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Início » Últimas Notícias » RAIZ4 em crise: dívida de R$ 55 bi pressiona ação e Shell avalia aporte bilionário
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RAIZ4 em crise: dívida de R$ 55 bi pressiona ação e Shell avalia aporte bilionário

Ação negocia perto de R$ 0,60, alavancagem passa de 5 vezes o EBITDA e capitalização pode redefinir o futuro da Raízen
Carlos MenezesPor Carlos Menezes21 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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As ações da Raízen (RAIZ4) são negociadas na faixa de R$ 0,60, acumulando queda superior a 65% nos últimos 12 meses. A desvalorização reflete a deterioração da estrutura financeira da companhia, que hoje carrega uma dívida líquida próxima de R$ 55 bilhões e uma alavancagem ao redor de 5,3 vezes dívida líquida sobre EBITDA.

O valor de mercado da empresa gira em torno de R$ 6,5 bilhões — montante significativamente inferior ao tamanho da dívida. A diferença entre o valor de mercado e o endividamento total é um dos principais pontos de preocupação do mercado.

Raízen: principais números atualizados

IndicadorValor Atual
Cotação RAIZ4~R$ 0,60
Valor de mercado~R$ 6,5 bilhões
Dívida líquida~R$ 55 bilhões
Alavancagem~5,3x EBITDA
Receita trimestral~R$ 60 bilhões
EBITDA ajustado (último tri)~R$ 3 bilhões
Resultado líquido recentePrejuízo bilionário
Participação Shell44%
Participação Cosan44%
Free float estimado~12%

Deterioração financeira pressiona credores

A companhia enfrenta:

  • Endividamento elevado

  • Pressão sobre o fluxo de caixa

  • Títulos no exterior negociando com prêmio de risco elevado

  • Custo de dívida acima do padrão histórico do setor

Com cerca de R$ 55 bilhões em dívida e um mercado de capitais mais seletivo, a Raízen depende de uma reestruturação robusta para reduzir a percepção de risco.

A alavancagem acima de 5 vezes é considerada alta para empresas do setor de energia e distribuição de combustíveis, especialmente em um ambiente de juros elevados.

Shell apresenta alternativa à cisão

Duas alternativas estratégicas passaram a ser discutidas:

Modelo 1 – Cisão da companhia

  • Separação entre negócios de açúcar/etanol e combustíveis

  • Conversão de parte da dívida em ações

  • Participação de investidores privados

  • Potencial diluição relevante

Modelo 2 – Aporte direto da Shell

  • Injeção estimada entre R$ 3,5 bilhões e R$ 5 bilhões

  • Manutenção da estrutura integrada

  • Possível emissão de novas ações

  • Negociação posterior com credores

A Shell, que detém 44% da companhia ao lado da Cosan, demonstra interesse em preservar o ativo integrado, evitando fragmentação do negócio. Mesmo com aporte, não haveria mudança automática no controle da empresa.

Mercado de aluguel atinge nível extremo

Um dos sinais mais claros de pressão vendedora está no mercado de aluguel de ações.

  • Aproximadamente 400 milhões de ações alugadas

  • Free float estimado em torno de 1 a 1,2 bilhão de ações

  • Mais de um terço das ações livres comprometidas em posições vendidas

A taxa de aluguel chegou a superar 70% ao ano, patamar extremamente elevado, indicando forte interesse em venda descoberta.

Quando o volume alugado sobe, normalmente o preço sofre pressão adicional. O movimento revela que parte relevante do mercado aposta na continuidade da volatilidade ou em novas quedas caso a reestruturação não avance.

Prejuízo recente amplia cautela

No último resultado divulgado, a companhia reportou prejuízo bilionário, influenciado por ajustes contábeis e impairment de ativos. Apesar disso, o EBITDA operacional permaneceu positivo.

Esse contraste mostra que o problema central não está necessariamente na operação corrente, mas na estrutura de capital e no peso da dívida acumulada.

O que pode acontecer com RAIZ4

Existem três cenários principais:

1. Capitalização bem-sucedida

  • Redução da alavancagem

  • Reprecificação positiva

  • Queda no custo da dívida

  • Possível recuperação gradual da ação

2. Diluição relevante

  • Conversão de dívida em ações

  • Follow-on agressivo

  • Pressão no curto prazo sobre o papel

3. Atraso na solução

  • Aumento da incerteza

  • Manutenção da pressão de venda

  • Continuidade da volatilidade extrema

Com valor de mercado inferior a 15% da dívida total, a empresa está altamente sensível a qualquer anúncio estrutural.

RAIZ4 é oportunidade ou armadilha?

A ação negocia em níveis historicamente baixos. Para investidores com perfil especulativo, pode representar uma assimetria relevante caso a capitalização reduza drasticamente a alavancagem.

Por outro lado, o risco permanece elevado enquanto a dívida estiver acima de 5 vezes o EBITDA e houver incerteza sobre diluição.

A decisão estratégica entre Shell e Cosan será determinante para o futuro da Raízen. O mercado já precifica alto risco. Agora, o próximo movimento dependerá exclusivamente da solução financeira.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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