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Início » Últimas Notícias » Suzano (SUZB3) vale a pena neste momento? A tese por trás da ação após a queda do ciclo da celulose
Ações

Suzano (SUZB3) vale a pena neste momento? A tese por trás da ação após a queda do ciclo da celulose

Mesmo com preços da celulose pressionados, Suzano combina menor custo do mundo, capex em queda e forte potencial de geração de caixa
André CarvalhoPor André Carvalho9 de janeiro de 20264 minutos lidos
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SUZB3

A Suzano voltou a ganhar atenção do mercado em um momento pouco óbvio. O setor de celulose atravessa uma fase de preços deprimidos, mas a empresa reúne características que alteram completamente a leitura de risco: liderança global, menor custo de produção do mundo e um ciclo pesado de investimentos praticamente concluído.

Diferente de uma tese baseada apenas em cenário macro ou dólar alto, a atratividade da Suzano hoje está concentrada em fatores microeconômicos e estruturais.

O que mudou na Suzano nos últimos anos

A empresa concluiu recentemente o Projeto Cerrado, uma fábrica de grande escala localizada no Centro-Oeste, considerada a unidade de menor custo caixa global. Esse tipo de investimento consome caixa por anos, mas transforma radicalmente a capacidade de geração de fluxo no ciclo seguinte.

Com o fim do pico de capex, a Suzano entra em uma fase em que:

  • Os investimentos caem de forma relevante

  • A produção cresce com eficiência superior

  • A geração de caixa livre tende a aumentar mesmo sem melhora de preços

Esse é um ponto-chave da tese atual.

Preço da celulose baixo: risco ou oportunidade?

O preço internacional da celulose opera abaixo da média histórica, pressionado principalmente por desaceleração na China e aumento pontual de oferta. No entanto, esses níveis não incentivam novos investimentos no setor, o que tende a provocar ajuste natural de oferta ao longo do tempo.

Para a Suzano, que produz a custos significativamente inferiores aos concorrentes, esse cenário cria uma assimetria clara:

  • Se o preço permanecer baixo, a empresa continua operando com margem positiva

  • Se o preço normalizar, o impacto no caixa e no lucro é altamente relevante

Números atuais da Suzano (SUZB3)

Indicadores de mercado e valuation

IndicadorValor aproximado
CotaçãoR$ 49 – R$ 50
Valor de mercado~R$ 65 bilhões
P/Labaixo da média histórica
Dívida líquida / EBITDA~3,3x
Dividend yield (12m)~2%

Resultados operacionais recentes

IndicadorResultado
Receita líquida trimestral~R$ 12 bilhões
EBITDA ajustado~R$ 5,2 bilhões
Lucro líquido~R$ 2 bilhões
Volume de celulose vendidocrescimento superior a 20%
Custo caixa por toneladaqueda relevante no período

Mesmo com pressão nos preços, o aumento de volume e a redução de custos amorteceram o impacto nos resultados.

Geração de caixa: o principal pilar da tese

O ponto central da análise está no fluxo de caixa livre. Em cenários conservadores, assumindo:

  • Celulose em patamar baixo

  • Dólar próximo a níveis neutros

A Suzano é capaz de gerar algo entre 13% e 15% de fluxo de caixa livre sobre o valor de mercado.

Em cenários um pouco mais normalizados, essa taxa pode ultrapassar 20%, o que é extremamente elevado para uma empresa desse porte.

Esse caixa abre espaço para:

  • Redução de endividamento

  • Reforço do balanço

  • Eventual aumento de remuneração ao acionista no futuro

Suzano como empresa defensiva dentro da commodity

Apesar de atuar em um setor volátil, a Suzano ocupa a posição mais defensiva possível dentro da cadeia. Seu custo inferior faz com que, em ciclos ruins, concorrentes mais caros sofram primeiro.

Na prática, isso significa que:

  • A Suzano tende a sobreviver e ganhar espaço em crises

  • A recuperação do ciclo beneficia desproporcionalmente a empresa

Essa característica reduz o risco estrutural da tese.

ESG entra como bônus, não como premissa

A Suzano opera com florestas plantadas e renováveis, ampliando continuamente sua base florestal. Em determinadas métricas, a empresa apresenta balanço de carbono positivo.

Apesar disso, essa variável não é considerada essencial na avaliação financeira. Qualquer benefício econômico futuro ligado a créditos de carbono é tratado como opcional, sem impacto relevante no valuation atual.

Principais riscos da tese

  • Permanência prolongada dos preços da celulose em níveis muito baixos

  • Desaceleração global mais intensa, especialmente na China

  • Volatilidade cambial desfavorável

  • Alavancagem ainda elevada no curto prazo

Mesmo assim, a combinação de custo baixo e geração de caixa reduz a assimetria negativa.

SUZB3 é uma tese de assimetria positiva

A Suzano não é uma ação para quem busca previsibilidade trimestral. Trata-se de uma empresa cíclica, exposta a commodities. No entanto, o momento atual reúne fatores raros: fábrica nova, capex em queda, custo imbatível e preços deprimidos.

Isso cria um cenário em que o risco de queda adicional é limitado, enquanto o potencial de recuperação é significativo. Para investidores com visão de médio e longo prazo, SUZB3 se posiciona como uma das teses mais interessantes do setor industrial brasileiro hoje.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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