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Início » Últimas Notícias » Marcopolo (POMO4) despenca quase 13% e abre oportunidade: dividendos de até 18% ainda valem a pena?
Ações

Marcopolo (POMO4) despenca quase 13% e abre oportunidade: dividendos de até 18% ainda valem a pena?

Mesmo com forte queda recente, empresa mantém lucros elevados, recomendação de compra e movimentação intensa de controladores
Carlos MenezesPor Carlos Menezes21 de março de 20264 minutos lidos
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As ações da Marcopolo (POMO3 e POMO4) voltaram ao radar dos investidores após uma queda recente de aproximadamente 12,8% nos últimos 30 dias, movimento que chamou atenção especialmente de quem busca renda passiva.

Mesmo com a correção, o papel segue oferecendo um dividend yield próximo de 18%, colocando a empresa entre as mais atrativas da bolsa para investidores focados em dividendos.

A queda, no entanto, não veio acompanhada de deterioração nos fundamentos — pelo contrário. O recuo abriu espaço para entradas mais estratégicas, segundo análises de mercado.

Preço atual ainda está abaixo do consenso dos analistas

Apesar da volatilidade recente, a Marcopolo segue com forte recomendação de compra por grandes instituições financeiras.

Atualmente, o consenso de mercado indica:

  • Preço mínimo projetado: R$ 8,00
  • Preço máximo projetado: R$ 11,00
  • Preço-alvo médio: R$ 9,52
  • Cotação recente: abaixo dessas projeções

Instituições como JP Morgan, Itaú, BTG Pactual, Bradesco e Citi mantêm visão positiva para o ativo, reforçando o potencial de valorização no médio prazo.

Resultados financeiros surpreendem mesmo com juros elevados

A Marcopolo apresentou um desempenho robusto no quarto trimestre de 2025, mesmo em um cenário de juros elevados no Brasil.

Destaques financeiros:

IndicadorResultado
Receita líquida~R$ 10 bilhões
Lucro brutoR$ 2,3 bilhões
Margem bruta25%
Lucro líquidoR$ 1,24 bilhão
Margem líquida13,6%
ROIC24,1%

Os números mostram uma empresa altamente eficiente, com forte geração de caixa e rentabilidade acima da média do setor industrial — especialmente relevante em um ambiente de Selic elevada.

Dividendos seguem consistentes e atrativos

A Marcopolo mantém um histórico consistente de distribuição de proventos, com pagamentos frequentes ao longo do ano.

Nos últimos períodos, a empresa realizou:

  • Dividendos e JCP pagos ao longo de 2025
  • Distribuições recorrentes entre março e dezembro
  • Yield próximo de 17% a 18%

Para 2026, o mercado aguarda novos anúncios, que devem depender diretamente dos resultados do primeiro trimestre — previstos para maio.

Movimento dos controladores chama atenção do mercado

Um dos pontos mais relevantes no momento é o comportamento dos controladores da empresa.

Relatórios recentes indicam:

  • Compras expressivas por parte dos controladores
  • Aquisições de centenas de milhares de ações
  • Participação ativa do conselho de administração

Esse movimento costuma ser interpretado como sinal de confiança interna na empresa, já que os próprios controladores estão aumentando posição mesmo após a valorização recente.

Aluguel de ações preocupa e pode limitar alta no curto prazo

Apesar dos bons fundamentos, um fator vem gerando alerta entre investidores: o elevado volume de ações alugadas, principalmente em POMO4.

Situação atual:

  • Aproximadamente 25% das ações alugadas
  • Histórico normal entre 2% e 3%
  • Forte pressão vendedora no curto prazo

Esse nível elevado pode dificultar a valorização no curto prazo, criando um ambiente de maior volatilidade e travando movimentos de alta mais consistentes.

Já a POMO3 apresenta um cenário diferente, com cerca de 1% das ações alugadas, indicando menor pressão.

Ranking de qualidade coloca Marcopolo entre as melhores da bolsa

Mesmo com a volatilidade recente, a Marcopolo aparece entre as melhores empresas da bolsa em rankings que consideram múltiplos critérios fundamentalistas.

A companhia se destaca em:

  • Lucro por ação elevado
  • Alta rentabilidade (ROE e ROIC)
  • Dívida controlada
  • Forte geração de caixa
  • Consistência nos dividendos

O único ponto de atenção é o preço sobre valor patrimonial, que está um pouco mais elevado — algo comum em empresas com desempenho operacional acima da média.

Vale a pena investir em Marcopolo agora?

A Marcopolo combina três fatores raros no mercado atual:

  • Dividendos elevados
  • Resultados sólidos
  • Forte interesse dos controladores

Por outro lado, o alto volume de ações alugadas pode limitar o desempenho no curto prazo.

Para investidores de longo prazo focados em renda passiva, a queda recente pode representar uma oportunidade estratégica de entrada — especialmente se a empresa mantiver o nível atual de lucratividade.

O próximo grande gatilho será a divulgação dos resultados do 1T26, que deve indicar se a companhia continuará entregando crescimento mesmo em um cenário macroeconômico desafiador.

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Carlos Menezes
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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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