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Início » Últimas Notícias » Natura (NATU3) despenca após prejuízo: ação barata ainda é risco?
Ações

Natura (NATU3) despenca após prejuízo: ação barata ainda é risco?

Mesmo após reestruturação e venda de ativos, Natura ainda enfrenta pressão nas margens e resultados negativos, levantando dúvidas sobre a recuperação
Carlos MenezesPor Carlos Menezes17 de março de 20264 minutos lidos
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A Natura Cosméticos (NATU3) atravessa um momento decisivo em sua trajetória. Após anos de expansão global e recentes desinvestimentos, a companhia tenta recuperar eficiência, mas os números de 2025 mostram que o processo ainda está longe de ser concluído.

Os resultados mais recentes indicam uma combinação preocupante: queda na receita, deterioração das margens e prejuízo relevante, mesmo após ajustes estratégicos importantes.

Principais números da Natura (NATU3) em 2025

IndicadorValor
Receita líquida (3T25)R$ 5,2 bilhões
Variação anual da receita-13%
EBITDA (3T25)R$ 577 milhões
Margem EBITDA~11% a 12%
Lucro líquido recorrente-R$ 119 milhões
Prejuízo total (com ajustes)até -R$ 1,9 bilhão
Dívida líquida~R$ 4 bilhões

Receita encolhe e mostra perda de ritmo operacional

A Natura registrou queda relevante no faturamento, refletindo um cenário mais desafiador para consumo, especialmente no Brasil e na América Latina.

Entre os principais fatores que impactaram a receita estão:

  • Redução do consumo em ambiente de juros elevados

  • Menor crescimento do canal de vendas diretas

  • Pressões competitivas no setor de cosméticos

  • Desempenho mais fraco em mercados internacionais

A queda de dois dígitos na receita indica que a empresa ainda não conseguiu estabilizar sua base de crescimento após a reestruturação.

Lucro negativo reforça fragilidade da recuperação

Apesar de apresentar lucro em trimestres anteriores, a Natura voltou a registrar prejuízo no terceiro trimestre de 2025.

O prejuízo recorrente foi de aproximadamente R$ 119 milhões, mas quando considerados os efeitos extraordinários e ajustes contábeis, o resultado negativo ultrapassa R$ 1,9 bilhão no período.

Esse cenário evidencia que:

  • A empresa ainda depende de ajustes contábeis

  • A operação não gera lucro consistente

  • O turnaround ainda não se consolidou

Margens pressionadas e eficiência abaixo do esperado

Mesmo com uma margem bruta elevada, a Natura enfrenta dificuldades para transformar receita em lucro.

  • Margem bruta permanece acima de 60%

  • Margem EBITDA caiu significativamente

  • Despesas operacionais continuam elevadas

Na prática, isso significa que o custo de manter a operação ainda consome grande parte do faturamento.

Estrutura mais enxuta, mas com impacto no curto prazo

A Natura vem passando por um processo profundo de transformação:

  • Venda de ativos internacionais

  • Saída de operações menos rentáveis

  • Retorno ao foco na América Latina

Essa estratégia trouxe efeitos positivos, como:

  • Redução da complexidade operacional

  • Diminuição da dívida ao longo do tempo

  • Maior foco no core business

Por outro lado, também gerou impactos negativos:

  • Perda de escala global

  • Queda de receita consolidada

  • Ajustes contábeis que pressionam resultados

Endividamento ainda relevante

Mesmo com a redução recente, a dívida segue sendo um ponto de atenção.

  • Dívida líquida próxima de R$ 4 bilhões

  • Estrutura ainda dependente de capital de terceiros

Embora a empresa mantenha liquidez suficiente no curto prazo, o nível de alavancagem exige disciplina na gestão financeira.

Ação NATU3: desconto atrai, mas risco permanece

A ação da Natura passou a negociar em patamares mais baixos, refletindo:

  • Resultados abaixo do esperado

  • Incerteza sobre a recuperação

  • Reprecificação pelo mercado

Atualmente, a ação apresenta características típicas de empresas em turnaround:

Pontos positivos:

  • Marca forte e reconhecida

  • Potencial de recuperação

  • Valuation descontado

Pontos de atenção:

  • Prejuízo recorrente

  • Receita em queda

  • Margens pressionadas

  • Volatilidade nos resultados

O que o investidor deve observar daqui para frente

Para que a Natura volte a ser vista como uma oportunidade mais clara, alguns fatores serão decisivos:

  • Retorno consistente ao lucro

  • Recuperação da receita

  • Redução sustentável de custos

  • Melhoria nas margens operacionais

Sem esses elementos, o risco continua elevado.

A Natura (NATU3) está no meio de um processo de reconstrução. A empresa conseguiu simplificar sua estrutura e reduzir parte dos problemas do passado, mas ainda enfrenta dificuldades para voltar a crescer com rentabilidade.

O mercado já precificou parte dos riscos, refletidos na queda das ações. No entanto, a ausência de lucro consistente mantém a cautela elevada.

Neste momento, NATU3 se posiciona como um ativo de alto risco e potencial de recuperação, dependendo diretamente da execução da estratégia nos próximos trimestres.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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