A Smart Fit (SMFT3) anunciou uma mudança relevante em sua estrutura de liderança, com a transição do fundador Edgard Corona da posição de CEO para a presidência do Conselho de Administração, e a nomeação de Diogo Corona como novo diretor-presidente. Além disso, houve alteração no comando financeiro, com a substituição do CFO.
Para o investidor, a pergunta central é: essa mudança representa risco ou fortalecimento da companhia?
A resposta do mercado, até o momento, indica continuidade estratégica, com reforço na governança corporativa e manutenção da tese de crescimento.
O que muda na prática?
A principal mudança está na estrutura formal de governança.
Edgard Corona deixa o cargo executivo e passa a atuar de forma estratégica no Conselho. O novo CEO já fazia parte da alta liderança da empresa, com experiência operacional dentro da própria Smart Fit, o que reduz risco de ruptura na gestão.
O novo CFO também já atuava na companhia, com forte atuação nas áreas de planejamento financeiro, fusões e aquisições e relações com investidores.
Ou seja, trata-se de uma sucessão interna estruturada — não de uma troca abrupta ou externa.
Estrutura atual da Smart Fit
A Smart Fit é hoje a maior rede de academias da América Latina, com presença consolidada e plano de expansão agressivo.
Dados operacionais recentes:
| Indicador | Situação Atual |
|---|---|
| Academias em operação | ~1.850 unidades |
| Países de atuação | 16 |
| Participação Brasil | ~47% das unidades |
| Participação México | ~22% das unidades |
| Crescimento anual de unidades | +17% |
| Crescimento de clientes por academia | +8% |
| Crescimento da receita líquida | +28% a +30% |
| Crescimento do lucro líquido trimestral | +43% |
| Dívida líquida / EBITDA | ~1,5x |
| Caixa disponível | ~R$ 3 bilhões |
A empresa mantém forte geração operacional e expansão consistente.
Governança: ponto positivo para o investidor
Do ponto de vista institucional, a separação entre CEO e presidente do Conselho tende a ser vista como um avanço em governança.
Esse modelo:
Reduz concentração de poder executivo
Melhora estrutura de fiscalização estratégica
Fortalece independência do Conselho
Aumenta previsibilidade institucional
Para investidores institucionais, especialmente estrangeiros, esse tipo de ajuste é bem avaliado.
A estratégia muda?
Até o momento, não há sinalização de alteração no plano estratégico.
A Smart Fit segue com foco em:
Expansão orgânica acelerada
Crescimento no México e América Latina
Otimização de capex por unidade
Ganho de escala e diluição de custos
Consolidação de mercado
As projeções indicam potencial para abertura de centenas de novas academias nos próximos anos, com crescimento anual composto estimado acima de 20% em receita e lucro.
E a ação SMFT3?
No mercado, SMFT3 passou por correções recentes, especialmente após comentários sobre possíveis pressões nas margens e aumento da concorrência.
Mesmo assim:
A maioria das recomendações segue como compra
O preço-alvo médio gira na casa dos R$ 32
O maior preço-alvo supera R$ 37
A empresa negocia a cerca de 13x lucro projetado para 2026
A faixa técnica relevante continua entre R$ 16 e R$ 26, com resistência importante próxima dos R$ 24–26.
Dividendos: o que esperar?
A Smart Fit não é uma ação tradicionalmente focada em dividendos. Após o IPO, passou um período sem distribuir lucros, priorizando consolidação financeira.
Hoje apresenta dividend yield próximo de 4%, mas a tese principal continua sendo crescimento e valorização de capital.
O que realmente muda para o investidor?
A troca no comando traz três efeitos principais:
1. Continuidade estratégica
A sucessão interna reduz risco de ruptura operacional.
2. Governança mais robusta
Separação entre Conselho e gestão executiva é vista como evolução institucional.
3. Foco em execução
O desafio agora será manter ritmo de expansão e margens sob maior competição.
Vale se preocupar?
Não há sinais de mudança estrutural no modelo de negócios.
O que o investidor deve acompanhar daqui para frente:
Crescimento de novas unidades
Evolução das margens
Endividamento
Geração de caixa
Execução do plano de expansão no México
Se os números continuarem entregando crescimento consistente, a troca no comando tende a ser interpretada como amadurecimento da companhia — não como risco.
A mudança na liderança da Smart Fit (SMFT3) não altera, neste momento, a tese central da empresa: crescimento acelerado, expansão internacional e ganho de escala.
Para o investidor de longo prazo, o foco continua sendo execução e resultados.
A nova liderança terá agora o desafio de provar que consegue manter o ritmo que transformou a Smart Fit em uma das maiores redes de academias do mundo.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






