O setor elétrico é considerado perene. Em um mundo cada vez mais digital, a energia elétrica deixou de ser apenas essencial — tornou-se insubstituível. Sem energia, não há tecnologia, indústria, serviços ou economia moderna.
Dentro do setor elétrico, existem três grandes subsetores:
Geração – hidrelétricas, eólicas, solares e térmicas
Transmissão – responsáveis por levar a energia das geradoras até as distribuidoras
Distribuição – empresas que entregam a energia ao consumidor final
👉 As transmissoras ocupam o topo do ranking de previsibilidade, pois recebem pela disponibilidade do sistema, independentemente do volume de energia efetivamente transmitido.
O que faz da TAEE11 uma das ações mais desejadas da Bolsa?
A Taesa (TAEE) atua exclusivamente no segmento de transmissão de energia, considerado o mais defensivo do setor elétrico.
Principais vantagens do modelo de negócio:
Receita previsível e contratada
Baixo risco operacional
Alta visibilidade de caixa
Pagamentos garantidos via RAP (Receita Anual Permitida)
Mesmo que:
a geradora tenha problemas
a distribuidora enfrente inadimplência
ocorram falhas pontuais
A transmissora continua recebendo, pois é remunerada pela disponibilidade das linhas.
Números que chamam atenção na TAEE11
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Cotação atual | R$ 41,21 |
| Valorização em 12 meses | +28,44% |
| P/L | 8,28 |
| Dividend Yield (12m) | 7,8% |
| P/VPA | 1,87 |
| Liquidez diária | R$ 111 milhões |
| Tag Along | 100% |
O P/VPA elevado não é anormal no setor elétrico, especialmente em transmissoras, já que o mercado aceita pagar mais por previsibilidade e segurança.
Receita por disponibilidade: o grande diferencial
No 3º trimestre de 2025, a Taesa apresentou:
Receita bruta regulatória: R$ 721,8 milhões
Receita líquida operacional: R$ 548,8 milhões
Margem EBITDA: 84%
Isso reforça a força do modelo de negócios.
Índice de disponibilidade:
2025: 99,93%
2024: 98,34%
A chamada Parcela Variável (PV) representa descontos aplicados quando ocorre alguma indisponibilidade pontual no sistema — algo normal em operações de grande escala.
Quem controla a Taesa?
Cemig: ~21%
ISA Investimentos: ~15%
Free Float (mercado): ~63%
A presença de grandes controladores e investidores institucionais reforça a governança e a credibilidade da empresa.
Investidor Day e o futuro da transmissão
Um dos pontos mais relevantes discutidos foi o curtailment, que ocorre quando:
há geração de energia
existe demanda
mas falta capacidade de transmissão
Isso cria oportunidades enormes para transmissoras como a Taesa, que:
expandem redes
investem em novas linhas
participam de leilões estratégicos
Evolução da RAP ao longo do tempo:
Crescimento consistente desde 2006
Mais de R$ 4 bilhões em RAP acumulada
44 ativos em operação
Nem tudo são flores: os pontos de atenção
Endividamento
Dívida líquida / EBITDA: 4,1x
Para transmissoras, é considerado aceitável, mas merece acompanhamento.
Concessões a vencer a partir de 2030
O mercado teme perda de RAP
Mas historicamente:
empresas renovam
vencem novos leilões
substituem concessões maduras por novas
Não há indício de colapso operacional ou financeiro.
TAEE11 está cara?
Está cara para novas compras no curto prazo, considerando valuation
Não está cara para quem já é sócio de longo prazo
Ação cara não é preço alto, é preço acima do valor justo com base nos fundamentos.
Vender apenas porque o preço subiu costuma ser um erro clássico de quem ainda se comporta como trader, e não como sócio.
Vale a pena ter TAEE11?
Sim, como ativo de longo prazo.
Não, como compra agressiva no preço atual.
A Taesa segue sendo:
sólida
previsível
excelente pagadora de dividendos
referência em transmissão de energia
Para quem já possui, manter faz sentido.
Para quem deseja entrar, aguardar melhores oportunidades pode ser prudente.
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