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Início » Últimas Notícias » RZAG11 cai no radar dos cotistas após default da Uniggel e mantém dividendos de R$ 0,12
Ações

RZAG11 cai no radar dos cotistas após default da Uniggel e mantém dividendos de R$ 0,12

Fiagro da Riza mantém pagamento mensal, mas operação em default ligada à Uniggel aumenta a pressão por clareza sobre garantias, reservas e impacto no patrimônio
Carlos MenezesPor Carlos Menezes8 de junho de 20266 minutos lidos
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O RZAG11, Fiagro da Riza Asset, voltou a chamar atenção do mercado após novas preocupações envolvendo a exposição do fundo ao Grupo Uniggel, devedor que entrou em recuperação judicial e possui operações de crédito na carteira do fundo. O ponto central para os cotistas é entender se o default do CRA pode afetar o patrimônio, as reservas e a continuidade dos dividendos mensais.

No relatório gerencial de abril de 2026, divulgado em 27 de maio, o fundo informou que distribuiu R$ 0,120 por cota, equivalente a um dividend yield mensal de 1,28%, com base na cota de mercado de R$ 9,38 no fechamento do mês. O patrimônio líquido era de R$ 666,15 milhões, com cota patrimonial de R$ 9,63 e 89.291 cotistas.

O pagamento mais recente anunciado também foi de R$ 0,12 por cota, com data-base em 29 de maio de 2026 e pagamento previsto para 15 de junho de 2026. A cotação de referência usada para esse rendimento foi de R$ 8,97, resultando em yield de 1,34% no mês.

O que aconteceu com a operação da Uniggel

A preocupação aumentou porque a própria gestão reconheceu que a Uniggel Sementes incorreu em default no CRA. No relatório, a Riza informou que acompanha o processo de recuperação judicial da companhia e atua, junto aos advogados contratados, para dar prosseguimento à execução da garantia vinculada à operação, uma alienação fiduciária de terras.

Segundo a gestão, os valores referentes à Uniggel Sementes já não compõem o cálculo do resultado do fundo desde janeiro. Esse ponto é relevante porque indica que o fundo deixou de considerar essas receitas na apuração do resultado distribuível. Ainda assim, o relatório afirma que a manutenção dos dividendos não deve sofrer alteração em decorrência do default do CRA.

Apesar disso, o mercado ainda cobra mais detalhes sobre o impacto patrimonial da operação, especialmente em relação à marcação do ativo, ao nível de reservas acumuladas e ao prazo de recuperação do crédito.

Principais dados atualizados do RZAG11

IndicadorDado recente
Último rendimento anunciadoR$ 0,12 por cota
Data-base29/05/2026
Data de pagamento15/06/2026
Patrimônio líquidoR$ 666,15 milhões
Cota patrimonialR$ 9,63 no relatório de abril
Cota de mercado no relatórioR$ 9,38
Número de cotistas89.291
Número de ativos39
Ativos indexados ao CDI100%
Alocação do patrimônio95,42%
Spread médio da carteiraCDI + 4,61% ao ano

Dividendos seguem estáveis, mas resultado ficou no limite

O RZAG11 manteve a distribuição de R$ 0,12 por cota nos meses recentes. No demonstrativo de abril, o resultado do fundo foi de R$ 8,02 milhões, equivalente a R$ 0,12 por cota, enquanto o rendimento distribuído também foi de R$ 0,12 por cota. A distribuição representou 102% do resultado total, mostrando que o fundo pagou ligeiramente acima do resultado gerado no período.

Esse detalhe merece atenção porque, quando a distribuição supera o resultado recorrente, mesmo que por pequena diferença, o fundo pode precisar consumir parte de resultados acumulados. O próprio relatório informa que, em fevereiro, o resultado foi de R$ 0,1180 por cota, enquanto a distribuição foi de R$ 0,1200, com consumo de R$ 0,002 por cota do resultado acumulado.

Ou seja, o rendimento segue estável, mas a margem de segurança entre resultado e distribuição ficou apertada.

Por que o caso exige atenção dos investidores

A situação da Uniggel não significa, automaticamente, que o RZAG11 deixará de pagar dividendos. O fundo tem carteira diversificada, 39 ativos e exposição integral ao CDI, fator que ajuda a sustentar receitas em um cenário de juros elevados.

O problema é que fundos de crédito, como Fiagros que investem em CRAs, dependem diretamente da capacidade dos devedores honrarem pagamentos. Quando uma operação entra em default, a presença de garantias ajuda, mas não elimina o risco. A execução de terras, por exemplo, pode envolver prazo jurídico, avaliação do ativo, liquidez e eventual disputa no processo de recuperação.

A XP já havia apontado, em janeiro, que o devedor Uniggel possuía exposição relevante no RZAG11, dividida em duas operações, com garantias consideradas robustas, incluindo alienação fiduciária de terras na maior delas. A casa também avaliava, de forma preliminar, que a estrutura poderia favorecer a classificação dos créditos como extraconcursais na recuperação judicial, cenário que tende a ser mais construtivo para recuperação de valores.

Mercado cobra mais transparência sobre reservas e marcação

O principal ponto de cobrança dos cotistas é a necessidade de informações mais claras. O relatório confirma o default, informa que a gestão atua na execução da garantia e afirma que o ativo não entra no resultado desde janeiro. Porém, ainda há dúvidas relevantes para o investidor comum.

Entre elas estão o valor atualizado da exposição, o eventual desconto aplicado ao ativo, o tamanho das reservas disponíveis, o impacto potencial na cota patrimonial e o cronograma esperado para recuperação do crédito. Esses dados são importantes porque ajudam o mercado a entender se o problema será apenas pontual ou se pode pressionar o rendimento nos próximos meses.

A cota patrimonial do RZAG11 no relatório de abril era de R$ 9,63, enquanto dados de mercado mais recentes indicavam preço próximo de R$ 8,53 e P/VP de 0,87, mostrando que o fundo passou a negociar com desconto em relação ao valor patrimonial.

RZAG11 ainda paga alto, mas o risco ficou mais evidente

O RZAG11 continua entregando um rendimento mensal elevado para os padrões de mercado, com dividend yield de 12 meses informado em 17,59% em plataformas de acompanhamento de Fiagros.

No entanto, o caso Uniggel reforça que dividendos altos em fundos de crédito precisam ser avaliados junto com risco dos devedores, qualidade das garantias, nível de reserva e transparência da gestão. Para quem acompanha o Fiagro, os próximos relatórios e eventuais fatos relevantes serão decisivos para medir o impacto real do default.

Por enquanto, o dado objetivo é que o fundo manteve a distribuição de R$ 0,12 por cota e afirmou que o default da Uniggel não deve alterar o nível de dividendos. Ainda assim, a pressão por mais explicações aumentou, porque o mercado quer saber quanto dessa operação já está refletido no patrimônio e qual pode ser o efeito caso a recuperação do crédito demore mais que o esperado.

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dividendos Fiagro risco de crédito RZAG11 Uniggel
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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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