A PRIO3 (PetroRio) registrou uma queda de cerca de 12% na produção após a paralisação temporária do campo de Peregrino, um dos principais ativos da companhia. Apesar do recuo, o mercado financeiro mantém confiança na recuperação da petroleira, apoiado na rápida retomada das operações e na solidez financeira da empresa.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) autorizou a retomada da produção em 17 de outubro, marcando o início de uma nova fase para a PRIO3 no quarto trimestre. A paralisação foi curta e menos impactante do que interrupções anteriores em ativos como Papa Terra e Atlanta, o que reduziu o impacto negativo sobre a receita e manteve o sentimento positivo entre analistas e investidores.
Itaú projeta R$ 62 por ação da PRIO3, enquanto Goldman Sachs mantém cenário conservador
As projeções para as ações da PRIO3 seguem divididas entre grandes instituições financeiras.
O Itaú BBA mantém uma visão otimista, projetando um preço-alvo de R$ 62, considerando um cenário com o Brent acima de US$ 65 por barril e plena recuperação da produção dos campos Peregrino e Albacora Leste até o final de 2025.
Por outro lado, o Goldman Sachs adota uma perspectiva mais cautelosa, com preço estimado em R$ 47,50, levando em conta o Brent abaixo de US$ 60. A diferença nas projeções reflete expectativas distintas quanto às margens operacionais e à trajetória de recuperação do petróleo no mercado internacional.
Já o J.P. Morgan mantém recomendação de “superestimada” para a PRIO3, indicando potencial de valorização acima da cotação atual de R$ 35,75.
PRIO3 mantém estrutura financeira sólida e margens resilientes
Mesmo com a paralisação em Peregrino, a PRIO3 mantém fundamentos sólidos e eficiência operacional. A dívida líquida da companhia está próxima de US$ 2,7 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões) e suas margens EBITDA permanecem historicamente acima de 55%, demonstrando forte capacidade de geração de caixa.
Para o terceiro trimestre, o EBITDA projetado da PRIO3 é de aproximadamente R$ 1,46 bilhão, refletindo o impacto temporário da parada. Ainda assim, o indicador continua sendo o principal parâmetro de avaliação das empresas de commodities, já que o lucro líquido pode ser distorcido por efeitos contábeis e variações cambiais.
Preço justo e potencial de valorização da PRIO3
De acordo com as estimativas de mercado, o EV/EBITDA atual da PRIO3 está em 6,28, acima da média histórica de 5,35. Mantida essa média, o preço justo das ações seria de aproximadamente R$ 46,13.
Contudo, com o campo de Peregrino em plena operação e a entrada do projeto Aru, que pode adicionar até 100 mil barris diários, o preço justo da PRIO3 pode atingir R$ 71,62 por ação em um cenário otimista.
Mesmo em um ambiente de petróleo mais barato e margens pressionadas, a PRIO3 segue posicionada entre as petroleiras independentes mais eficientes da B3. Caso o Brent retorne à faixa de US$ 70–80 por barril, analistas apontam que a ação tem potencial de valorização expressivo no médio e longo prazo.
Fundamentos sustentam confiança de longo prazo na PRIO3
A queda momentânea na produção da PRIO3 não alterou a trajetória de crescimento da companhia. A retomada rápida do campo de Peregrino, somada ao avanço operacional de Aru, reforça o potencial de geração de valor e a consistência de resultados.
Com endividamento controlado, margens sólidas e gestão eficiente, a PRIO3 continua sendo um dos principais nomes do setor de petróleo na bolsa brasileira. Mesmo diante da volatilidade global, o mercado mantém confiança na capacidade da empresa de entregar resultados consistentes e ampliar o retorno aos acionistas.
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