol de milho, com foco no corredor Centro-Norte e Arco Norte.

Hidrovias do Brasil

Hidrovias do Brasil

  • Cerca de R$ 500 milhões de EBITDA recorrente

  • Margens pressionadas

  • ROIC na faixa de 5%

Ainda é um braço que destruiu valor nos últimos anos, mas a administração sinaliza foco em elevar o ROIC consolidado acima de 20%, o que pode indicar melhora estrutural.

Indicadores financeiros: crescimento consistente

Números recentes da Ultra

  • EBITDA recorrente crescente

  • Lucro líquido próximo de R$ 2,5 bilhões

  • Geração de caixa operacional próxima de R$ 4 bilhões

  • ROIC saiu de 7% para cerca de 16%

  • Meta: superar 20%

A relação dívida líquida/EBITDA está em torno de 1,7x, dentro do intervalo alvo (1,5x a 2,0x), indicando estrutura de capital confortável.

Valuation: ainda descontada?

Mesmo após a forte valorização, o EV/EBITDA está em torno de 6,4x, enquanto a média histórica desde 2016 gira em torno de 10,4x.

Isso sugere que, caso mantenha crescimento e ROIC em expansão, há espaço para reprecificação.

Empresas que elevam consistentemente o retorno sobre capital tendem a negociar a múltiplos maiores. O mercado costuma pagar prêmio por previsibilidade, eficiência operacional e disciplina financeira.

Dividendos: o que esperar em 2026?

A Ultra tem histórico de pagamentos semestrais, tradicionalmente com data-com em março e agosto.

Houve antecipação de provento em dezembro, o que reduz a probabilidade de novo anúncio agora em março de 2026. Em tese, o próximo pagamento pode ficar concentrado em agosto.

Com alavancagem controlada e geração robusta de caixa, caso não surjam grandes investimentos, há espaço para reforço de dividendos.

UGPA3 ainda faz sentido após a alta?

A Ultra combina:

  • Forte geração de caixa

  • ROIC em expansão

  • Dívida controlada

  • Negócios líderes de mercado

  • Múltiplos abaixo da média histórica

O fato de ser a principal posição do Fundo Guepardo reforça a confiança institucional na tese.

Após subir mais de 60% desde o último disclosure relevante do fundo, o papel pode parecer esticado no curto prazo. No entanto, olhando fundamentos, crescimento de retorno sobre capital e valuation relativo, UGPA3 ainda apresenta argumentos sólidos para permanecer no radar do investidor de médio e longo prazo.

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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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