O resultado do Santander Brasil no segundo trimestre de 2026 trouxe sinais de alerta para os investidores. O banco registrou lucro líquido recorrente de aproximadamente R$ 3 bilhões, mas o desempenho ficou abaixo das expectativas do mercado e representou uma queda superior a 20% em relação aos períodos de comparação apresentados pela instituição.
O lucro contábil ficou próximo de R$ 2,7 bilhões, enquanto a rentabilidade sobre o patrimônio líquido, medida pelo ROE recorrente, recuou de 16,3% para 12,5%. A piora interrompeu a trajetória de recuperação observada nos trimestres anteriores e aumentou as dúvidas sobre a capacidade do banco de alcançar sua meta de rentabilidade nos próximos anos.
A divulgação oficial dos resultados do Santander Brasil é disponibilizada no portal de relações com investidores da instituição.
Principais números do resultado do Santander
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Lucro recorrente | R$ 3 bilhões |
| Lucro contábil | R$ 2,7 bilhões |
| ROE recorrente | 12,5% |
| Margem financeira | R$ 15,3 bilhões |
| Receita de serviços | R$ 5,3 bilhões |
| Despesas gerais | R$ 6,6 bilhões |
| Carteira de crédito | R$ 714 bilhões |
| Índice de eficiência | 39,3% |
| Clientes totais | 76 milhões |
| Clientes ativos | 34 milhões |
A instituição alcançou aproximadamente 76 milhões de clientes, avanço de 6%, enquanto o número de clientes ativos cresceu 3%, chegando a cerca de 34 milhões.
Apesar da expansão da base, o resultado mostrou que o crescimento de clientes ainda não foi suficiente para compensar o aumento do risco de crédito e a estabilidade das principais receitas bancárias.
Provisões maiores pressionaram o lucro
Um dos principais fatores por trás da piora do resultado foi o aumento das provisões para perdas com empréstimos. As despesas de provisão passaram de aproximadamente R$ 6,8 bilhões para R$ 8,3 bilhões.
Após considerar a recuperação de créditos, o custo do crédito ficou em cerca de R$ 7,6 bilhões, equivalente a 3,8% da carteira média.
Embora os indicadores tradicionais de inadimplência tenham permanecido relativamente estáveis, o banco identificou uma migração de contratos para níveis mais elevados de risco. Com mais operações classificadas nos estágios 2 e 3, o Santander precisou reforçar as reservas destinadas a cobrir possíveis calotes.
Esse movimento indica uma postura mais cautelosa da administração e pode antecipar uma persistência da inadimplência nos próximos trimestres.
Margem financeira praticamente não cresceu
A margem financeira, formada principalmente pelas receitas obtidas com empréstimos, financiamentos e operações de tesouraria, ficou próxima de R$ 15,3 bilhões.
O indicador permaneceu praticamente estável na comparação trimestral. Ao mesmo tempo, o resultado da tesouraria continuou pressionado pelo ambiente de juros elevados e pela desvalorização de alguns títulos públicos mantidos na carteira do banco.
Com as receitas financeiras crescendo pouco e as provisões aumentando, o lucro acabou sofrendo uma redução mais intensa.
Receitas de serviços avançam, mas eficiência piora
As receitas com cartões, contas-correntes, seguros, administração de recursos, corretagem e outros serviços somaram aproximadamente R$ 5,3 bilhões, crescimento de 2,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As despesas gerais ficaram em torno de R$ 6,6 bilhões e cresceram abaixo da inflação na comparação anual. O Santander vem reduzindo sua estrutura física, investindo em tecnologia e aumentando o número de clientes atendidos por funcionário.
Mesmo assim, o índice de eficiência subiu para 39,3%. Nesse indicador, quanto menor o percentual, melhor é a eficiência operacional. A alta, portanto, representa outro ponto negativo do balanço.
Meta de ROE de 20% ficou mais distante
O Santander vinha indicando a intenção de atingir um ROE próximo de 20% até 2028. Entretanto, a queda da rentabilidade para 12,5% tornou esse objetivo mais desafiador.
O resultado também ficou abaixo do consenso citado no esboço, que esperava lucro próximo de R$ 3,4 bilhões e ROE de aproximadamente 14,5%.
A diferença entre o desempenho entregue e as projeções pode levar bancos e corretoras a revisar estimativas de lucro, preço-alvo e dividendos do Santander.
SANB4, SANB11 ou SANB3: qual ação paga mais dividendos?
O Santander possui três códigos negociados na B3:
- SANB3: ação ordinária;
- SANB4: ação preferencial;
- SANB11: unit composta por uma ação ordinária e uma preferencial.
A SANB4 possui vantagem estatutária de 10% nos dividendos em relação à SANB3. Por isso, quando a diferença de preço entre os dois papéis é pequena, a ação preferencial pode apresentar rendimento proporcionalmente maior.
Já a SANB11 costuma ter mais liquidez e facilita a negociação para o investidor. A escolha, porém, deve considerar preço, liquidez, tributação, estratégia e tolerância ao risco, não apenas o dividend yield.
O banco também aprovou cerca de R$ 2 bilhões em juros sobre capital próprio, com pagamento previsto para agosto de 2026.
Balanço fraco já está no preço das ações?
As ações do Santander acumulavam desvalorização relevante em 2026 antes da publicação do balanço. A SANB11 chegou a registrar queda próxima de 20% no ano, refletindo parte das preocupações do mercado com rentabilidade, crédito e crescimento dos lucros.
Isso pode indicar que uma parcela do resultado mais fraco já estava precificada. Contudo, novas quedas não estão descartadas caso as provisões continuem subindo ou a rentabilidade permaneça abaixo das projeções.
O próximo balanço será decisivo para mostrar se a piora foi pontual ou se representa uma mudança mais duradoura na trajetória do Santander Brasil.
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