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Início » Últimas Notícias » Raízen (RAIZ4) busca até R$ 25 bilhões para conter crise e BTG entra na disputa pelo controle
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Raízen (RAIZ4) busca até R$ 25 bilhões para conter crise e BTG entra na disputa pelo controle

Com dívida de R$ 55 bilhões e ações nas mínimas históricas, Raízen negocia aporte bilionário, venda de ativos e possível avanço do BTG no capital.
Felipe AndradePor Felipe Andrade19 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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A Raízen (RAIZ4) atravessa um dos momentos mais delicados desde o IPO. As ações chegaram a negociar próximas de R$ 0,63, renovando mínimas históricas após forte pressão vendedora.

Apesar de um dos maiores volumes de negociação desde o início de 2025, o papel fechou pressionado, sinalizando que o mercado segue cauteloso. O aumento no aluguel de ações também indica maior posicionamento especulativo e desconfiança de parte dos investidores.

No fim de janeiro, o papel chegou a testar a região de R$ 1,80, impulsionado por expectativas de melhora operacional, especialmente na divisão de distribuição de combustíveis. No entanto, a deterioração financeira voltou a pesar.

Receita bilionária, mas sem lucro

A Raízen apresenta números operacionais robustos, mas enfrenta um problema estrutural de rentabilidade.

Principais números recentes da companhia:

IndicadorValor aproximado
Receita anualR$ 234 bilhões
Custo operacionalR$ 230 bilhões
Dívida brutaR$ 55 bilhões
Cotação recenteR$ 0,63
Necessidade estimada de capitalR$ 20 a R$ 25 bilhões

Mesmo com receita acima de R$ 230 bilhões, o custo praticamente consome toda a geração operacional. A elevada despesa financeira, impulsionada pelo endividamento, corrói o resultado líquido.

O principal gargalo está na combinação de:

  • Alto custo operacional

  • Margens pressionadas na distribuição de combustíveis

  • Investimentos intensivos no setor de etanol

  • Despesas financeiras elevadas

Dívida de R$ 55 bilhões pressiona controladores

A dívida da companhia chegou a aproximadamente R$ 55 bilhões, elevando o risco financeiro e colocando pressão direta sobre os controladores:

  • Cosan

  • Shell

Ambas detêm cerca de 44% do capital por meio da holding de controle.

A Cosan também enfrenta desafios de endividamento e tem capacidade limitada de novos aportes robustos. Já a Shell possui maior poder financeiro global e sinalizou disposição para reforçar o caixa da companhia.

BTG entra em cena com proposta estratégica

O movimento mais relevante no momento envolve o BTG Pactual, que propôs uma operação estratégica:

  • Conversão de cerca de 25% da dívida em ações

  • Aporte potencial de até R$ 5,3 bilhões via fundos de investimento

Na prática, o banco aumentaria significativamente sua participação na Raízen, sem necessariamente assumir controle imediato, mas ganhando influência estratégica.

O mercado avalia que a entrada de um novo acionista com perfil mais financeiro e foco em disciplina de capital poderia:

  • Reduzir despesas

  • Acelerar reestruturação

  • Melhorar governança

  • Reorganizar alocação de capital

Cenários possíveis de capitalização

Atualmente, três caminhos são discutidos:

Aporte conjunto Cosan + Shell

  • Cosan: cerca de R$ 1 bilhão

  • Controlador da Cosan: R$ 500 milhões

  • Shell: até R$ 1 bilhão (podendo ampliar)

Entrada ampliada do BTG

  • Até R$ 5,3 bilhões

  • Conversão parcial de dívida

  • Aumento de influência no capital

Venda de ativos na Argentina

  • Potencial geração de R$ 5 bilhões

  • Desinvestimento em operações menos rentáveis

  • Foco em ativos estratégicos no Brasil

Meta de alavancagem: 2x a 2,5x

A companhia trabalha com objetivo de reduzir a alavancagem para algo entre 2x e 2,5x EBITDA após os aportes e eventuais vendas de ativos.

Embora ainda elevado, esse patamar representaria melhora significativa frente ao cenário atual.

O ponto central é velocidade: quanto mais a solução demorar, maior o risco de deterioração da confiança do mercado.

O dilema dos investidores

A Raízen opera em setores estratégicos:

  • Energia

  • Etanol

  • Açúcar

  • Distribuição de combustíveis

Possui escala relevante e presença internacional, mas precisa resolver:

  • Estrutura de capital

  • Eficiência operacional

  • Controle de custos

  • Governança estratégica

O mercado observa se:

  • Shell assumirá protagonismo maior

  • BTG ganhará espaço relevante

  • Cosan reduzirá exposição

  • Ou haverá combinação das três alternativas

RAIZ4 pode reagir?

A recuperação depende diretamente de:

  • Capitalização robusta (acima de R$ 20 bilhões)

  • Redução clara da dívida

  • Melhor disciplina financeira

  • Revisão estratégica dos investimentos

Sem isso, o risco de novas mínimas permanece.

Por outro lado, caso a reestruturação seja bem-sucedida, o papel pode apresentar recuperação significativa devido ao desconto atual embutido no preço.

A Raízen vive um momento decisivo. Com receita bilionária, mas estrutura de custos e dívida pressionadas, a companhia precisa de solução rápida e consistente.

O embate entre Shell, Cosan e BTG pode definir o futuro da empresa — e o destino das ações RAIZ4 na Bolsa.

O mercado aguarda definição. O tempo, neste caso, vale bilhões.

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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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