A Gerdau (GGBR3; GGBR4) divulgou seu balanço do quarto trimestre e os números mostram um cenário misto: pressão nas operações brasileiras, força relevante na América do Norte e manutenção de uma política consistente de dividendos e recompra de ações.
Mesmo com queda no lucro anual, a companhia segue com estrutura financeira sólida, baixa alavancagem e forte geração de caixa fatores que continuam atraindo investidores, principalmente estrangeiros.
Resultados do 4º trimestre e acumulado de 2025
O volume de vendas de aço caiu 7,3% em relação ao terceiro trimestre, mas apresentou alta de 5,2% na comparação anual. No acumulado do ano, o crescimento foi de 6%.
Apesar disso, a receita líquida avançou apenas 4,2%, impactada principalmente por:
- Apreciação do real frente ao dólar (parte relevante da receita é dolarizada);
- Estagnação nos preços do aço;
- Maior pressão competitiva no Brasil.
Principais números de 2025:
- EBITDA ajustado: R$ 10 bilhões (-7,1%)
- Lucro líquido ajustado: R$ 3,4 bilhões (-21%)
- Margem líquida no 4º tri: cerca de 4%
- Alavancagem: 0,76x Dívida Líquida/EBITDA
- Caixa disponível: R$ 6,4 bilhões
A margem segue apertada, característica típica do setor siderúrgico: a cada R$ 100 de receita, a empresa gera cerca de R$ 4 de lucro líquido.
América do Norte salva o resultado
O grande destaque positivo veio das operações na América do Norte (EUA e Canadá), que compensaram a deterioração no Brasil.
Comparativo por região 4º tri:
Brasil
- Resultado caiu de R$ 1,4 bilhão para R$ 510 milhões
- Margem caiu de 18% para 7%
- Impacto da invasão de aço chinês no mercado interno
América do Norte
- Resultado saltou de R$ 800 milhões para R$ 1,8 bilhão
- Margem EBITDA acima de 20%
- Representou cerca de 70% a 75% do resultado trimestral
América do Sul (Peru, Uruguai, Argentina)
- Queda em receita, EBITDA e margem
Mesmo representando 41% do volume vendido, a América do Norte foi responsável por cerca de 50% da receita total e quase três quartos do resultado operacional.
Valor de mercado e influência estrangeira
Nos últimos três anos, o valor de mercado da companhia quase dobrou em dólar, saindo da casa dos US$ 5 bilhões para próximo de US$ 8 bilhões.
Curiosamente, isso ocorreu mesmo com o preço do aço apresentando queda recente, o que indica que o papel ficou mais caro em relação ao lucro atual.
Outro fator relevante:
- 80% das ações estão nas mãos de investidores estrangeiros
- Apenas 20% com investidores locais
- Em 2026, o fluxo estrangeiro na bolsa brasileira já ultrapassa R$ 36 bilhões positivos
O forte fluxo internacional tem sustentado a valorização de vários papéis, incluindo Gerdau.
Dividendos trimestrais confirmados
A Gerdau mantém política de distribuir no mínimo 30% do lucro ajustado e paga dividendos trimestralmente desde 2003.
Novo dividendo anunciado:
- R$ 0,10 por ação (GGBR3 e GGBR4)
- Data-com: 10 de março
- Pagamento: 18 de março
Já a Metalúrgica Gerdau (GOAU3; GOAU4) pagará R$ 0,05 por ação, com pagamento em 19 de março.
Com base nos R$ 2,4 bilhões distribuídos em 2025, o dividend yield atual gira em torno de 6,4%.
Novo programa de recompra pode gerar “yield” adicional
A empresa anunciou um novo programa de recompra que prevê:
- Até 55 milhões de ações preferenciais
- Até 1,4 milhão de ações ordinárias
Caso seja executado integralmente, o impacto seria equivalente a aproximadamente 2,8% de dividend yield adicional.
Importante destacar que a Gerdau vem executando de fato seus programas anteriores, com recompras frequentes entre R$ 15 e R$ 19 por ação, sinalizando que a própria empresa considera esses níveis atrativos.
Endividamento e investimentos
A dívida bruta caiu de R$ 18 bilhões para R$ 14 bilhões. A empresa possui caixa suficiente para cobrir amortizações até 2030/2031.
Outro ponto positivo para 2026:
- Investimentos cairão de R$ 6,1 bilhões para R$ 4,7 bilhões
- Redução de R$ 1,4 bilhão no capex
- Menor pressão sobre geração de caixa
O que observar daqui para frente?
O futuro da ação dependerá principalmente de:
- Recuperação do preço do aço
- Controle da entrada de aço chinês no Brasil
- Manutenção das margens na América do Norte
- Continuidade do fluxo estrangeiro na bolsa
A forte correlação histórica entre preço do aço e valor de mercado da Gerdau indica que o cenário global da commodity continuará sendo determinante.
A Gerdau apresenta:
Estrutura financeira sólida
Dividendos recorrentes
Forte operação nos EUA
Programa ativo de recompra
Por outro lado:
Pressão nas margens no Brasil
Queda no lucro anual
Papel mais caro em dólar frente ao lucro atual
Para investidores focados em renda, o yield acima de 6% mais possível recompras adicionais mantêm o papel no radar. Já para quem busca crescimento, a recuperação do ciclo do aço será determinante.
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