As ações da Romi, negociadas na B3 pelo código ROMI3, acumulam uma forte desvalorização e passaram a ser vistas por parte do mercado como uma possível oportunidade. Entretanto, o balanço do segundo trimestre de 2026 mostra que o desconto da ação vem acompanhado de perda de rentabilidade, margens menores e dificuldades operacionais.
A fabricante de máquinas-ferramenta, equipamentos para plásticos e peças fundidas registrou lucro líquido ajustado de R$ 13,9 milhões no 2T26, queda de 15% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre, quando o lucro havia sido de apenas R$ 2,4 milhões, houve recuperação expressiva.
A melhora trimestral, contudo, não elimina a pressão observada na comparação anual.
Receita cresceu, mas custos avançaram mais
A receita operacional líquida da Romi atingiu aproximadamente R$ 334,8 milhões, alta de 5,9% sobre o segundo trimestre de 2025 e avanço de 51,5% frente ao 1T26.
O crescimento da receita não se transformou integralmente em lucro porque os custos dos produtos vendidos avançaram em ritmo superior. Como consequência, a margem bruta caiu de 27,4% para 23,5% em um ano.
| Indicador | 2T26 | Variação anual |
|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 334,8 milhões | +5,9% |
| EBITDA ajustado | R$ 26,8 milhões | -3,3% |
| Margem EBITDA | 8,0% | Queda |
| Lucro líquido ajustado | R$ 13,9 milhões | -15,0% |
| Margem bruta | 23,5% | -3,9 p.p. |
O EBITDA ajustado, indicador que mede a geração operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 26,8 milhões, retração de 3,3% na comparação anual. A margem EBITDA ficou em 8%.
Resultado mostra recuperação apenas parcial
O desempenho do 2T26 foi melhor que o resultado bastante fraco do primeiro trimestre. Entre janeiro e março, a Romi havia registrado receita de R$ 221 milhões, queda anual de 19,1%, além de EBITDA de somente R$ 7,3 milhões e margem de 3,3%.
A retomada do segundo trimestre indica que a companhia ainda possui capacidade de reagir quando ocorre melhora nas entregas. Mesmo assim, a comparação anual mostra que a rentabilidade permanece pressionada.
A divisão de Máquinas Romi comercializou 245 equipamentos entre abril e junho. O volume quase dobrou diante do trimestre anterior, mas ficou 4,7% abaixo do registrado no 2T25.
A carteira consolidada de pedidos terminou o período próxima de R$ 802 milhões, oferecendo alguma previsibilidade de receita. Por outro lado, a redução das entradas de pedidos em determinadas operações reforça a preocupação com o ritmo futuro das vendas.
Juros elevados prejudicam empresas industriais
A Romi atua em um segmento altamente ligado ao ciclo econômico. Quando os juros permanecem elevados, empresas adiam investimentos, renovação de equipamentos e ampliação de fábricas.
Esse cenário afeta principalmente a procura por máquinas industriais financiadas. Além disso, o ambiente de menor confiança empresarial dificulta reajustes de preços e pressiona as margens, especialmente quando os custos de produção aumentam.
A empresa também possui exposição internacional por meio da alemã Burkhardt+Weber, o que ajuda a diversificar receitas, mas adiciona riscos cambiais e relacionados à atividade industrial europeia.
Dividendos ainda chamam atenção?
A Romi construiu um histórico relevante de distribuição de dividendos, o que ajudou a atrair investidores interessados em renda passiva. Nos últimos 12 meses, a companhia distribuiu aproximadamente R$ 0,58 por ação, com dividend yield próximo de 7%, dependendo da cotação utilizada.
Esse rendimento, porém, deve ser analisado com cautela. Caso o lucro continue recuando, a empresa poderá precisar elevar o percentual distribuído ou reduzir os pagamentos futuros.
Dividend yield elevado também pode ser consequência direta da queda da cotação, e não necessariamente de crescimento dos dividendos.
ROMI3 virou oportunidade ou armadilha?
ROMI3 está negociada com forte desconto em relação aos níveis vistos nos últimos anos. Entretanto, uma ação barata pode continuar caindo caso os resultados da empresa não melhorem.
O balanço do 2T26 apresentou sinais mistos: houve recuperação frente ao trimestre anterior, aumento de receita e melhora das vendas, mas o lucro caiu na comparação anual e as margens permaneceram pressionadas.
Para que a ação volte a apresentar uma relação mais equilibrada entre risco e retorno, a Romi precisará recuperar margens, transformar a carteira de pedidos em receita, controlar custos e demonstrar melhora consistente da geração operacional.
No cenário atual, ROMI3 pode atrair investidores tolerantes a riscos e dispostos a esperar uma recuperação do ciclo industrial. Para perfis mais conservadores, o desconto ainda não compensa integralmente as incertezas.
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