No início de 2026, a ROXO34 — BDR que representa a Nu Holdings na B3 — consolidou-se como a empresa mais valiosa do Brasil em valor de mercado, superando bancos centenários e companhias tradicionais do setor de energia e commodities. O valor de mercado da Nu Holdings passou a orbitar a faixa dos US$ 85 a US$ 90 bilhões, posicionando a fintech entre as maiores instituições financeiras globais em capitalização.
Apesar de ser amplamente reconhecida como um banco brasileiro, a empresa não integra o Ibovespa, já que sua listagem primária ocorre nos Estados Unidos. Ainda assim, quando consideradas as companhias com origem e operação majoritariamente no Brasil, o Nubank ocupa o primeiro lugar absoluto em valor de mercado.
Por que o Nubank vale mais do que bancos tradicionais
O destaque da ROXO34 não está ligado ao fato de o Nubank ser o banco mais lucrativo do país — ele não é. Instituições tradicionais ainda apresentam lucros absolutos superiores. A diferença está na expectativa de crescimento futuro, que o mercado já precificou de forma agressiva.
O Nubank apresenta múltiplos elevados porque o mercado atribui à empresa um potencial de expansão muito acima da média do setor financeiro tradicional. Em 2026, o banco digital já ultrapassa 100 milhões de clientes globalmente, com forte presença no Brasil, além de operações em expansão no México e na Colômbia.
Esse crescimento acelerado de base, aliado à alta eficiência operacional, transformou o Nubank em um ativo de crescimento, e não apenas em um banco convencional.
Expectativa, valuation e o papel do múltiplo preço/lucro
O valuation da ROXO34 reflete principalmente expectativa. Em 2026, o múltiplo preço/lucro (P/L) do Nubank permanece significativamente superior ao dos grandes bancos brasileiros. Enquanto bancos tradicionais negociam próximos a um dígito, a Nu Holdings sustenta múltiplos várias vezes acima disso.
Isso indica que o mercado está disposto a pagar caro pelo lucro atual, antecipando um cenário em que esse lucro cresça de forma relevante nos próximos anos. Esse tipo de precificação é comum em empresas de tecnologia e plataformas digitais com alto potencial de escala.
A listagem nos Estados Unidos como fator decisivo
Um dos principais diferenciais estratégicos do Nubank foi optar por abrir capital diretamente nos Estados Unidos. Essa decisão ampliou drasticamente o alcance da empresa ao maior e mais profundo mercado de capitais do mundo, onde a base de investidores é muito mais ampla e líquida.
Nos Estados Unidos, a participação da população no mercado acionário é estruturalmente elevada, o que aumenta a demanda por ativos listados localmente. Esse ambiente favorece múltiplos mais altos, maior liquidez e maior visibilidade internacional — fatores que contribuíram diretamente para a valorização da Nu Holdings.
ROXO34 e a exposição cambial como proteção patrimonial
Ao investir em ROXO34, o investidor brasileiro passa a ter exposição direta ao dólar, mesmo negociando o ativo na B3. Isso significa que o desempenho da ação está atrelado tanto ao valor da empresa quanto à variação cambial.
Em um cenário de 2026 marcado por incertezas fiscais, inflação estrutural e volatilidade do real, essa exposição internacional funciona como proteção patrimonial, reduzindo a dependência exclusiva da economia doméstica.
O que o Nubank ensina sobre investir no exterior
A trajetória da ROXO34 deixa lições claras para o investidor brasileiro:
Empresas globais tendem a acessar mercados de capital mais eficientes
Crescimento e tecnologia costumam ser mais bem precificados fora do Brasil
A diversificação internacional reduz riscos estruturais do mercado local
BDRs permitem acesso a ativos globais sem burocracia cambial
O caso do Nubank demonstra que investir fora do eixo tradicional de bancos e commodities pode gerar assimetria positiva no longo prazo.
BDRs como porta de entrada para o mercado global
O sucesso da ROXO34 também reforça o papel dos BDRs como instrumento de democratização do investimento internacional. Sem a necessidade de abrir conta no exterior, o investidor consegue acessar empresas globais diretamente pela B3, com simplicidade operacional e liquidez crescente.
Em 2026, os BDRs deixaram de ser uma alternativa marginal e passaram a ocupar espaço relevante nas carteiras mais diversificadas.
Riscos e desafios ainda no radar
Apesar do destaque em valor de mercado, o Nubank ainda enfrenta desafios importantes: concorrência crescente entre fintechs, necessidade de manter crescimento acelerado e pressão por aumento consistente de rentabilidade.
Grande parte do valor da ROXO34 já reflete expectativas futuras. Isso significa que qualquer desaceleração relevante pode gerar volatilidade no curto prazo, característica comum de empresas de crescimento.
ROXO34 simboliza a virada do investidor brasileiro
A ascensão da ROXO34 ao topo do mercado brasileiro simboliza uma mudança estrutural no perfil do investidor. O foco deixa de ser exclusivamente local e passa a incorporar exposição global, tecnologia e crescimento.
O Nubank não apenas se tornou a empresa mais valiosa do Brasil em 2026, como também passou a representar, na prática, um novo caminho para quem busca diversificação, proteção cambial e acesso ao centro financeiro global.
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