As ações da Bradsaúde (SAUD3) passaram a ser negociadas na B3 em 5 de maio de 2026, após uma reorganização societária que transformou a antiga Odontoprev em uma holding mais ampla de negócios de saúde ligados ao Bradesco.
Não se tratou de uma oferta pública inicial tradicional. A empresa já possuía ações listadas por meio da Odontoprev e incorporou ativos como Bradesco Saúde, Mediservice, Novamed, Orizon e participações em empresas de hospitais e diagnósticos.
Depois de estrear em alta, SAUD3 perdeu valor e passou a ser negociada perto de R$ 13,50 em 22 de junho. A queda aumentou o interesse de casas de análise que consideram o preço atual descontado em relação ao potencial de geração de lucro da companhia.
Goldman recomenda compra e vê ação a R$ 16
O Goldman Sachs elevou a recomendação de SAUD3 de venda para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 11,50 para R$ 16. Na cotação de referência de R$ 13,50, o valor projetado representa potencial de valorização próximo de 18,5%.
O banco avalia que a reorganização criou uma companhia mais diversificada, com forte presença em planos de saúde, serviços odontológicos, hospitais e diagnósticos.
A operação de planos de saúde responde por aproximadamente 85% do lucro pro forma da Bradsaúde. Por isso, continua sendo a principal fonte de geração de caixa e resultados do grupo.
| Indicador | Dado atualizado |
|---|---|
| Cotação de referência em 22 de junho | R$ 13,50 |
| Preço-alvo do Goldman Sachs | R$ 16,00 |
| Potencial estimado | 18,5% |
| Preço-alvo da XP | R$ 17,00 |
| Preço-alvo do Santander | R$ 18,30 |
| Preço-alvo do BTG Pactual | R$ 18,00 |
| Lucro líquido no 1T26 | R$ 1,3 bilhão |
| ROAE no 1T26 | 24,8% |
Lucro de R$ 1,3 bilhão reforça tese de SAUD3
No primeiro trimestre de 2026, a Bradsaúde registrou lucro líquido de aproximadamente R$ 1,3 bilhão. O retorno sobre o patrimônio médio, o ROAE, alcançou 24,8%.
Os resultados refletem principalmente a força da Bradesco Saúde, que possui escala, ampla carteira de clientes corporativos e forte presença no mercado de planos de saúde.
O Goldman estima que a companhia possa encerrar 2026 com posição líquida de caixa próxima de R$ 8 bilhões, excluindo as provisões relacionadas às operações de seguros.
Esse caixa pode favorecer os resultados financeiros em um ambiente de juros elevados, além de ampliar a capacidade futura de pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio.
Atlântica D’Or é principal aposta de crescimento
A principal avenida de expansão da Bradsaúde é a Atlântica D’Or, parceria criada com a Rede D’Or para investir e operar hospitais.
O Goldman Sachs projeta que a participação da operação hospitalar no lucro da companhia, hoje ainda reduzida, possa alcançar aproximadamente 8,5% até 2030.
O crescimento deve ocorrer com a maturação de hospitais que já estão em funcionamento e com a entrega de novos projetos. A estratégia também pode aumentar a verticalização da Bradsaúde, permitindo maior integração entre planos de saúde, hospitais, clínicas e serviços de diagnóstico.
A operação odontológica, formada pela antiga Odontoprev, tende a apresentar uma trajetória mais estável. Embora possua crescimento mais moderado, continua oferecendo receita recorrente e margens relevantes.
SAUD3 pode pagar bons dividendos?
A Bradsaúde ainda não divulgou uma projeção oficial de dividendos para os próximos anos. Portanto, qualquer percentual de retorno apresentado pelo mercado deve ser tratado como estimativa, e não como pagamento garantido.
O Santander calcula que o payout, percentual do lucro distribuído aos acionistas, pode começar perto de 50% e avançar gradualmente para aproximadamente 85% no longo prazo.
Esse aumento dependerá da posição de capital, da solvência regulatória, dos investimentos necessários para crescimento e das decisões do conselho de administração.
Caso a companhia mantenha lucros elevados e amplie o payout, SAUD3 poderá se tornar uma ação relevante para investidores que buscam renda. No curto prazo, entretanto, ainda existe incerteza sobre a política de dividendos após a reorganização.
Riscos de investir na Bradsaúde
Entre os principais riscos estão a piora da sinistralidade, o aumento das despesas médicas, reajustes de preços inferiores à inflação dos serviços de saúde e resultados abaixo do esperado nos projetos hospitalares.
Outro ponto é o free float reduzido. Cerca de 8,7% das ações estão em circulação no mercado, percentual que deverá subir para pelo menos 15% até outubro de 2027.
A ampliação do número de ações disponíveis pode melhorar a liquidez, mas também gerar pressão temporária sobre a cotação. Assim, SAUD3 combina resultados sólidos e potencial de dividendos com riscos ligados à execução, regulação e baixa dispersão acionária.
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