A Marcopolo (POMO3; POMO4) encerrou o segundo trimestre de 2026 com crescimento de receita e produção, mas apresentou deterioração importante da rentabilidade. O lucro líquido caiu 15,5%, para R$ 271,2 milhões, enquanto o EBITDA recuou 15%, para R$ 338,6 milhões.
A receita líquida avançou 3%, atingindo R$ 2,37 bilhões, mas o crescimento não foi suficiente para compensar a combinação de matérias-primas mais caras, menor participação de produtos de maior valor agregado e desempenho mais fraco das operações internacionais.
Os números oficiais foram divulgados pela companhia em 3 de agosto.
Marcopolo no 2T26: confira os principais números
| Indicador | 2T26 | 2T25 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 2,37 bilhões | R$ 2,31 bilhões | +3,0% |
| Receita no Brasil | R$ 1,46 bilhão | R$ 1,31 bilhão | +11,3% |
| Exportações a partir do Brasil | R$ 289,9 milhões | R$ 249,4 milhões | +16,2% |
| Receita das operações no exterior | R$ 621,3 milhões | R$ 742,0 milhões | -16,3% |
| Lucro bruto | R$ 519,7 milhões | R$ 593,2 milhões | -12,4% |
| EBITDA | R$ 338,6 milhões | R$ 398,3 milhões | -15,0% |
| Lucro líquido | R$ 271,2 milhões | R$ 321,1 milhões | -15,5% |
| Lucro por ação | R$ 0,218 | R$ 0,285 | -23,3% |
| Margem bruta | 21,9% | 25,7% | -3,8 p.p. |
| Margem EBITDA | 14,3% | 17,3% | -3,0 p.p. |
| Margem líquida | 11,4% | 13,9% | -2,5 p.p. |
No acumulado do primeiro semestre, a receita atingiu R$ 4,03 bilhões, avanço de 1,2%. Já o EBITDA caiu 2,6%, para R$ 643,3 milhões, e o lucro líquido recuou 5%, chegando a R$ 535,8 milhões.
Receita cresce, mas rentabilidade da Marcopolo piora
O ponto central do balanço não foi a receita, mas a queda das margens.
O lucro bruto recuou 12,4%, de R$ 593,2 milhões para R$ 519,7 milhões. Com isso, a margem bruta caiu de 25,7% para 21,9%.
Segundo a própria Marcopolo, um dos motivos foi a maior participação de produtos de menor valor agregado. Os micro-ônibus passaram a representar 17,7% da receita líquida, ante apenas 8,2% no mesmo trimestre de 2025.
A companhia também apontou aumento nos custos de matérias-primas, especialmente derivados de petróleo. Parte das entregas ligadas aos programas Caminhos da Saúde e Caminho da Escola havia sido precificada anteriormente, dificultando o repasse integral dos custos.
A XP classificou o resultado como fraco e destacou que a margem EBITDA ficou abaixo de suas projeções e do consenso de mercado. Segundo a casa, os programas governamentais representaram mais de 40% das entregas do trimestre.
EBITDA recua 15% e margem cai para 14,3%
O EBITDA da Marcopolo passou de R$ 398,3 milhões para R$ 338,6 milhões, queda de 15%.
A margem EBITDA recuou três pontos percentuais, de 17,3% para 14,3%.
O trimestre ainda sofreu um impacto não recorrente de R$ 10,4 milhões relacionado à reestruturação da Metalsur, operação da companhia na Argentina.
Sem esse efeito, o EBITDA teria alcançado aproximadamente R$ 349 milhões, com margem de 14,7%. Ainda assim, continuaria abaixo dos números apresentados um ano antes.
Mercado brasileiro avança, mas exterior perde força
O desempenho doméstico foi um dos destaques positivos.
A receita obtida no Brasil cresceu 11,3%, chegando a R$ 1,46 bilhão. As exportações realizadas a partir das fábricas brasileiras também avançaram 16,2%, para R$ 289,9 milhões.
O problema apareceu nas fábricas internacionais: a receita dessas operações caiu 16,3%, de R$ 742 milhões para R$ 621,3 milhões.
Em unidades faturadas diretamente no exterior, a retração foi ainda mais significativa.
| Operação internacional | 2T26 | 2T25 | Variação |
|---|---|---|---|
| África do Sul | 61 | 102 | -40,2% |
| Argentina | 58 | 140 | -58,6% |
| Austrália | 170 | 142 | +19,7% |
| China | 38 | 37 | +2,7% |
| México | 67 | 272 | -75,4% |
| Total exterior | 394 | 693 | -43,1% |
México e Argentina foram, portanto, os maiores pontos de pressão. A Austrália seguiu na direção contrária e apresentou crescimento próximo de 20%.
Produção aumenta 8% e Marcopolo ganha mercado
Mesmo com o resultado financeiro mais fraco, a produção consolidada cresceu.
A Marcopolo produziu 4.105 veículos no trimestre, alta de 8% sobre as 3.800 unidades do 2T25.
No Brasil, a produção alcançou 3.675 unidades, crescimento de 19,4%. Já nas operações internacionais houve redução de 40,5%, para apenas 430 veículos.
O principal impulso doméstico veio dos micro-ônibus relacionados ao programa federal Caminhos da Saúde.
A empresa também ampliou ligeiramente sua participação na produção brasileira de carrocerias.
| Participação de mercado | 2T26 | 2T25 |
|---|---|---|
| Rodoviários | 46,1% | 53,1% |
| Urbanos | 20,5% | 26,3% |
| Micros | 63,3% | 64,7% |
| Total Marcopolo | 48,3% | 47,7% |
No primeiro semestre, a participação consolidada ficou em 46,1%.
Setor brasileiro de ônibus cresce 12%
O mercado brasileiro também permaneceu aquecido em volume.
A produção nacional de carrocerias atingiu 7.634 unidades no 2T26, crescimento de 12% sobre o mesmo período de 2025.
A produção destinada ao mercado interno cresceu 17,5%, para 6.841 unidades, enquanto as exportações recuaram 20,3%, para 793 unidades.
O destaque foi o segmento de micro-ônibus, cuja produção praticamente dobrou, avançando 97,6%, para 3.174 unidades. Rodoviários, em contrapartida, recuaram 20%, enquanto urbanos diminuíram 15,9%.
Dívida da Marcopolo continua controlada
Apesar da piora no resultado, o balanço patrimonial continua sendo um ponto de conforto.
A dívida financeira líquida consolidada terminou junho em R$ 1,82 bilhão, ante R$ 1,56 bilhão três meses antes. Entretanto, desse total, R$ 1,34 bilhão estava associado ao Banco Moneo.
Na operação industrial, que oferece uma leitura mais adequada do endividamento do negócio, a dívida líquida ficou em R$ 475,1 milhões.
Esse montante corresponde a apenas 0,3 vez o EBITDA dos últimos 12 meses, um nível relativamente baixo de alavancagem.
O caixa, equivalentes e aplicações financeiras terminaram junho em R$ 1,59 bilhão, ante R$ 1,83 bilhão ao final de março.
Dividendos de POMO4 continuam elevados?
A Marcopolo distribuiu proventos excepcionalmente altos em 2025. Segundo os dados oficiais de RI, foram aproximadamente R$ 0,94 por ação, com dividend yield de 15,7% naquele ano e payout de 94,9%.
Esse nível, porém, não deve ser interpretado automaticamente como recorrente. Historicamente, a companhia apresentou percentuais de distribuição bem menores em vários exercícios.
Com a desaceleração do lucro em 2026, a capacidade de manter pagamentos extraordinários dependerá da geração de caixa e das decisões do conselho.
A XP ainda considera o dividend yield um dos atrativos da ação, mas alerta que a pressão sobre as margens pode provocar revisões negativas nas estimativas. A casa trabalha com lucro líquido entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão em 2026, projeção que poderá ser reduzida se os atuais ventos contrários continuarem.
O que esperar de POMO4 nos próximos trimestres?
O balanço deixa uma situação dividida.
De um lado, a Marcopolo mantém 48,3% do mercado brasileiro, produção doméstica crescente, presença forte em micro-ônibus e baixo nível de endividamento industrial.
Do outro, três pontos precisam ser acompanhados: recuperação de México e Argentina, evolução dos custos de matérias-primas e capacidade de recuperar as margens.
A XP espera um cenário sazonalmente melhor no segundo semestre, com aumento dos volumes de ônibus rodoviários e algum impulso do Move Brasil. Entretanto, uma recuperação mais significativa da produção consolidada pode aparecer apenas próximo do quarto trimestre.
Para POMO3 e POMO4, portanto, o próximo teste não será simplesmente voltar a crescer receita. A questão será saber se a companhia consegue transformar o aumento de volumes em crescimento de EBITDA, lucro e margens, evitando que a atual desaceleração da rentabilidade se prolongue.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






