As ações da Monteiro Aranha S.A. (MOAR3) passaram por uma reprecificação intensa nos últimos meses. Após atingir níveis historicamente elevados, o papel recuou de forma expressiva e hoje negocia próximo das mínimas recentes, mesmo com a companhia mantendo uma das estruturas de caixa mais robustas entre as holdings listadas.
A queda não está ligada a colapso financeiro, mas sim a uma combinação de dividendos extraordinários, redução do patrimônio contábil, prejuízo pontual e, principalmente, baixa liquidez das ações, fator que amplifica movimentos de preço.
Balanço atualizado: o que a Monteiro Aranha tinha no 3T25
No encerramento do terceiro trimestre de 2025, os números do balanço individual mostram uma holding ainda muito sólida do ponto de vista financeiro.
Principais números patrimoniais (3T25)
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Ativo total | R$ 2,22 bilhões |
| Caixa e equivalentes | R$ 918,2 milhões |
| Aplicações financeiras (curto prazo) | R$ 357,2 milhões |
| Aplicações financeiras (longo prazo) | R$ 7,1 milhões |
| Investimentos em participações e outros ativos | R$ 875,5 milhões |
| Passivo total | R$ 1,29 bilhão |
| Patrimônio líquido | R$ 924,8 milhões |
Mesmo após um ciclo intenso de distribuição de proventos, a companhia encerra o período com mais de R$ 1,28 bilhão em caixa e aplicações financeiras, valor extremamente relevante frente ao seu tamanho de mercado.
Dívida existe, mas o caixa praticamente neutraliza o risco
A Monteiro Aranha possui dívidas concentradas em empréstimos, financiamentos e debêntures, com perfil majoritariamente de longo prazo.
Estrutura de endividamento (3T25)
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Dívida bruta total | R$ 1,20 bilhão |
| Caixa + aplicações financeiras | R$ 1,28 bilhão |
| Caixa líquido (estimado) | Próximo de zero |
| Tributos diferidos | R$ 437,6 milhões |
Na prática, o caixa praticamente empata com a dívida financeira, o que reduz significativamente o risco de solvência. O ponto de maior atenção está nos tributos diferidos, que representam um passivo relevante e afetam a leitura econômica do patrimônio.
Resultado contábil: por que a empresa teve prejuízo em 2025
No acumulado dos nove primeiros meses de 2025, a Monteiro Aranha registrou prejuízo líquido de R$ 33,3 milhões, com lucro por ação negativo de R$ 2,71.
Esse resultado não decorre de deterioração operacional, mas sim da ausência de eventos não recorrentes que inflaram lucros em anos anteriores, como:
reavaliações positivas de ativos
ganhos elevados de equivalência patrimonial
vendas relevantes de participações societárias
Como holding de investimentos, o resultado da empresa é altamente volátil e pode alternar lucro e prejuízo sem que isso represente mudança estrutural na saúde financeira.
Valuation chama atenção: MOAR3 passou a negociar abaixo do valor patrimonial
Com 12,25 milhões de ações emitidas e patrimônio líquido de R$ 924,8 milhões, o valor patrimonial por ação está próximo de R$ 75,50.
Com a ação negociando em torno de R$ 61, o mercado precifica a Monteiro Aranha com desconto sobre o patrimônio.
Indicadores de valuation
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Cotação aproximada | R$ 61,00 |
| Valor patrimonial por ação | R$ 75,50 |
| P/VP | ~0,81 |
| Valor de mercado | ~R$ 750 milhões |
Esse desconto reflete principalmente:
baixa liquidez das ações
resultados voláteis
percepção de risco ligada a eventos não recorrentes
Dividendos elevados explicam parte da queda das ações
A Monteiro Aranha distribuiu proventos extremamente elevados ao longo de 2024 e 2025, impulsionados por vendas de ativos e reorganizações patrimoniais.
Proventos pagos em 2025
| Tipo | Valor por ação (R$) |
|---|---|
| Dividendos + JCP (2025) | Superior a R$ 40 por ação |
Esses pagamentos geraram retorno expressivo em caixa para o acionista, mas também reduziram o patrimônio líquido, o que, naturalmente, pressiona o preço das ações no pós-dividendo.
Liquidez é o maior risco da MOAR3
Apesar do balanço robusto, a MOAR3 possui free float muito reduzido, com pouquíssimos negócios em diversos pregões. Isso gera:
grande volatilidade
spreads elevados
dificuldade para montar ou desmontar posição
Em ativos assim, o risco para o investidor não está apenas nos números do balanço, mas na execução da operação.
O que observar na MOAR3 daqui para frente
Evolução do caixa após dividendos
Novas vendas ou aquisições de participações
Comportamento dos tributos diferidos
Retorno da equivalência patrimonial
Qualquer mudança na política de proventos
A Monteiro Aranha segue como uma holding financeiramente sólida, mas não é um papel para investidores iniciantes ou que dependem de liquidez. Trata-se de um ativo de nicho, com forte influência contábil e patrimonial, onde preço e valor podem divergir por longos períodos.
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