A conclusão da privatização da Copasa reacendeu as discussões sobre o futuro da Companhia Energética de Minas Gerais, a Cemig. Controlada pelo governo mineiro, a empresa reúne negócios de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia, além de participações em outros ativos do setor.
Embora uma eventual privatização ainda dependa de decisões políticas, legislativas e possivelmente judiciais, o assunto deve permanecer no radar após as eleições de outubro de 2026. O governo que assumir Minas Gerais em janeiro de 2027 poderá decidir entre manter o controle estadual, retomar a proposta de venda ou avaliar outros modelos, como federalização e transformação da companhia em corporação.
Privatização da Cemig ainda não está confirmada
A privatização da Copasa foi concluída em junho de 2026, em uma operação que movimentou aproximadamente R$ 8,3 bilhões. O avanço aumentou as expectativas de investidores sobre outras empresas controladas pelo Estado.
No caso da Cemig, entretanto, não existe até o momento uma venda aprovada ou um cronograma definitivo. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais informou anteriormente que a desestatização da Cemig e da Gasmig não seria discutida naquele momento.
Isso significa que qualquer valorização baseada exclusivamente na privatização deve ser considerada especulativa. A mudança de controle dependeria de apoio político, aprovação legislativa e definição de regras para ativos, concessões, funcionários e participação do Estado.
Cemig investirá R$ 44 bilhões até 2030
Independentemente da privatização, a Cemig mantém um dos maiores programas de investimentos de sua história. O planejamento prevê aproximadamente R$ 44 bilhões entre 2026 e 2030.
Desse total, cerca de R$ 29 bilhões devem ser direcionados ao segmento de distribuição. Somente em 2026, a companhia pretende investir R$ 6,7 bilhões para ampliar redes, construir subestações, reforçar o sistema elétrico e melhorar a qualidade do fornecimento.
No primeiro trimestre de 2026, os investimentos alcançaram aproximadamente R$ 1,5 bilhão. A distribuição concentrou R$ 1,28 bilhão do montante.
| Indicador da Cemig | Valor |
|---|---|
| Investimentos previstos para 2026 | R$ 6,7 bilhões |
| Plano de investimentos 2026–2030 | R$ 44 bilhões |
| Destinação para distribuição | R$ 29 bilhões |
| Investimentos no 1º trimestre de 2026 | R$ 1,5 bilhão |
| Lucro líquido no 1º trimestre de 2026 | R$ 979 milhões |
| Clientes atendidos | 9,6 milhões |
| Cotação recente da CMIG4 | Cerca de R$ 10,73 |
Lucro recua, mas companhia mantém resultado bilionário
A Cemig registrou lucro líquido de R$ 979 milhões no primeiro trimestre de 2026, ante R$ 1,04 bilhão no mesmo período de 2025. A redução foi de aproximadamente 5,8%, mas o resultado permaneceu próximo de R$ 1 bilhão.
A companhia também continua apresentando baixa alavancagem e capacidade para financiar seu programa de expansão. Os investimentos podem ampliar a base de ativos regulatórios, elevar a receita permitida da distribuição e melhorar a eficiência operacional ao longo dos próximos anos.
Por outro lado, o grande volume de capital empregado pode pressionar temporariamente o fluxo de caixa. O investidor precisa acompanhar a execução do plano, a dívida, os custos das obras e o retorno obtido com os novos projetos.
Dividendos continuam como principal atrativo da CMIG4
A Cemig encerrou 2025 com R$ 3,5 bilhões em juros sobre capital próprio e dividendos declarados. Parte desses recursos está programada para ser paga em junho e dezembro de 2026.
Em março de 2026, a companhia também declarou R$ 658 milhões em juros sobre capital próprio, equivalentes a aproximadamente R$ 0,23 por ação antes da retenção de Imposto de Renda.
O histórico de proventos ajuda a explicar o interesse pela CMIG4. Entretanto, dividendos passados não garantem pagamentos futuros. Os valores dependem do lucro, do caixa, dos investimentos, das decisões do conselho e da política de distribuição.
CMIG4 pode chegar a R$ 23,70?
O valor de R$ 23,70 por ação citado em algumas análises representaria uma valorização superior a 100% diante de uma cotação próxima de R$ 10,73. Contudo, esse número não deve ser tratado como preço justo oficial ou consenso do mercado.
Uma privatização poderia reduzir o desconto associado à interferência política e abrir espaço para ganhos de eficiência. Por outro lado, a operação poderia alterar a política de dividendos, elevar investimentos ou envolver condições menos favoráveis aos acionistas minoritários.
Portanto, a tese da CMIG4 não deve depender apenas da privatização. Resultados, concessões, investimentos, dívida e dividendos continuam sendo os principais fundamentos para avaliar se a ação vale a pena.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






