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Início » Últimas Notícias » SUZB3 é a maior oportunidade da Bolsa no momento atual?
Ações

SUZB3 é a maior oportunidade da Bolsa no momento atual?

Com celulose no fundo do ciclo, múltiplos descontados e forte geração de caixa, Suzano chama atenção dos investidores de longo prazo
Felipe AndradePor Felipe Andrade30 de dezembro de 20254 minutos lidos
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SUZB3
SUZB3

A Suzano atravessa um dos momentos mais desafiadores do seu ciclo recente. Em 2025, as ações da companhia acumulam queda relevante, o papel saiu do radar da maioria dos investidores e o sentimento do mercado é claramente pessimista. O pano de fundo é conhecido: dólar mais fraco e preços internacionais da celulose pressionados.

O que chama atenção, no entanto, é o descolamento entre o preço da ação e a qualidade estrutural do negócio. Mesmo no pior momento do ciclo, a Suzano segue altamente lucrativa, líder global do setor e com vantagens competitivas difíceis de replicar.

Ciclo da celulose: estamos no ponto mais baixo?

O preço da celulose opera em torno de US$ 500 por tonelada, um patamar que pressiona margens em boa parte do setor. Esse cenário reflete principalmente o excesso de estoques na China e a entrada de novas plantas produtivas no país, aumentando a oferta global no curto prazo.

O ponto central é que esse nível de preço não é sustentável para produtores menos eficientes. O custo de produção da celulose chinesa gira próximo ou até acima desse valor, o que tende a provocar redução de oferta ao longo do tempo. Em ciclos anteriores, esse desequilíbrio foi justamente o gatilho para a recuperação dos preços.

Vantagem estrutural: menor custo do mundo

É nesse ambiente adverso que a Suzano se destaca. A companhia é a maior produtora de celulose do mundo, com cerca de 23% a 24% de participação global, e possui o menor custo de produção do setor.

  • Cash cost da Suzano: ~US$ 180 por tonelada

  • Custo total (produção + logística + pessoal): ~US$ 400 por tonelada

  • Custo médio de produtores chineses: acima de US$ 570 por tonelada

Mesmo com a celulose em níveis deprimidos, a Suzano continua gerando caixa de forma consistente, enquanto concorrentes operam no limite da rentabilidade.

Resultados operacionais mostram resiliência

Mesmo com pressão de preços e câmbio desfavorável, os resultados mostram que a companhia consegue atravessar o ciclo sem comprometer sua saúde financeira.

Principais indicadores operacionais – cenário atual

IndicadorValor aproximado
Preço médio da celulose~US$ 500–525/t
Cash cost da celulose~US$ 180/t
Custo total estimado~US$ 400/t
Fluxo de caixa livre (cenário atual)~10%
Fluxo de caixa livre (celulose a US$ 600)~15%
AlavancagemControlada
Participação global~23–24%

Mesmo no pior ponto do ciclo, a Suzano continua gerando caixa relevante, o que reduz riscos e amplia a assimetria para o investidor paciente.

Projeto Cerrado: eficiência que muda o patamar

Um dos maiores catalisadores de longo prazo é o Projeto Cerrado, em Ribas do Rio Pardo (MS). Trata-se da maior planta de celulose do mundo, já em operação e em fase de rampa, com produção plena prevista até 2028.

Quando atingir capacidade máxima, o projeto deve:

  • Adicionar cerca de 2,5 milhões de toneladas por ano

  • Reduzir ainda mais o custo médio de produção

  • Operar com logística altamente integrada

  • Utilizar energia 100% proveniente de biomassa e biogás

  • Gerar excedente energético, criando nova fonte de receita

Esse projeto tende a reforçar ainda mais a liderança da Suzano em eficiência, margem e competitividade global.

Diversificação reduz dependência do ciclo

Outro ponto relevante é a mudança estrutural no perfil de receita. Com a incorporação dos ativos da Kimberly-Clark no Brasil, a Suzano avança na cadeia de valor e reduz sua dependência exclusiva da celulose.

  • Participação de papel e celulose na receita: de ~79% para ~58%

  • Participação de bens de consumo: de ~6% para ~31%

Essa diversificação torna o balanço mais robusto e reduz a volatilidade dos resultados ao longo do ciclo.

Valuation: desconto raro para uma líder global

Historicamente, a Suzano negocia entre 7x e 8x EV/EBITDA. No momento atual, o múltiplo está abaixo de 5x, refletindo o pessimismo com a commodity e o curto prazo.

Esse nível de valuation costuma aparecer apenas em momentos extremos do ciclo, quando o mercado precifica um cenário excessivamente negativo. Para investidores de longo prazo, esse tipo de descompasso costuma representar oportunidade.

Crise cíclica, tese estrutural fortalecida

A Suzano reúne, ao mesmo tempo:

  • Setor global em crescimento

  • Produto que ganha market share (celulose de fibra curta)

  • Menor custo de produção do mundo

  • Projetos de expansão altamente eficientes

  • Diversificação de receitas

  • Forte geração de caixa mesmo no pior cenário

  • Ações negociando com desconto histórico

O curto prazo segue desafiador, mas o conjunto de fundamentos indica que o risco está muito mais no timing do que na qualidade do ativo. Para quem investe olhando ciclos e não manchetes, a SUZB3 aparece hoje em um dos pontos mais interessantes da sua história recente.

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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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