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Início » Últimas Notícias » Movida (MOVI3) melhora eficiência, reduz alavancagem e reacende interesse do investidor
Ações

Movida (MOVI3) melhora eficiência, reduz alavancagem e reacende interesse do investidor

Resultados recentes mostram avanço operacional consistente, foco em rentabilidade e geração de caixa, mesmo com lucro ainda pressionado pelos juros
André CarvalhoPor André Carvalho15 de janeiro de 20264 minutos lidos
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A Movida vem apresentando números que indicam uma mudança clara de estratégia: menos foco em crescimento puro de receita e maior ênfase em eficiência operacional, rentabilidade e geração de caixa. Os dados mais recentes mostram uma companhia mais disciplinada, com margens em expansão e redução consistente da alavancagem, pontos que têm chamado a atenção do mercado.

Mesmo em um cenário ainda desafiador de juros elevados, a operação evoluiu de forma significativa, sustentando a leitura de uma empresa em processo de amadurecimento financeiro.

Receita estável, mas rentabilidade em forte evolução

A receita líquida ficou próxima de R$ 3,8 bilhões, praticamente estável na comparação anual. O dado, isoladamente, poderia parecer morno, mas esconde uma mudança relevante no modelo operacional.

O Ebitda avançou 18,5%, alcançando cerca de R$ 1,5 bilhão, refletindo contratos mais rentáveis, melhor precificação e controle mais rígido de custos. A margem de aquisição chegou a aproximadamente 72%, indicando ganho de eficiência e melhor uso dos ativos.

O EBIT também apresentou crescimento expressivo, com alta superior a 20%, reforçando que a melhora não é pontual, mas estrutural.

Rentabilidade do capital supera custo da dívida

Um dos pontos mais relevantes do balanço é o retorno sobre o capital investido. O ROIC anualizado atingiu cerca de 14,4%, com spread positivo superior a 4 pontos percentuais em relação ao custo médio da dívida.

Na prática, isso indica que a empresa voltou a gerar valor econômico, um fator essencial para sustentar crescimento saudável no longo prazo, especialmente em um setor intensivo em capital como o de locação de veículos.

Lucro ainda sofre com juros, mas pressão diminui

Apesar do avanço operacional, o lucro líquido ficou em torno de R$ 70 milhões, ligeiramente abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. A margem líquida recuou, refletindo principalmente o impacto do resultado financeiro negativo.

O custo da dívida segue sendo o principal freio para um crescimento mais robusto do lucro final. Ainda assim, a melhora operacional cria espaço para que, com a continuidade da desalavancagem e eventual melhora do cenário macro, esse impacto seja gradualmente reduzido.

Rent a Car: menos volume, mais retorno

No segmento de aluguel de carros, a Movida adotou uma estratégia clara de priorizar rentabilidade.
O diário médio subiu para cerca de R$ 159, ante R$ 142 anteriormente, enquanto a receita mensal por carro atingiu aproximadamente R$ 3.497, um patamar recorde.

Em contrapartida, a taxa de ocupação da frota recuou para cerca de 71%, mostrando que a empresa optou por alugar menos veículos, porém com preços mais elevados, maximizando o retorno por ativo.

GTF garante previsibilidade e estabilidade

Na gestão e terceirização de frotas (GTF), a receita cresceu mais de 16%, superando R$ 1 bilhão, com expansão moderada da frota. O backlog de contratos alcançou aproximadamente R$ 7,1 bilhões, garantindo previsibilidade de receitas futuras.

Esse segmento se consolida como o pilar mais estável da companhia, com contratos de longo prazo que reforçam o caixa e reduzem a volatilidade dos resultados.

Seminovos reforçam foco em margem

No negócio de seminovos, as vendas recuaram em volume, com cerca de 24,5 mil veículos comercializados. Ainda assim, a receita permaneceu elevada, em torno de R$ 1,8 bilhão, refletindo preços médios mais altos.

O movimento reforça a estratégia de priorizar margem e retorno financeiro, mesmo que isso implique menor giro de estoque no curto prazo.

Dívida em queda e geração de caixa consistente

A dívida líquida encerrou o período em aproximadamente R$ 15,5 bilhões, com custo médio em torno de CDI + 1,9%. O dado mais relevante foi a queda da alavancagem para cerca de 2,7 vezes o Ebitda, o menor nível dos últimos cinco anos.

A geração de caixa operacional das atividades de aluguel somou aproximadamente R$ 1,1 bilhão, com crescimento anual próximo de 10%, evidenciando que o resultado contábil vem se convertendo em caixa efetivo.

Principais números da Movida (MOVI3)

IndicadorResultado recenteVariação anualLeitura principal
Receita líquida~R$ 3,8 bilhõesEstávelCrescimento substituído por foco em margem
Ebitda~R$ 1,5 bilhão+18,5%Forte ganho de eficiência
EBIT~R$ 854 milhões+22,6%Operação mais lucrativa
Lucro líquido~R$ 70 milhõesLeve quedaPressão do resultado financeiro
ROIC anualizado~14,4%AltaRetorno acima do custo da dívida
Dívida líquida / Ebitda~2,7xQueda relevanteMenor nível em 5 anos
Backlog GTF~R$ 7,1 bilhõesAltaReceita futura contratada

 MOVI3 entra em fase mais madura

Os números mais recentes mostram que a Movida está menos dependente de crescimento agressivo e mais focada em eficiência, rentabilidade e disciplina financeira. Mesmo com o lucro ainda pressionado pelos juros, a empresa apresenta uma operação mais sólida, retorno sobre capital atrativo e trajetória clara de desalavancagem.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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