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Início » Últimas Notícias » Quais os pagamentos esperados da Vale (VALE3) em 2026 após a alta das ações?
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Quais os pagamentos esperados da Vale (VALE3) em 2026 após a alta das ações?

Nova apresentação da Vale revela potencial oculto no braço de cobre e níquel, redução de custos no minério de ferro e geração de caixa robusta mesmo após alta de 90% nas ações
Mariana DuartePor Mariana Duarte25 de fevereiro de 20265 minutos lidos
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A Vale (VALE3) realizou em 23 de fevereiro de 2026 uma nova apresentação ao mercado trazendo dados relevantes sobre estrutura de receitas, redução de custos, crescimento do cobre e potencial de geração de caixa.

Mesmo após uma valorização próxima de 90% desde o fundo de abril de 2025, a companhia indica que ainda pode haver espaço para captura adicional de valor — tanto via reprecificação por múltiplos quanto pela monetização do braço de cobre e níquel.

O mercado começa a olhar para a empresa não apenas como mineradora de ferro, mas como uma potencial plataforma estratégica de metais para transição energética.

Minério de ferro ainda domina, mas eficiência pode ampliar margens

Atualmente, aproximadamente 85% do resultado da Vale está concentrado no minério de ferro.

Em 2025, a receita total foi de cerca de US$ 60 bilhões, distribuída da seguinte forma:

ProdutoParticipação na Receita
Minério de ferro~80%
Níquel~11%
Cobre~10%
Outros~1%

A projeção para minério de ferro indica crescimento leve na produção em 2026 e expansão gradual até 2030 — sem aceleração agressiva.

O diferencial, segundo a companhia, está na redução do custo C1 e na queda do custo total por tonelada. Caso o preço do minério permaneça em patamar estável, a combinação de estabilidade de preço com redução de custos tende a ampliar margens operacionais.

Cobre pode dobrar até 2035 — e é aqui que está o potencial escondido

A Vale projeta crescimento consistente no segmento de cobre, com meta de atingir entre 550 mil e 610 mil toneladas anuais até 2035, com grande parte da produção vinda de Carajás.

A empresa planeja investir US$ 3,5 bilhões nos próximos cinco anos apenas nessa divisão.

Cronograma estimado de investimentos relevantes:

  • 2028: > US$ 1 bilhão

  • 2029: ciclo robusto

  • 2030: US$ 1,7 bilhão

  • Pós-2032: novo ciclo forte

Além disso, a Vale destaca que sua intensidade de capital é cerca de 20% inferior à média da indústria, o que significa maior eficiência para produzir a mesma tonelada de cobre.

A companhia também prevê reversão do fluxo de caixa livre negativo em cobre e níquel em 2025 para cerca de US$ 1,1 bilhão positivo nos próximos anos, sustentado por:

  • Aumento de produção

  • Redução de custos

  • Melhora nos preços do cobre

IPO do braço de cobre e níquel pode destravar valor

Em 2023, a Vale vendeu participação minoritária no braço de metais básicos por US$ 3,4 bilhões, avaliando o segmento a aproximadamente 10x EV/EBITDA.

Em 2025, cobre e níquel geraram cerca de US$ 3,5 bilhões de EBITDA.

Se avaliados novamente a 10x, o braço teria valor aproximado de US$ 35 bilhões.

Hoje, a Vale possui:

  • Valor de mercado: ~US$ 75 bilhões

  • Valor da firma (EV): ~US$ 87 bilhões

Ou seja, apenas o segmento de cobre e níquel poderia representar cerca de 40% do valor da firma da companhia.

Caso ocorra um IPO ou spin-off dessa divisão, o mercado poderia precificar esse ativo com múltiplos mais elevados, potencialmente destravando até US$ 30 bilhões adicionais em valor.

Minério de ferro está sendo negociado com desconto relevante

Retirando o braço de cobre e níquel, o segmento de minério gera aproximadamente US$ 12 bilhões de EBITDA anual.

O valor da firma ajustado cairia para cerca de US$ 53 bilhões.

Isso implica:

  • EV/EBITDA do minério ≈ 4,4x

Enquanto pares como BHP e Rio Tinto negociam próximos de 6,5x EBITDA.

Se a Vale fosse reprecificada ao múltiplo médio dos pares, haveria potencial adicional de valorização expressiva, que poderia representar mais de R$ 30 por ação.

Projeções para 2026: geração forte de caixa e dividendos

A companhia projeta para 2026:

  • EBITDA: US$ 17,5 bilhões

  • Fluxo de caixa livre estimado: US$ 4,6 a US$ 5,7 bilhões

Destinação prevista do caixa:

  • US$ 5,5 bilhões em investimentos

  • Pagamentos de impostos e despesas financeiras

  • Compromissos remanescentes de Brumadinho

  • Distribuição aos acionistas

Se 100% do fluxo de caixa livre fosse distribuído, o dividend yield projetado ficaria entre 6% e 7,5%, equivalente a aproximadamente:

  • R$ 5,20 a R$ 6,50 por ação

Embora o dividend yield histórico médio da Vale tenha sido próximo de 11%, a base atual de preços reduz o percentual relativo — ainda assim mantendo um patamar atrativo.

Dividendos semestrais e mudança no calendário

A Vale antecipou o pagamento previsto para março de 2026 para dezembro de 2025.

Tradicionalmente, a empresa realiza pagamentos semestrais (março e agosto). Mantido o padrão, o próximo anúncio relevante deve ocorrer em agosto de 2026.

Alta de 90% e o erro de girar carteira cedo demais

Desde o fundo de abril de 2025, a ação acumulou alta próxima de 90%.

Durante o período anterior, a cotação ficou aproximadamente três anos lateralizada na faixa de R$ 60, levando parte do mercado a desacreditar no papel.

A nova apresentação sugere que, apesar da forte valorização, a tese estrutural permanece ativa — principalmente via eficiência operacional e crescimento em cobre.

Vale ainda está descontada?

A nova estratégia apresentada reforça três pilares:

  1. Minério com redução consistente de custos

  2. Cobre crescendo acima dos pares

  3. Possível destravamento de valor via reprecificação ou IPO

Mesmo após forte valorização, o desconto relativo frente aos pares e o potencial do braço de metais básicos indicam que a Vale pode ainda não refletir integralmente seu valor intrínseco.

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Mariana Duarte
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Mariana Duarte é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com mais de 10 anos de experiência em redações de portais nacionais e especialização em jornalismo digital. Na A Revista, acompanha economia, empresas, mercados e tecnologia ligada a negócios. Trabalha com linguagem acessível, atribuição de fontes e verificação de dados e documentos.

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