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Início » Últimas Notícias » SAUD3 cai após estreia, mas Goldman projeta Bradsaúde a R$ 16
Ações

SAUD3 cai após estreia, mas Goldman projeta Bradsaúde a R$ 16

Ação recua após a reorganização dos negócios de saúde do Bradesco, mas analistas enxergam valorização, caixa robusto e espaço para dividendos maiores
André CarvalhoPor André Carvalho23 de junho de 20264 minutos lidos
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As ações da Bradsaúde (SAUD3) passaram a ser negociadas na B3 em 5 de maio de 2026, após uma reorganização societária que transformou a antiga Odontoprev em uma holding mais ampla de negócios de saúde ligados ao Bradesco.

Não se tratou de uma oferta pública inicial tradicional. A empresa já possuía ações listadas por meio da Odontoprev e incorporou ativos como Bradesco Saúde, Mediservice, Novamed, Orizon e participações em empresas de hospitais e diagnósticos.

Depois de estrear em alta, SAUD3 perdeu valor e passou a ser negociada perto de R$ 13,50 em 22 de junho. A queda aumentou o interesse de casas de análise que consideram o preço atual descontado em relação ao potencial de geração de lucro da companhia.

Goldman recomenda compra e vê ação a R$ 16

O Goldman Sachs elevou a recomendação de SAUD3 de venda para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 11,50 para R$ 16. Na cotação de referência de R$ 13,50, o valor projetado representa potencial de valorização próximo de 18,5%.

O banco avalia que a reorganização criou uma companhia mais diversificada, com forte presença em planos de saúde, serviços odontológicos, hospitais e diagnósticos.

A operação de planos de saúde responde por aproximadamente 85% do lucro pro forma da Bradsaúde. Por isso, continua sendo a principal fonte de geração de caixa e resultados do grupo.

IndicadorDado atualizado
Cotação de referência em 22 de junhoR$ 13,50
Preço-alvo do Goldman SachsR$ 16,00
Potencial estimado18,5%
Preço-alvo da XPR$ 17,00
Preço-alvo do SantanderR$ 18,30
Preço-alvo do BTG PactualR$ 18,00
Lucro líquido no 1T26R$ 1,3 bilhão
ROAE no 1T2624,8%

Lucro de R$ 1,3 bilhão reforça tese de SAUD3

No primeiro trimestre de 2026, a Bradsaúde registrou lucro líquido de aproximadamente R$ 1,3 bilhão. O retorno sobre o patrimônio médio, o ROAE, alcançou 24,8%.

Os resultados refletem principalmente a força da Bradesco Saúde, que possui escala, ampla carteira de clientes corporativos e forte presença no mercado de planos de saúde.

O Goldman estima que a companhia possa encerrar 2026 com posição líquida de caixa próxima de R$ 8 bilhões, excluindo as provisões relacionadas às operações de seguros.

Esse caixa pode favorecer os resultados financeiros em um ambiente de juros elevados, além de ampliar a capacidade futura de pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio.

Atlântica D’Or é principal aposta de crescimento

A principal avenida de expansão da Bradsaúde é a Atlântica D’Or, parceria criada com a Rede D’Or para investir e operar hospitais.

O Goldman Sachs projeta que a participação da operação hospitalar no lucro da companhia, hoje ainda reduzida, possa alcançar aproximadamente 8,5% até 2030.

O crescimento deve ocorrer com a maturação de hospitais que já estão em funcionamento e com a entrega de novos projetos. A estratégia também pode aumentar a verticalização da Bradsaúde, permitindo maior integração entre planos de saúde, hospitais, clínicas e serviços de diagnóstico.

A operação odontológica, formada pela antiga Odontoprev, tende a apresentar uma trajetória mais estável. Embora possua crescimento mais moderado, continua oferecendo receita recorrente e margens relevantes.

SAUD3 pode pagar bons dividendos?

A Bradsaúde ainda não divulgou uma projeção oficial de dividendos para os próximos anos. Portanto, qualquer percentual de retorno apresentado pelo mercado deve ser tratado como estimativa, e não como pagamento garantido.

O Santander calcula que o payout, percentual do lucro distribuído aos acionistas, pode começar perto de 50% e avançar gradualmente para aproximadamente 85% no longo prazo.

Esse aumento dependerá da posição de capital, da solvência regulatória, dos investimentos necessários para crescimento e das decisões do conselho de administração.

Caso a companhia mantenha lucros elevados e amplie o payout, SAUD3 poderá se tornar uma ação relevante para investidores que buscam renda. No curto prazo, entretanto, ainda existe incerteza sobre a política de dividendos após a reorganização.

Riscos de investir na Bradsaúde

Entre os principais riscos estão a piora da sinistralidade, o aumento das despesas médicas, reajustes de preços inferiores à inflação dos serviços de saúde e resultados abaixo do esperado nos projetos hospitalares.

Outro ponto é o free float reduzido. Cerca de 8,7% das ações estão em circulação no mercado, percentual que deverá subir para pelo menos 15% até outubro de 2027.

A ampliação do número de ações disponíveis pode melhorar a liquidez, mas também gerar pressão temporária sobre a cotação. Assim, SAUD3 combina resultados sólidos e potencial de dividendos com riscos ligados à execução, regulação e baixa dispersão acionária.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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