Um levantamento recente analisou o desempenho das ações listadas na B3 no período de 2023 a 2025, comparando o retorno acumulado dos papéis com o CDI do intervalo. A taxa média do CDI no chamado “Lula 3” ficou em 13,25%, com 13% em 2023, 10,8% em 2024 e 13,7% em 2025, resultando em um retorno acumulado próximo de 40% no triênio.
Para garantir liquidez e relevância estatística, o estudo considerou apenas ações com volume financeiro médio diário acima de R$ 1 milhão. O resultado chama atenção: apenas 17 das cerca de 400 empresas listadas conseguiram superar o CDI no período analisado.
Entre essas vencedoras:
16 ações subiram mais de 100% em três anos;
9 avançaram entre 100% e 200%;
7 superaram 200%;
o maior destaque teve valorização acumulada próxima de 884%.
Um ponto relevante: todas as 17 empresas pagaram dividendos, derrubando o argumento de que companhias pagadoras de proventos não conseguem entregar crescimento relevante no preço das ações.
As ações que bateram o CDI — e o filtro do valuation
A lista inclui empresas de setores diversos, como mineração, bancos, indústria, logística, saneamento e seguros. Algumas delas, no entanto, já embutem grande parte do retorno no preço atual, o que reduz a atratividade frente à renda fixa, que hoje entrega cerca de IPCA + 7,5% ao ano.
Nesse grupo mais esticado entram companhias de saneamento que tiveram fortes altas em 2025, impulsionadas por privatizações e expectativas regulatórias. Nesses casos, o retorno esperado passa a competir diretamente com a renda fixa de longo prazo, com menor margem de segurança.
Por outro lado, ao filtrar crescimento de lucro, eficiência operacional, dividendos recorrentes e múltiplos ainda descontados, três ações seguem no radar.
As 3 ações que bateram o CDI e ainda parecem baratas
1) Marcopolo (POMO4)
A Marcopolo acumulou valorização expressiva nos últimos anos, mas ainda negocia abaixo de suas médias históricas de valuation.
Destaques operacionais:
Receita saiu de cerca de R$ 4,2 bilhões em 2019 para mais de R$ 8,4 bilhões recentemente;
Margem EBITDA saltou de 7,6% para cerca de 18%;
Margem líquida próxima de 14%;
Caixa de aproximadamente R$ 1,9 bilhão, praticamente igual à dívida total — empresa quase sem endividamento líquido.
Indicadores:
P/L estimado em torno de 5,8, contra média histórica próxima de 12,6;
ROIC ao redor de 20%, quase o dobro da média de longo prazo;
Lucro por ação saiu de R$ 0,10 em 2015 para acima de R$ 1,00, crescimento composto próximo de 27% ao ano.
Mesmo após correção de cerca de 31% desde as máximas, a ação segue com fundamentos mais fortes do que no passado — e valuation menor.
2) Banco BMG (BMGB4)
O Banco BMG já subiu em 2025, mas os números mostram que a melhora operacional ainda não foi totalmente precificada.
Evolução recente:
ROE saiu de cerca de 5,2% para próximo de 14% em dois anos;
Lucro projetado em torno de R$ 520 milhões;
Valor de mercado próximo de R$ 2,6 bilhões.
Indicadores:
P/L ao redor de 5, contra média histórica próxima de 10;
P/VP perto de 0,6, nível normalmente associado a bancos com ROE bem inferior;
Dividend yield estimado próximo de 10% com payout de 50%, podendo ultrapassar 19% em cenário extremo.
Outro diferencial é a frequência trimestral de dividendos, com pagamentos rápidos após a data-com. O principal ponto de atenção é a volatilidade típica de bancos médios, mas o descasamento entre lucro crescente e preço ainda contido chama atenção.
3) Caixa Seguridade (CXSE3)
A Caixa Seguridade alterna períodos de alta e correção, mas segue entre as empresas mais previsíveis da Bolsa.
Destaques financeiros:
P/L atual em torno de 10,9, um dos menores desde o IPO;
Lucro por ação saiu de cerca de R$ 0,60 em 2021 para R$ 1,30–1,40 recentemente;
Dividendos cresceram de R$ 0,30 por ação em 2021 para mais de R$ 1,20 acumulados em 2025.
Mesmo após a valorização recente, a ação segue próxima das médias históricas e mantém pagamentos trimestrais consistentes, característica valorizada por investidores focados em renda.
O estudo deixa claro: bater o CDI na Bolsa é exceção, não regra. Apenas 17 empresas conseguiram esse feito em três anos, e a maioria já embute retornos elevados no preço. Ainda assim, Marcopolo, Banco BMG e Caixa Seguridade se destacam por combinar crescimento real, dividendos e valuation ainda descontado, mesmo após fortes altas no período.
Em um cenário de juros elevados, o investidor passa a disputar cada ponto percentual de retorno — e entender o quanto já está no preço da ação se torna tão importante quanto olhar o histórico de valorização.
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