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Início » Últimas Notícias » Mitre (MTRE3) dispara na Bolsa e pode subir mais de 100% em 2026 com queda dos juros
Ações

Mitre (MTRE3) dispara na Bolsa e pode subir mais de 100% em 2026 com queda dos juros

Construtora focada em São Paulo ganha força com expectativa de redução da Selic, melhora no setor imobiliário e valuation ainda considerado descontado.
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins23 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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Mitre (MTRE3) dispara na Bolsa e pode subir mais de 100% em 2026 com queda dos juros
Mitre (MTRE3) dispara na Bolsa e pode subir mais de 100% em 2026 com queda dos juros

A construtora e incorporadora Mitre Realty (MTRE3) voltou a chamar atenção do mercado após renovar máximas recentes na Bolsa. A ação chegou a bater R$ 4,32, recuando levemente para a região de R$ 4,23, mas mantendo tendência positiva no curto prazo.

O movimento ocorre em um momento estratégico: o mercado começa a antecipar um cenário macroeconômico mais favorável para 2026, com perspectiva de redução da taxa Selic e possível retomada mais consistente do crédito imobiliário.

Como o setor de construção civil é altamente sensível aos juros, qualquer sinal de afrouxamento monetário tende a impulsionar as empresas do segmento e a Mitre pode estar entre as beneficiadas.

Setor imobiliário pode ganhar fôlego com queda da Selic

A expectativa de queda da taxa básica de juros cria um ambiente mais favorável para:

  • Financiamento imobiliário

  • Aumento na demanda por imóveis

  • Redução do custo da dívida das incorporadoras

  • Melhora nas margens operacionais

Mesmo que o efeito da redução da Selic seja mais alongado, historicamente o mercado antecipa esse movimento, precificando as ações antes da melhora efetiva nos números operacionais.

Para 2026 e 2027, o sentimento é de maior estabilidade macroeconômica, o que pode beneficiar empresas cíclicas como a Mitre.

Análise técnica: próximos alvos estão acima de R$ 4,60

O papel MTRE3 saiu da faixa entre R$ 3,50 e R$ 3,60 no início de fevereiro para testar novas máximas.

Pontos observados:

  • Máxima recente: R$ 4,32

  • Fechamento recente: R$ 4,23

  • Primeira resistência: R$ 4,40

  • Próximo alvo técnico: R$ 4,60

O fluxo comprador aumentou desde a segunda quinzena de janeiro, indicando maior interesse do mercado. Além disso, houve redução significativa no aluguel de ações que caiu de aproximadamente 7% para abaixo de 2%  diminuindo a pressão vendedora.

Esse movimento reforça a tese de que investidores institucionais voltaram a olhar para o papel.

Mitre ainda está barata? Indicadores chamam atenção

Apesar da alta recente, os múltiplos continuam relativamente descontados:

  • P/L na casa de 9

  • P/VPA abaixo do valor patrimonial

  • Valor patrimonial por ação estimado em R$ 9,35

  • Valor do ativo estimado em cerca de R$ 21,30

Se considerado o valor patrimonial (R$ 9,35), o potencial ultrapassa 100% frente à cotação atual. Já considerando o valor do ativo total, o upside teórico poderia superar 400% embora esse cenário seja mais conservadoramente visto como referência estrutural, não necessariamente como preço-alvo de curto prazo.

Desafios: dívida e margens ainda exigem atenção

Apesar do potencial, há pontos importantes que o investidor deve observar:

  1. Endividamento elevado

A relação dívida líquida/EBITDA está acima de 5x, considerada elevada para o setor. O mercado acompanha com atenção essa métrica.

Caso a empresa consiga reduzir esse indicador para níveis próximos de 3x ou abaixo, o impacto na percepção de risco pode ser significativo.

  1. Margens pressionadas

A melhora nas margens depende de:

  • Redução de estoques

  • Maior velocidade de vendas

  • Controle de custos

  • Redução da despesa financeira

Com juros menores, o custo da dívida tende a cair, abrindo espaço para recuperação da rentabilidade.

Receita bilionária e foco em São Paulo

A Mitre atua principalmente no estado de São Paulo, com foco em imóveis voltados à classe média.

A empresa já registra receita anual na casa de R$ 1 bilhão, mas ainda enfrenta pressão nos custos e nas despesas financeiras. Uma melhora no cenário econômico pode acelerar a conversão de estoque em caixa, fortalecendo o balanço.

Dividendos mensais: diferencial no setor

Outro ponto que chama atenção é o pagamento recorrente de dividendos.

A Mitre vinha distribuindo proventos mensais, com o último pagamento de cerca de R$ 0,04 por ação, sem retenção de imposto na fonte.

A expectativa do mercado agora gira em torno da próxima divulgação de resultados e do novo calendário de dividendos, que pode ser anunciado junto com o desempenho financeiro mais recente.

Vale a pena investir em Mitre (MTRE3)?

A tese de investimento na Mitre combina três pilares:

  1. Valuation ainda descontado

  2. Possível ciclo de queda da Selic

  3. Recuperação estrutural do setor imobiliário

Por outro lado, o investidor precisa considerar o risco associado ao alto endividamento e à natureza cíclica do setor.

Se o cenário macroeconômico realmente evoluir com juros menores e melhora no crédito imobiliário, a Mitre pode ganhar tração em 2026.

O mercado já começou a antecipar esse movimento e é justamente nesse ponto que o papel passa a se destacar no radar de investidores atentos às oportunidades do ciclo imobiliário.

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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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