O balanço do quarto trimestre de 2025 da Romi apresentou uma combinação clara de desafios no presente e sinais mais construtivos para o futuro. A companhia encerrou o período com desempenho financeiro pressionado, reflexo direto de um ambiente macroeconômico ainda restritivo, mas compensou parcialmente esse cenário com uma carteira de pedidos em nível histórico, fator que sustenta a visibilidade operacional para os próximos trimestres.
O trimestre pode ser definido como um “copo meio cheio”: os números de receita e lucro perderam força, enquanto o volume de contratos assinados reforçou a perspectiva de retomada gradual ao longo de 2026.
Receita e lucro recuam com pressão operacional
No topo da demonstração de resultados, a receita operacional líquida somou R$ 308,2 milhões no 4T25, representando uma queda de 15,3% na comparação anual. A retração indica continuidade da desaceleração observada ao longo do ano, especialmente em segmentos mais sensíveis ao ciclo de investimentos industriais.
O EBIT ajustado acompanhou o movimento da receita e totalizou R$ 66,2 milhões, recuo de 16,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Já o lucro líquido ajustado foi o indicador mais impactado, com baixa de 18,1%, encerrando o período em R$ 40,4 milhões.
Esse efeito em cascata evidencia que a pressão começa na demanda, afeta margens operacionais e chega com mais intensidade ao resultado final, cenário típico de ciclos industriais em fase de transição.
Resumo financeiro do 4T25
| Indicador | 4T25 (R$ milhões) | Variação anual |
|---|---|---|
| Receita líquida | 308,2 | -15,3% |
| EBIT ajustado | 66,2 | -16,4% |
| Lucro líquido ajustado | 40,4 | -18,1% |
Carteira de pedidos recorde muda a leitura do futuro
Apesar do desempenho mais fraco no curto prazo, o principal destaque do balanço está fora da demonstração de resultados. A carteira de pedidos consolidada atingiu R$ 750 milhões, um recorde histórico para a companhia, com crescimento de 15,1% em um ano.
Na prática, o backlog funciona como um termômetro da receita futura, oferecendo previsibilidade para os próximos trimestres. Esse avanço foi impulsionado principalmente pela unidade B+W (Burkhardt+Weber), focada em máquinas de alta complexidade e maior valor agregado.
A evolução dessa divisão não apenas elevou o volume de pedidos, como também contribuiu para uma recuperação gradual das margens operacionais, reforçando a tese de que o mix de produtos mais sofisticados tende a sustentar a rentabilidade no médio prazo.
JCP mantém atratividade para o acionista
Mesmo em um trimestre de lucros pressionados, a Romi manteve a remuneração ao acionista. A companhia aprovou o pagamento de R$ 16,8 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), o equivalente a R$ 0,18 por ação, com pagamento previsto até o fim de 2026.
Esse movimento reforça o histórico da empresa como pagadora recorrente de proventos, mesmo em ciclos menos favoráveis, e contribui para sustentar o interesse do investidor focado em renda.
Valuation descontado entra no debate
Do ponto de vista de valuation, as ações da Romi seguem negociadas com desconto relevante. O P/VP em torno de 0,62 indica que o mercado precifica a companhia abaixo de seu valor patrimonial, um patamar que tradicionalmente atrai investidores com perfil de longo prazo.
Além disso, o dividend yield acumulado entre 7,7% e 8,6% posiciona o papel em nível competitivo dentro do setor industrial, especialmente quando combinado com a forte visibilidade de receitas proporcionada pela carteira de pedidos recorde.
Hora de comprar ou sinal de cautela?
A leitura final do 4T25 aponta para uma avaliação neutra. De um lado, a queda de receita e lucro acende um sinal de alerta no curto prazo, especialmente em um ambiente de juros ainda elevados e investimentos industriais seletivos. De outro, a carteira de pedidos histórica e o avanço da unidade B+W sugerem que o pior pode ter ficado para trás.
Com o backlog praticamente garantindo parte relevante da receita futura, o momento atual pode ser interpretado tanto como um período de cautela quanto como uma possível janela de entrada para quem enxerga a Romi sob a ótica de ciclo e longo prazo. O equilíbrio entre esses fatores deve seguir guiando o comportamento das ações ao longo de 2026.
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