As ações da Romi voltaram ao radar dos investidores após acumularem uma desvalorização próxima de 25% em 2026. Negociado na B3 pelo código ROMI3, o papel encerrou o pregão de 24 de julho cotado a aproximadamente R$ 5,84, perto da mínima registrada nos últimos 12 meses.
Nesse preço, a companhia apresentava valor de mercado próximo de R$ 544 milhões, embora seu valor patrimonial por ação estivesse em cerca de R$ 13,41. Isso representa uma relação preço sobre valor patrimonial, o P/VPA, próxima de 0,44 vez, indicando que a ação era negociada por menos da metade do patrimônio contábil.
O desconto, entretanto, não significa que o papel necessariamente esteja barato. Ele também reflete a preocupação do mercado com o ciclo industrial brasileiro, o enfraquecimento da demanda por máquinas e o crescimento do endividamento da empresa.
Quem é a Romi e o que a empresa produz?
Fundada em 1938, a Romi é uma das fabricantes de máquinas e equipamentos industriais mais tradicionais do Brasil. A empresa atua na produção de máquinas-ferramenta, máquinas para trabalhar metais, injetoras de plástico, peças fundidas e componentes usinados.
Seus equipamentos são utilizados por empresas dos setores automotivo, agrícola, aeronáutico, de bens de consumo, energia eólica e produção de embalagens. A companhia também oferece serviços relacionados à modernização, manutenção e financiamento de máquinas industriais.
O esboço que serviu de base para esta matéria destaca ainda a presença das máquinas da Romi em diferentes segmentos da indústria brasileira e a estratégia de ampliar receitas por meio do financiamento e da locação de equipamentos.
Essa diversificação permite que a empresa participe de diferentes etapas da produção industrial. Ao mesmo tempo, deixa seus resultados expostos à confiança dos empresários, ao custo do crédito e às decisões de investimento das fábricas.

Principais números de ROMI3
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Cotação em 24 de julho de 2026 | R$ 5,84 |
| Valor de mercado | R$ 544,12 milhões |
| Valor patrimonial por ação | R$ 13,41 |
| P/VPA | 0,44 vez |
| Lucro por ação | R$ 0,81 |
| Dividend yield em 12 meses | 7,17% |
| Queda acumulada em 2026 | cerca de 25% |
| Número de ações | 93,17 milhões |
Dados de mercado indicavam um dividend yield de aproximadamente 7,17% nos 12 meses anteriores, com cerca de R$ 0,42 distribuídos por ação. O lucro por ação estava próximo de R$ 0,81, resultando em um múltiplo preço sobre lucro ao redor de sete vezes.
Dividendos continuam no radar dos acionistas
A Romi possui histórico de distribuição de juros sobre capital próprio, embora os valores possam variar conforme o desempenho operacional e as necessidades de caixa.
Em junho de 2026, o conselho aprovou R$ 0,06 por ação em juros sobre capital próprio, com pagamento previsto até 31 de dezembro de 2027. A companhia também tinha R$ 0,18 por ação aprovados em dezembro de 2025, com pagamento previsto até o final de 2026.
O estatuto da empresa estabelece dividendo obrigatório não inferior a 25% do lucro líquido ajustado. Contudo, o valor efetivamente recebido pelo investidor dependerá da geração de lucro, do endividamento, dos investimentos e das decisões do conselho de administração.

O desconto de ROMI3 representa oportunidade?
O principal argumento favorável à Romi é o desconto patrimonial. Uma ação negociada abaixo de R$ 6,00, diante de um patrimônio superior a R$ 13,00 por papel, pode apresentar potencial de valorização caso a companhia recupere vendas, margens e geração de caixa.
A empresa também possui marca reconhecida, presença consolidada na indústria e quase nove décadas de operação. Além disso, a receita com serviços, locação e financiamento pode reduzir parcialmente a dependência da venda direta de novas máquinas.
Por outro lado, a dívida líquida elevada em relação ao EBITDA e a natureza cíclica do negócio exigem cautela. Uma recuperação sustentável dependerá da redução do endividamento, da melhora da demanda industrial e da conversão da carteira de pedidos em receita e caixa.
ROMI3 pode ser considerada uma ação de recuperação, e não um investimento defensivo. O desconto é relevante, mas o risco também aumentou. Antes de comprar, o investidor precisa acompanhar os próximos balanços, o fluxo de caixa e a capacidade da empresa de preservar dividendos sem comprometer sua estrutura financeira.
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