A Suzano voltou ao centro das atenções do mercado após divulgar seus resultados consolidados de 2025 e anunciar um programa robusto de recompra de ações. A empresa pretende adquirir até 40 milhões de papéis, o equivalente a aproximadamente 6,5% das ações em circulação, ao longo de 18 meses.
O movimento ocorre após um ano marcado por forte recuperação contábil. Em 2024, a companhia havia registrado um prejuízo de cerca de R$ 28 bilhões, enquanto em 2025 reportou lucro de aproximadamente R$ 9,8 bilhões.
Mas será que esse lucro realmente reflete a melhora operacional? É aqui que o investidor precisa ir além do lucro líquido.
Empresa de commodity: não olhe apenas o lucro líquido
Empresas exportadoras e altamente dolarizadas, como a Suzano, sofrem forte impacto da variação cambial na demonstração de resultados.
Grande parte da diferença entre o prejuízo de 2024 e o lucro de 2025 está relacionada a:
- Variação cambial sobre dívida em dólar
- Marcação contábil de contratos
- Ajustes financeiros não caixa
Em 2024, com o dólar em forte alta, a companhia registrou impacto negativo bilionário. Já em 2025, com o movimento inverso da moeda, houve efeito positivo relevante.
Esses ajustes muitas vezes não representam saída real de caixa, mas apenas variações contábeis.
Por isso, em empresas de commodity como a Suzano, os indicadores mais relevantes são:
- EBITDA
- Geração de caixa operacional
- Fluxo de Caixa Livre (Free Cash Flow)
Geração de caixa: o verdadeiro termômetro da Suzano
A companhia mostrou que continua eficiente na geração operacional.
Preço médio da celulose
- US$ 538 por tonelada no mercado externo
Custo caixa de produção
- Aproximadamente US$ 147 por tonelada
Isso significa que a empresa mantém margem operacional saudável, mesmo com queda de 8% no preço da commodity em comparação ao trimestre anterior.
A diferença entre custo e preço é o que sustenta o caixa da empresa.
Free Cash Flow Yield: o que realmente importa ao acionista
O fluxo de caixa livre representa o dinheiro que sobra após:
- Investimentos
- Pagamento de impostos
- Serviço da dívida
- Capital de giro
Se, hipoteticamente, a empresa gera R$ 2 bilhões livres e o mercado avalia a companhia em R$ 20 bilhões, o Free Cash Flow Yield seria de 10%.
Esse indicador mostra o retorno potencial em geração de caixa sobre o valor de mercado um dado muito mais relevante que o lucro contábil em ciclos de commodity.
Redução de custos e eficiência operacional
A Suzano tem trabalhado fortemente na redução estrutural de custos.
O Projeto Cerrado, uma das maiores expansões recentes da empresa, ajudou a reduzir despesas logísticas e operacionais, especialmente com:
- Diesel
- Transporte de madeira
- Energia
- Insumos
A proximidade entre floresta e fábrica reduz custos de transporte, aumentando a eficiência operacional.
Mesmo que o preço da celulose oscile, a empresa consegue agir do lado que controla: os custos.
Alavancagem: risco sob controle?
A alavancagem atual gira em torno de 3,2 vezes dívida líquida/EBITDA.
Embora acima de 3x possa gerar alerta em outros setores, no caso da Suzano o cenário é mais equilibrado porque:
- A companhia possui cerca de R$ 32,5 bilhões em liquidez
- O cronograma de vencimentos é diluído até 2029
- A geração de caixa é consistente
Isso reduz o risco de pressão financeira no curto prazo.
Investimentos caem e caixa tende a aumentar
Os investimentos (CAPEX) vêm diminuindo após o pico do Projeto Cerrado:
- 2024: R$ 17 bilhões
- 2025: R$ 13,3 bilhões
- 2026 (guidance): cerca de R$ 11 bilhões
A tendência é clara: menos gasto em expansão e mais espaço para:
- Desalavancagem
- Recompra de ações
- Dividendos
- Reforço de caixa
Recompra de ações: sinal de confiança?
Ao optar por recompra em vez de distribuir dividendos, a Suzano indica que acredita que suas ações estão atrativas no mercado.
A recompra:
- Reduz o número de ações em circulação
- Aumenta o lucro por ação
- Pode gerar valorização no médio prazo
É uma forma indireta de remuneração ao acionista.
Vale a pena acompanhar SUZB3 agora?
A Suzano volta ao radar do mercado justamente quando o papel se aproxima da casa dos R$ 50, após período de menor interesse dos investidores.
Pontos positivos:
Forte geração de caixa
Redução de investimentos
Recompra relevante
Controle de custos
Pontos de atenção:
Dependência do ciclo da celulose
Oscilação cambial
Alavancagem ainda elevada
A Suzano mostrou que o prejuízo de 2024 foi majoritariamente contábil e que sua operação continua sólida. A geração de caixa sustenta a tese de recompra e reduz riscos financeiros no curto prazo.
Para investidores que entendem o ciclo de commodities, o foco deve estar menos no lucro líquido e mais na capacidade da empresa de transformar produção em caixa.
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