A Petrobras apresentou uma recuperação sólida em 2025, com lucro acima de US$ 26 bilhões no segundo trimestre. A estatal voltou a figurar entre as maiores pagadoras de dividendos da Bolsa brasileira, ficando atrás apenas da Vale no ranking do primeiro semestre.
De acordo com análises de agentes de mercado, a companhia pode chegar a distribuir até US$ 3 bilhões em dividendos em 2026, caso opte por cortar parte do seu plano de investimentos (Capex). Essa flexibilidade é considerada um sinal positivo da gestão para priorizar remuneração aos acionistas.
Captação recorde e confiança internacional
A estatal também surpreendeu ao captar cerca de US$ 2 bilhões no mercado internacional por meio de títulos de dívida (Global Notes). A demanda foi 3,4 vezes superior à oferta, reunindo quase 190 ordens de investidores da América do Norte, Europa, Ásia e América Latina.
Além disso, a operação foi realizada com o menor spread (juros adicionais em relação aos títulos do Tesouro americano) em quase 20 anos, reforçando a confiança internacional na saúde financeira da Petrobras.
Ranking de dividendos no 1º semestre de 2025
No comparativo entre empresas brasileiras, a Petrobras manteve posição de destaque entre os maiores dividend yields. Veja o ranking das principais pagadoras:
| Empresa | Valor pago por ação (R$) | Dividend Yield (%) |
|---|---|---|
| Vale | 5,35 | 10,2 |
| Petrobras | 3,91 | 13,4 |
| BB Seguridade | 2,60 | 9,8 |
| Eletrobras | 2,10 | 8,7 |
| CPFL Energia | 1,95 | 7,9 |
| PetroRecôncavo | 3,29 | 21,6 |
Projeções para PETR4: preço teto e dividendos
O fluxo de caixa livre estimado da Petrobras para 2025 é de R$ 122 bilhões, com política de distribuição mínima de 45%. Isso projeta um dividendo por ação (DPA) de R$ 4,21, equivalente a um yield de 13,71%.
Segundo simulações, o preço teto da ação PETR4 pode variar de R$ 42,90 (com exigência de 10% de yield) até R$ 105,22 (para 4%).
Desafios no horizonte
Apesar dos resultados positivos, a Petrobras enfrenta riscos relevantes:
Queda do petróleo Brent: média de US$ 67,80 no trimestre, recuo de 10% frente ao início do ano.
Volatilidade cambial: valorização do real pressiona exportações.
Investimentos estratégicos: corte de Capex pode fortalecer dividendos no curto prazo, mas adiar projetos de exploração e refino.
O novo plano estratégico 2025–2029, previsto para novembro, será decisivo para confirmar se a companhia manterá uma política agressiva de distribuição de dividendos.
Vale a pena investir em PETR4?
Atualmente, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) estão cotadas em torno de R$ 31,23, com P/L de 5,19 – muito abaixo da média de mercado, sugerindo potencial de valorização.
Pelos cálculos de Benjamin Graham, o upside supera 100%, reforçando a atratividade para investidores de longo prazo. Contudo, trata-se de renda variável, e não há garantias de rentabilidade.
A Petrobras vive um momento de confiança internacional e recuperação de lucros, mas a queda do petróleo e as decisões sobre Capex serão determinantes para o futuro. Caso confirme as projeções, a estatal poderá manter-se como uma das maiores pagadoras de dividendos do mundo em 2026.
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