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Início » Últimas Notícias » ROMI (ROMI3) tem lucro em queda no 4T25, mas carteira de pedidos recorde reacende tese de longo prazo
Ações

ROMI (ROMI3) tem lucro em queda no 4T25, mas carteira de pedidos recorde reacende tese de longo prazo

Resultados do quarto trimestre mostram pressão no curto prazo, enquanto backlog histórico de R$ 750 milhões reforça visibilidade de receitas futuras e divide o mercado sobre o momento de entrada.
Rafael CostaPor Rafael Costa4 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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ROMI (ROMI3) tem lucro em queda no 4T25, mas carteira de pedidos recorde reacende tese de longo prazo

O balanço do quarto trimestre de 2025 da Romi apresentou uma combinação clara de desafios no presente e sinais mais construtivos para o futuro. A companhia encerrou o período com desempenho financeiro pressionado, reflexo direto de um ambiente macroeconômico ainda restritivo, mas compensou parcialmente esse cenário com uma carteira de pedidos em nível histórico, fator que sustenta a visibilidade operacional para os próximos trimestres.

O trimestre pode ser definido como um “copo meio cheio”: os números de receita e lucro perderam força, enquanto o volume de contratos assinados reforçou a perspectiva de retomada gradual ao longo de 2026.

Receita e lucro recuam com pressão operacional

No topo da demonstração de resultados, a receita operacional líquida somou R$ 308,2 milhões no 4T25, representando uma queda de 15,3% na comparação anual. A retração indica continuidade da desaceleração observada ao longo do ano, especialmente em segmentos mais sensíveis ao ciclo de investimentos industriais.

O EBIT ajustado acompanhou o movimento da receita e totalizou R$ 66,2 milhões, recuo de 16,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Já o lucro líquido ajustado foi o indicador mais impactado, com baixa de 18,1%, encerrando o período em R$ 40,4 milhões.

Esse efeito em cascata evidencia que a pressão começa na demanda, afeta margens operacionais e chega com mais intensidade ao resultado final, cenário típico de ciclos industriais em fase de transição.

Resumo financeiro do 4T25

Indicador4T25 (R$ milhões)Variação anual
Receita líquida308,2-15,3%
EBIT ajustado66,2-16,4%
Lucro líquido ajustado40,4-18,1%

Carteira de pedidos recorde muda a leitura do futuro

Apesar do desempenho mais fraco no curto prazo, o principal destaque do balanço está fora da demonstração de resultados. A carteira de pedidos consolidada atingiu R$ 750 milhões, um recorde histórico para a companhia, com crescimento de 15,1% em um ano.

Na prática, o backlog funciona como um termômetro da receita futura, oferecendo previsibilidade para os próximos trimestres. Esse avanço foi impulsionado principalmente pela unidade B+W (Burkhardt+Weber), focada em máquinas de alta complexidade e maior valor agregado.

A evolução dessa divisão não apenas elevou o volume de pedidos, como também contribuiu para uma recuperação gradual das margens operacionais, reforçando a tese de que o mix de produtos mais sofisticados tende a sustentar a rentabilidade no médio prazo.

JCP mantém atratividade para o acionista

Mesmo em um trimestre de lucros pressionados, a Romi manteve a remuneração ao acionista. A companhia aprovou o pagamento de R$ 16,8 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), o equivalente a R$ 0,18 por ação, com pagamento previsto até o fim de 2026.

Esse movimento reforça o histórico da empresa como pagadora recorrente de proventos, mesmo em ciclos menos favoráveis, e contribui para sustentar o interesse do investidor focado em renda.

Valuation descontado entra no debate

Do ponto de vista de valuation, as ações da Romi seguem negociadas com desconto relevante. O P/VP em torno de 0,62 indica que o mercado precifica a companhia abaixo de seu valor patrimonial, um patamar que tradicionalmente atrai investidores com perfil de longo prazo.

Além disso, o dividend yield acumulado entre 7,7% e 8,6% posiciona o papel em nível competitivo dentro do setor industrial, especialmente quando combinado com a forte visibilidade de receitas proporcionada pela carteira de pedidos recorde.

Hora de comprar ou sinal de cautela?

A leitura final do 4T25 aponta para uma avaliação neutra. De um lado, a queda de receita e lucro acende um sinal de alerta no curto prazo, especialmente em um ambiente de juros ainda elevados e investimentos industriais seletivos. De outro, a carteira de pedidos histórica e o avanço da unidade B+W sugerem que o pior pode ter ficado para trás.

Com o backlog praticamente garantindo parte relevante da receita futura, o momento atual pode ser interpretado tanto como um período de cautela quanto como uma possível janela de entrada para quem enxerga a Romi sob a ótica de ciclo e longo prazo. O equilíbrio entre esses fatores deve seguir guiando o comportamento das ações ao longo de 2026.

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Rafael Costa
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Rafael Costa é editor de Tecnologia e Inovação, especialista em Blockchain e Web3, com pós-graduação em Finanças. Na A Revista, acompanha criptomoedas, tecnologia financeira, inovação e os efeitos dessas mudanças sobre empresas e mercados. Distingue uso efetivo, anúncios, projeções e riscos dos ativos digitais.

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