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Início » Últimas Notícias » Raízen (RAIZ4) despenca após plano de reestruturação: ação pode voltar a R$ 7?
Ações

Raízen (RAIZ4) despenca após plano de reestruturação: ação pode voltar a R$ 7?

Proposta para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas prevê conversão em ações a R$ 0,25 e levanta temor de forte diluição para acionistas.
Luciana RibeiroPor Luciana Ribeiro28 de maio de 20264 minutos lidos
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Raízen (RAIZ4) despenca após plano de reestruturação: ação pode voltar a R$ 7?
Raízen (RAIZ4) despenca após plano de reestruturação: ação pode voltar a R$ 7?

A Raízen (RAIZ4) voltou ao centro das atenções do mercado após detalhar uma proposta de reestruturação para tentar reorganizar uma dívida estimada em cerca de R$ 65 bilhões. O plano, ainda em negociação com credores, reacendeu dúvidas sobre o futuro da companhia, o peso da alavancagem e o impacto para quem já é acionista.

O ponto que mais preocupou investidores foi a possibilidade de conversão de parte relevante da dívida em ações ao preço de R$ 0,25 por papel. Segundo informações divulgadas pelo mercado, a proposta prevê que 45% da dívida reestruturada seja convertida em ações, enquanto os 55% restantes seriam trocados por novos instrumentos de dívida de longo prazo, com vencimentos entre 2032 e 2035.

Por que a Raízen está caindo tanto?

A queda das ações reflete, principalmente, o medo de diluição. Quando uma empresa emite uma quantidade muito grande de novas ações para converter dívida em participação societária, os acionistas atuais passam a representar uma fatia menor do negócio.

Na prática, mesmo que a companhia sobreviva financeiramente, o valor econômico de cada ação pode ser pressionado. Esse é o principal motivo pelo qual o mercado passou a questionar se faz sentido esperar uma recuperação para patamares antigos, como R$ 7.

A Raízen protocolou em março um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 65,1 bilhões em dívidas. A empresa informou que o processo não envolve obrigações operacionais correntes, como compromissos com fornecedores, mas sim dívidas financeiras quirografárias.

O que está no plano de reestruturação

O desenho discutido pelo mercado envolve três caminhos para credores, mas o cenário mais relevante é aquele que combina aporte de capital, conversão de dívida em ações e alongamento de prazos.

Entre os pontos mais importantes estão:

Ponto do planoO que significa
Dívida em negociaçãoCerca de R$ 65 bilhões
Conversão em ações45% da dívida reestruturada
Preço de conversãoR$ 0,25 por ação
Dívida remanescente55% em novos títulos
Prazo dos novos instrumentosEntre 2032 e 2035
Aporte da ShellProposta de R$ 3,5 bilhões

A Reuters informou que a Shell apoia o plano e propôs uma injeção de capital de R$ 3,5 bilhões. A mesma reportagem destacou que o acordo busca aliviar a pressão financeira da Raízen e estabilizar as operações, após dificuldades ligadas a investimentos elevados, clima adverso e incêndios que afetaram a produção.

A ação da Raízen pode voltar a R$ 7?

A possibilidade existe apenas em tese, mas ficou muito mais difícil do ponto de vista de valor de mercado. Se a reestruturação gerar uma emissão muito grande de novas ações, uma cotação de R$ 7 poderia significar uma empresa valendo centenas de bilhões de reais, dependendo da quantidade final de papéis em circulação.

Por isso, a comparação com o preço do IPO ou com patamares antigos pode ser enganosa. O investidor precisa olhar não apenas para o preço da ação, mas para o valor de mercado total da companhia depois da eventual diluição.

Em outras palavras: uma ação barata em centavos não significa necessariamente uma empresa barata.

O impacto para a Cosan (CSAN3)

A situação também preocupa investidores da Cosan (CSAN3), uma das controladoras da Raízen ao lado da Shell. O mercado avalia se a reestruturação pode reduzir a participação da Cosan no negócio, limitar sua capacidade de destravar valor ou trazer novos riscos ligados a litígios e aportes.

A Cosan já vinha sendo pressionada pelo aumento do endividamento e pela necessidade de simplificar sua estrutura de capital. Com a crise da Raízen, o investidor passou a olhar com mais cautela para todo o grupo.

O que o investidor deve observar agora

Os próximos passos dependem da negociação com credores e da aprovação final dos termos da recuperação extrajudicial. A companhia precisa obter apoio suficiente para avançar com o plano, enquanto o mercado acompanha se haverá mudança nos termos, novo aporte, venda de ativos ou alteração na estrutura societária.

Para o acionista, os pontos mais importantes são: o preço final da conversão, a quantidade de novas ações emitidas, a participação que ficará com credores, Shell e Cosan, além da capacidade da Raízen de voltar a gerar caixa de forma consistente.

A queda da Raízen não é apenas resultado de pessimismo momentâneo. Ela reflete um problema estrutural: dívida elevada, reestruturação complexa e risco de forte diluição. Antes de apostar em uma recuperação para R$ 7, o investidor precisa entender que a empresa pode sair menor para o acionista atual, mesmo que consiga sobreviver como negócio.

 

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Cosan CSAN3 RAIZ4 Raízen reestruturação de dívida
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Luciana Ribeiro
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Luciana Ribeiro é contadora e consultora tributária, com mais de 12 anos de experiência no setor fiscal. Na A Revista, explica Imposto de Renda, tributação de investimentos, regras aplicáveis a pessoas e empresas e mudanças na legislação. Identifica o período de vigência das normas e ressalta quando casos individuais exigem orientação específica.

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