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Início » Últimas Notícias » Raízen pode emitir mais de 100 bilhões de ações; entenda o impacto em RAIZ4
Ações

Raízen pode emitir mais de 100 bilhões de ações; entenda o impacto em RAIZ4

Recuperação extrajudicial prevê conversão de 45% das dívidas em ações, aporte de até R$ 4 bilhões e reorganização dos negócios de combustíveis e energia
Carlos MenezesPor Carlos Menezes3 de agosto de 20264 minutos lidos
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A recuperação extrajudicial da Raízen entrou em uma etapa decisiva após o avanço judicial do plano destinado a reorganizar aproximadamente R$ 61,4 bilhões em obrigações financeiras. A operação deverá transformar parte expressiva da dívida em ações, receber novos aportes e modificar profundamente a estrutura societária da companhia.

O material mais recente utilizado como base aponta adesão de 81,6% dos credores quirografários — aqueles sem garantias reais — e redução do valor abrangido pelo processo, que inicialmente estava estimado em R$ 64,7 bilhões.

O plano protocolado em junho abrangia R$ 64,7 bilhões e contava inicialmente com apoio de 75,45% dos créditos financeiros. Dias depois, a companhia informou que a adesão havia subido para 80,15%. Os credores incluídos possuem títulos internacionais, debêntures, certificados de recebíveis do agronegócio e empréstimos bancários.

Principais números da recuperação da Raízen

IndicadorValor ou condição
Dívida inicialmente incluída no planoR$ 64,7 bilhões
Valor atualizado indicado no processoR$ 61,4 bilhões
Apoio informado dos credores81,6%
Parcela convertida em ações45%
Valor estimado da conversãoR$ 27,63 bilhões
Parcela mantida como dívida renegociada55%
Valor estimado da dívida remanescenteR$ 33,77 bilhões
Preço de referência para conversãoR$ 0,25 por ação
Aporte confirmado pela ShellR$ 3,5 bilhões
Possível aporte adicionalR$ 500 milhões
Capitalização máxima previstaR$ 4 bilhões
Prazo para reenquadrar RAIZ4 acima de R$ 131 de março de 2027

Conversão pode criar mais de 100 bilhões de ações

O ponto de maior atenção para quem possui RAIZ4 é a conversão de 45% das obrigações reestruturadas em participação acionária. Considerando o montante atualizado de R$ 61,4 bilhões, aproximadamente R$ 27,63 bilhões seriam transformados em ações.

Como o plano utiliza o valor de referência de R$ 0,25 por ação, uma conta puramente matemática indica potencial equivalente a cerca de 110,52 bilhões de novos papéis. O número definitivo poderá mudar conforme as opções escolhidas pelos credores, a classe das ações emitidas e os ajustes previstos nos documentos da reestruturação.

Os 55% restantes representam aproximadamente R$ 33,77 bilhões. Essa parcela deverá ser substituída, refinanciada ou alterada por meio de novos instrumentos de dívida. O desenho original do plano confirma tanto a conversão de 45% quanto a renegociação dos 55% restantes.

Atualmente, a Raízen possui aproximadamente 10,35 bilhões de ações, sendo 8,99 bilhões ordinárias e 1,36 bilhão preferenciais. O free float corresponde a cerca de 1,23 bilhão de ações preferenciais, conforme posição de 7 de julho de 2026.

Isso mostra o tamanho do risco de diluição: caso a quantidade teórica de ações resultante da conversão seja confirmada, os acionistas atuais passariam a representar uma parcela muito menor do capital total.

Shell poderá investir até R$ 3,5 bilhões

A Shell se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões na companhia. Também existe a possibilidade de um investimento adicional de R$ 500 milhões por meio da Aguassanta Participações, ligada à família de Rubens Ometto, controlador da Cosan.

Com isso, a capitalização poderá atingir R$ 4 bilhões. Os investidores que realizarem os aportes deverão receber ações ordinárias, com direito a voto.

Os recursos ajudarão a reforçar a liquidez, mas não serão suficientes, isoladamente, para solucionar os problemas financeiros. A recuperação dependerá da redução efetiva do endividamento, da geração de caixa e da melhora das margens operacionais.

Negócios poderão ser separados

A reorganização também prevê a segregação das atividades da companhia. A Raízen Combustíveis deverá concentrar a distribuição de combustíveis e os negócios associados à marca Shell. A Raízen Energia reunirá açúcar, etanol, bioenergia e outras operações ligadas à cana-de-açúcar.

A divisão poderá permitir estruturas de capital e estratégias distintas para cada negócio. A área de açúcar e etanol enfrenta maior exposição às oscilações das commodities, enquanto a distribuição de combustíveis tende a apresentar receitas mais previsíveis.

A companhia também prevê uma nova governança, com atuação de um diretor de reestruturação, comitê de credores e Conselho de Administração formado por sete integrantes após a conclusão formal do processo.

RAIZ4 segue como investimento de alto risco

A B3 concedeu à Raízen prazo adicional para resolver a permanência das ações abaixo de R$ 1. A companhia deverá apresentar as medidas necessárias para reenquadrar RAIZ4 até 31 de março de 2027.

Entre as alternativas está o agrupamento de ações. Essa operação eleva o preço unitário do papel, mas não aumenta o valor econômico da participação do investidor.

Nos próximos balanços, o mercado deverá observar principalmente a dívida líquida, a geração de caixa, os custos financeiros e o desempenho operacional. A recuperação reduz parte da incerteza jurídica, mas RAIZ4 continua exposta à forte diluição, ao risco de execução do plano e à possibilidade de elevada volatilidade.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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