A Movida vem apresentando números que indicam uma mudança clara de estratégia: menos foco em crescimento puro de receita e maior ênfase em eficiência operacional, rentabilidade e geração de caixa. Os dados mais recentes mostram uma companhia mais disciplinada, com margens em expansão e redução consistente da alavancagem, pontos que têm chamado a atenção do mercado.
Mesmo em um cenário ainda desafiador de juros elevados, a operação evoluiu de forma significativa, sustentando a leitura de uma empresa em processo de amadurecimento financeiro.
Receita estável, mas rentabilidade em forte evolução
A receita líquida ficou próxima de R$ 3,8 bilhões, praticamente estável na comparação anual. O dado, isoladamente, poderia parecer morno, mas esconde uma mudança relevante no modelo operacional.
O Ebitda avançou 18,5%, alcançando cerca de R$ 1,5 bilhão, refletindo contratos mais rentáveis, melhor precificação e controle mais rígido de custos. A margem de aquisição chegou a aproximadamente 72%, indicando ganho de eficiência e melhor uso dos ativos.
O EBIT também apresentou crescimento expressivo, com alta superior a 20%, reforçando que a melhora não é pontual, mas estrutural.
Rentabilidade do capital supera custo da dívida
Um dos pontos mais relevantes do balanço é o retorno sobre o capital investido. O ROIC anualizado atingiu cerca de 14,4%, com spread positivo superior a 4 pontos percentuais em relação ao custo médio da dívida.
Na prática, isso indica que a empresa voltou a gerar valor econômico, um fator essencial para sustentar crescimento saudável no longo prazo, especialmente em um setor intensivo em capital como o de locação de veículos.
Lucro ainda sofre com juros, mas pressão diminui
Apesar do avanço operacional, o lucro líquido ficou em torno de R$ 70 milhões, ligeiramente abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. A margem líquida recuou, refletindo principalmente o impacto do resultado financeiro negativo.
O custo da dívida segue sendo o principal freio para um crescimento mais robusto do lucro final. Ainda assim, a melhora operacional cria espaço para que, com a continuidade da desalavancagem e eventual melhora do cenário macro, esse impacto seja gradualmente reduzido.
Rent a Car: menos volume, mais retorno
No segmento de aluguel de carros, a Movida adotou uma estratégia clara de priorizar rentabilidade.
O diário médio subiu para cerca de R$ 159, ante R$ 142 anteriormente, enquanto a receita mensal por carro atingiu aproximadamente R$ 3.497, um patamar recorde.
Em contrapartida, a taxa de ocupação da frota recuou para cerca de 71%, mostrando que a empresa optou por alugar menos veículos, porém com preços mais elevados, maximizando o retorno por ativo.
GTF garante previsibilidade e estabilidade
Na gestão e terceirização de frotas (GTF), a receita cresceu mais de 16%, superando R$ 1 bilhão, com expansão moderada da frota. O backlog de contratos alcançou aproximadamente R$ 7,1 bilhões, garantindo previsibilidade de receitas futuras.
Esse segmento se consolida como o pilar mais estável da companhia, com contratos de longo prazo que reforçam o caixa e reduzem a volatilidade dos resultados.
Seminovos reforçam foco em margem
No negócio de seminovos, as vendas recuaram em volume, com cerca de 24,5 mil veículos comercializados. Ainda assim, a receita permaneceu elevada, em torno de R$ 1,8 bilhão, refletindo preços médios mais altos.
O movimento reforça a estratégia de priorizar margem e retorno financeiro, mesmo que isso implique menor giro de estoque no curto prazo.
Dívida em queda e geração de caixa consistente
A dívida líquida encerrou o período em aproximadamente R$ 15,5 bilhões, com custo médio em torno de CDI + 1,9%. O dado mais relevante foi a queda da alavancagem para cerca de 2,7 vezes o Ebitda, o menor nível dos últimos cinco anos.
A geração de caixa operacional das atividades de aluguel somou aproximadamente R$ 1,1 bilhão, com crescimento anual próximo de 10%, evidenciando que o resultado contábil vem se convertendo em caixa efetivo.
Principais números da Movida (MOVI3)
| Indicador | Resultado recente | Variação anual | Leitura principal |
|---|---|---|---|
| Receita líquida | ~R$ 3,8 bilhões | Estável | Crescimento substituído por foco em margem |
| Ebitda | ~R$ 1,5 bilhão | +18,5% | Forte ganho de eficiência |
| EBIT | ~R$ 854 milhões | +22,6% | Operação mais lucrativa |
| Lucro líquido | ~R$ 70 milhões | Leve queda | Pressão do resultado financeiro |
| ROIC anualizado | ~14,4% | Alta | Retorno acima do custo da dívida |
| Dívida líquida / Ebitda | ~2,7x | Queda relevante | Menor nível em 5 anos |
| Backlog GTF | ~R$ 7,1 bilhões | Alta | Receita futura contratada |
MOVI3 entra em fase mais madura
Os números mais recentes mostram que a Movida está menos dependente de crescimento agressivo e mais focada em eficiência, rentabilidade e disciplina financeira. Mesmo com o lucro ainda pressionado pelos juros, a empresa apresenta uma operação mais sólida, retorno sobre capital atrativo e trajetória clara de desalavancagem.
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