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Início » Últimas Notícias » SUZB3 apanha do ciclo, mas a relação risco-retorno começa a mudar
Ações

SUZB3 apanha do ciclo, mas a relação risco-retorno começa a mudar

Com a celulose perto do piso histórico e o Projeto Cerrado ganhando escala, Suzano entra em um momento em que o risco parece menor que o potencial de recuperação
Carlos MenezesPor Carlos Menezes18 de dezembro de 20254 minutos lidos
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SUZB3
SUZB3

A Suzano atravessa um dos momentos mais desafiadores do seu ciclo operacional. O preço da celulose, principal variável de receita da companhia, gira em torno de US$ 525 por tonelada, bem abaixo da média histórica de US$ 640–650. Esse movimento pressiona margens, reduz lucro e afasta investidores no curto prazo.

Mas é justamente nesse ponto que começa a leitura contracíclica: o mercado precifica como se o cenário ruim fosse permanente, enquanto a história das commodities mostra que ciclos raramente ficam no fundo para sempre.

Brasil é o low cost global da celulose — e a Suzano lidera

A Suzano está posicionada no que há de mais competitivo no setor. O Brasil possui as florestas de crescimento mais rápido do mundo, o que reduz drasticamente o custo por tonelada produzida.

Dentro desse contexto, a Suzano se destaca por:

  • Estar entre as menores estruturas de custo de caixa do mundo

  • Operar fortemente em celulose de mercado, vendida a terceiros

  • Atender uma parcela relevante do consumo global fora de cadeias integradas

O Projeto Cerrado, a mais recente expansão da companhia, é considerado a planta de menor custo de produção global, reforçando a vantagem competitiva estrutural da empresa.

Projeto Cerrado já ficou para trás: agora o foco é caixa

Um dos pontos centrais da tese é que a Suzano encerrou um ciclo pesado de investimentos. Foram mais de US$ 20 bilhões aplicados em expansão nos últimos anos.

Esse tipo de indústria costuma sofrer justamente no intervalo entre:

  • conclusão do projeto

  • ramp-up operacional

  • normalização do preço da commodity

Agora, o cenário muda:

  • Não há novos megaprojetos no radar

  • A empresa tende a priorizar geração de caixa e desalavancagem

  • O risco de novas decisões ruins de capital diminui

  • Qualquer melhora de preço ou volume tem efeito direto no resultado

Resultados mostram resiliência mesmo no pior momento do ciclo

Mesmo com a celulose pressionada, os números mostram que a Suzano segue longe de um cenário de estresse operacional.

Destaques recentes

  • Receita líquida trimestral: R$ 12,1 bilhões

  • EBITDA ajustado: R$ 5,2 bilhões

  • Margem EBITDA: 43%

  • Lucro líquido: R$ 2,0 bilhões

  • Geração de caixa operacional: R$ 3,4 bilhões

Esses números reforçam que o problema da Suzano hoje não é estrutural, mas cíclico.

Painel financeiro da Suzano (SUZB3)

IndicadorValor
Receita líquida (últimos 12 meses)R$ 51,2 bilhões
EBITDA ajustado (LTM)R$ 22,6 bilhões
Margem EBITDA ajustada44%
Lucro líquido (LTM)R$ 6,6 bilhões
Geração de caixa operacional (LTM)R$ 15,0 bilhões
Fluxo de caixa livre (LTM)R$ 1,3 bilhão
Fluxo de caixa livre ajustadoR$ 11,1 bilhões
Dívida líquidaR$ 69,1 bilhões
Dívida líquida / EBITDA3,1x
Caixa e aplicaçõesR$ 23,9 bilhões
Preço médio da celuloseUS$ 525 / tonelada

Por que a celulose está tão barata — e por que isso tende a mudar

A principal explicação para o preço baixo está na China. Com a desaceleração do setor imobiliário, grandes volumes de madeira passaram a ser direcionados à produção local de celulose, reduzindo importações.

O ponto-chave é o custo:

  • Produzir celulose na China é mais de 50% mais caro do que no Brasil

  • O uso atual é baseado em madeira já disponível

  • Não faz sentido econômico replantar florestas para esse fim no longo prazo

Ou seja, trata-se de um ajuste temporário. No horizonte de 2 a 5 anos, a tendência é de normalização da demanda global e retorno gradual do preço à média histórica.

Gatilhos que podem destravar SUZB3

  • Recuperação parcial do preço da celulose

  • Ramp-up completo do Projeto Cerrado

  • Câmbio mais favorável para exportadoras

  • Redução da alavancagem financeira

  • Maior disciplina de capital e foco em caixa

Em empresas de commodity, não é preciso um cenário perfeito — basta sair do pior ponto.

Riscos que o investidor precisa aceitar

  • A celulose pode demorar mais a reagir

  • Volatilidade elevada no curto prazo

  • Dívida ainda relevante em um setor cíclico

  • Sensibilidade ao câmbio e ao cenário global

Por isso, a tese faz mais sentido como posição moderada, não como concentração excessiva.

SUZB3 é uma tese de paciência, não de manchete

Suzano é o típico papel que parece “ruim demais” no fundo do ciclo e “bom demais” no topo. Com custos líderes globais, grande projeto recém-concluído e preço da commodity próximo do piso, a assimetria começa a jogar a favor do investidor de longo prazo.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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