A Microsoft voltou a apresentar números expressivos no trimestre encerrado em 31 de março de 2026. A companhia registrou receita de US$ 82,90 bilhões, crescimento de 18% na comparação anual.
O lucro líquido alcançou US$ 31,78 bilhões, avanço de 23%, enquanto o lucro operacional chegou a US$ 38,40 bilhões, com crescimento de 20%.
Os resultados reforçam a força de um modelo de negócios que reúne assinaturas corporativas, computação em nuvem, softwares, publicidade digital, jogos eletrônicos e inteligência artificial.
| Indicador | 3º trimestre fiscal de 2026 | Variação anual |
|---|---|---|
| Receita | US$ 82,90 bilhões | +18% |
| Lucro líquido | US$ 31,78 bilhões | +23% |
| Lucro operacional | US$ 38,40 bilhões | +20% |
| Microsoft Cloud | US$ 54,50 bilhões | +29% |
| Azure e serviços de nuvem | — | +40% |
Azure e inteligência artificial impulsionam os resultados
O principal destaque foi novamente o Azure, plataforma de computação em nuvem da Microsoft. A receita do Azure e de outros serviços de nuvem aumentou 40% na comparação anual, ou 39% em moeda constante.
A divisão de Nuvem Inteligente faturou US$ 34,70 bilhões, crescimento de 30%. Já a receita total do Microsoft Cloud chegou a US$ 54,50 bilhões, avançando 29%.
A companhia também informou que seus negócios de inteligência artificial superaram uma receita anualizada de US$ 37 bilhões, com crescimento de 123% em relação ao ano anterior.
O avanço mostra que a inteligência artificial já deixou de ser apenas uma promessa para se tornar uma fonte relevante de faturamento. Produtos como Azure AI, Microsoft 365 Copilot e GitHub Copilot ajudam a ampliar o consumo de infraestrutura e o valor das assinaturas.
Microsoft ocupa segunda posição no mercado de nuvem
A Microsoft permanece atrás da Amazon no mercado mundial de infraestrutura de nuvem, mas continua ganhando espaço.
No primeiro trimestre de 2026, os gastos globais com serviços de infraestrutura de nuvem atingiram aproximadamente US$ 129 bilhões. A Amazon Web Services detinha cerca de 28% do mercado, seguida pela Microsoft, com 21%, e pelo Google, com 14%.
O crescimento do Azure acima de 40% mostra que a Microsoft avança em um mercado estratégico, impulsionado pela demanda por processamento, armazenamento e aplicações de inteligência artificial.
Microsoft 365 e LinkedIn mantêm receita recorrente
A divisão de Produtividade e Processos de Negócios registrou receita de US$ 35 bilhões, crescimento de 17%.
A receita comercial em nuvem do Microsoft 365 avançou 19%, favorecida pelo aumento do número de usuários e pela adoção dos planos Microsoft 365 E5 e Copilot. O LinkedIn cresceu 12%, enquanto o Dynamics 365 avançou 22%.
A receita recorrente das assinaturas oferece maior previsibilidade financeira. Empresas e consumidores continuam pagando pelo acesso a ferramentas como Word, Excel, PowerPoint, Outlook, Teams e OneDrive.
Xbox e Windows apresentam desempenho mais fraco
A área de Computação Pessoal teve receita de US$ 13,20 bilhões, recuo de 1% na comparação anual.
A receita de conteúdo e serviços do Xbox caiu 5%, enquanto Windows OEM e dispositivos recuaram 2%. Em contrapartida, a receita de publicidade em buscas avançou 12%, excluindo os custos de aquisição de tráfego.
O desempenho mostra que a Microsoft depende cada vez mais dos negócios de nuvem, produtividade e inteligência artificial para sustentar seu crescimento.
Microsoft mantém caixa superior à dívida
Em março de 2026, a companhia possuía aproximadamente US$ 78,27 bilhões entre caixa, equivalentes e investimentos de curto prazo.
A dívida financeira totalizava cerca de US$ 40,26 bilhões. Isso significa que a Microsoft mantinha recursos líquidos suficientes para cobrir toda a dívida e ainda financiar investimentos, aquisições e dividendos.
Entretanto, a construção de data centers e a compra de equipamentos para inteligência artificial exigem gastos bilionários. Caso o retorno desses investimentos demore mais que o esperado, as margens e o fluxo de caixa poderão ser pressionados.
Microsoft paga dividendos, mas retorno é baixo
Em junho de 2026, a Microsoft anunciou dividendo trimestral de US$ 0,91 por ação. O pagamento será realizado em 10 de setembro aos investidores posicionados em 20 de agosto.
Considerando quatro pagamentos iguais, o dividendo anualizado seria de US$ 3,64 por ação. Apesar da regularidade e do crescimento histórico dos proventos, o retorno percentual permanece baixo devido ao elevado preço das ações.
Ações da Microsoft ainda valem a pena?
Em 25 de junho de 2026, as ações MSFT eram negociadas perto de US$ 365,46, com valor de mercado aproximado de US$ 2,72 trilhões. O múltiplo preço sobre lucro estava próximo de 21,75 vezes.
A Microsoft continua apresentando crescimento, elevada geração de caixa, dívida controlada e forte exposição à inteligência artificial. Esses fatores sustentam uma visão positiva para o longo prazo.
Os principais riscos estão no aumento dos gastos com infraestrutura, na concorrência de Amazon e Google, nas possíveis restrições regulatórias e na necessidade de transformar os investimentos em IA em lucros crescentes.
Portanto, as ações podem fazer sentido para quem busca crescimento no longo prazo e aceita oscilações. Para investidores focados em dividendos elevados ou que procuram ações muito descontadas, a Microsoft pode não ser a alternativa mais adequada no momento.
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