A Marcopolo (POMO4) voltou a ganhar destaque no mercado financeiro após registrar uma combinação que costuma despertar o interesse de investidores mais atentos: forte queda acumulada no preço das ações, dividendos elevados e sinais claros de recuperação operacional no médio e longo prazo.
Desde a máxima recente, os papéis da fabricante de carrocerias de ônibus chegaram a acumular uma desvalorização próxima de 40%. Ainda assim, no movimento de mínima para a máxima do ano, a valorização supera 70%, evidenciando a volatilidade típica de uma small cap em meio às mudanças de percepção do mercado.
Esse cenário ocorre em um momento sensível para a Bolsa brasileira, em que investidores já começam a precificar uma possível queda da taxa Selic a partir de 2026, além de um ambiente mais favorável para ativos de risco.
O impacto do resultado do terceiro trimestre
Parte relevante da correção nas ações veio após a divulgação do resultado do terceiro trimestre, que trouxe pontos considerados negativos pelo mercado, especialmente no desempenho do mercado interno brasileiro.
A produção e o volume de vendas no Brasil seguem em tendência de retração estrutural, reflexo direto do envelhecimento da frota nacional. Entre 2012 e 2024, a idade média dos ônibus em circulação no país saltou de cerca de 8 anos para mais de 11 anos, reduzindo a necessidade de renovação frequente.
Apesar disso, a Marcopolo conseguiu manter a receita líquida em crescimento, alcançando aproximadamente R$ 2,5 bilhões no período, acima do registrado no mesmo trimestre do ano anterior. O lucro bruto também avançou, acompanhando a expansão da receita, ainda que pressionado por custos maiores.
Equivalência patrimonial pesa, mas lucro segue resiliente
O principal ponto de pressão no resultado foi a linha de equivalência patrimonial, que representa a participação da Marcopolo em empresas controladas e coligadas. No trimestre, essa linha registrou prejuízo de cerca de R$ 63 milhões, revertendo o lucro observado no mesmo período do ano anterior.
Esse impacto reduziu o resultado operacional, mas não comprometeu de forma significativa o desempenho final da companhia. O lucro líquido ficou em torno de R$ 329 milhões, praticamente estável em relação ao ano anterior, demonstrando resiliência mesmo em um cenário desafiador.
Empresa global e menos dependente do Brasil
Embora 83% do resultado ainda venha da América do Sul, a Marcopolo se destaca por sua presença internacional consolidada. Diferente de muitas empresas brasileiras, a maior parte da operação externa não depende de exportações feitas a partir do Brasil.
Cerca de 76% da receita internacional vem de fábricas localizadas fora do país, com destaque para Austrália, Argentina e México. Essa diversificação reduz riscos cambiais, logísticos e de demanda, além de abrir espaço para crescimento em mercados mais maduros.
A companhia também atua em diferentes segmentos, como ônibus rodoviários, urbanos, micros e, mais recentemente, veículos elétricos urbanos, um nicho com potencial de crescimento impulsionado por políticas ambientais e eficiência operacional.
Produção internacional cresce e aponta o futuro da empresa
Enquanto a produção no Brasil perde fôlego, os números mostram crescimento consistente nas unidades internacionais e nas exportações. Esse movimento reforça a tese de que o crescimento da Marcopolo no futuro virá principalmente fora do mercado doméstico.
Para analistas e investidores de longo prazo, esse reposicionamento é visto como estratégico, já que o mercado brasileiro apresenta limites naturais de expansão.
Dividendos elevados, mas fora da média histórica
Um dos fatores que mais chamaram atenção foi o dividend yield próximo de 20%, impulsionado por pagamentos extraordinários e data-com recente. Historicamente, a Marcopolo não é conhecida como uma grande pagadora de dividendos, mantendo, em média, yields abaixo de 6% ao longo dos anos.
O payout atual gira em torno de 60%, e projeções mais conservadoras indicam um dividendo recorrente na casa de 10%, ainda considerado atrativo dentro do setor industrial.
Insiders aumentam posição e reforçam confiança
Outro ponto relevante é o comportamento dos insiders. Compras recorrentes e expressivas por parte do grupo de controle, conselheiros e executivos da companhia têm sido registradas ao longo dos últimos meses, sem movimentos relevantes de venda.
Esse tipo de sinal costuma ser interpretado pelo mercado como confiança na recuperação da empresa e na valorização futura das ações.
Valuation, múltiplos e potencial de valorização
Mesmo negociada com ágio em relação ao valor patrimonial, a Marcopolo apresenta retorno sobre investimento (ROI) entre 20% e 28%, um nível elevado para empresas industriais. O múltiplo preço/lucro permanece atrativo diante da geração de caixa atual.
Modelos de valuation mais conservadores apontam preço justo próximo de R$ 8,50, acima das cotações recentes, indicando potencial de valorização caso o cenário macroeconômico se torne mais favorável.
Vale a pena acompanhar a Marcopolo agora?
Após a forte correção, a Marcopolo volta ao radar como uma ação que combina fundamentos sólidos, presença global, boa gestão financeira e possível assimetria positiva com a virada do ciclo econômico.
Embora não seja uma ação isenta de riscos, especialmente pela dependência do setor industrial e pelas margens mais apertadas, o momento atual é visto por parte do mercado como uma janela de oportunidade para investidores com foco em médio e longo prazo.
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