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Início » Últimas Notícias » Marcopolo (POMO4) cai na Bolsa mesmo com lucro maior e dividendos no radar
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Marcopolo (POMO4) cai na Bolsa mesmo com lucro maior e dividendos no radar

Ação da fabricante de ônibus acumula pressão no curto prazo, mas resultados do 1T26 mostram lucro de R$ 264,6 milhões, margem maior e expectativa com contratos do Caminho da Escola
Mariana DuartePor Mariana Duarte8 de junho de 20265 minutos lidos
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A Marcopolo (POMO4) voltou a chamar atenção dos investidores após uma sequência de instabilidade na Bolsa. A ação da fabricante de carrocerias de ônibus opera próxima da faixa de R$ 5,70, abaixo das máximas vistas nos últimos 12 meses, o que reacendeu o debate sobre uma possível oportunidade no papel ou apenas uma correção justificada pelo cenário mais difícil para o setor industrial.

Apesar da pressão recente nas cotações, os dados mais atualizados da companhia mostram que a empresa segue lucrativa. No primeiro trimestre de 2026, a Marcopolo registrou lucro líquido de R$ 264,6 milhões, alta de 8,8% em relação ao mesmo período de 2025. A receita líquida ficou em R$ 1,66 bilhão, enquanto o Ebitda alcançou R$ 304,8 milhões, com margem de 18,4%.

O contraste entre queda da ação e resultado operacional positivo é o ponto central da análise. De um lado, o mercado ainda vê riscos ligados a juros elevados, menor ritmo de renovação de frotas e volatilidade do setor. De outro, a companhia mantém margens fortes, posição relevante no mercado brasileiro e histórico recente de pagamento de dividendos.

Lucro cresce mesmo com queda na produção

O resultado do 1T26 mostra uma Marcopolo mais rentável, ainda que com menor volume produzido. A produção total da companhia foi de 2.997 unidades no trimestre, queda de 9% sobre o 1T25. Mesmo assim, o lucro avançou, mostrando ganho de eficiência e melhor composição de margens.

A empresa também manteve participação relevante no mercado nacional. No Brasil, a Marcopolo respondeu por 43,5% da produção de carrocerias de ônibus no primeiro trimestre de 2026. Esse dado reforça a posição competitiva da companhia em um setor concentrado e diretamente ligado à renovação de frotas urbanas, rodoviárias e escolares.

Indicador da Marcopolo1T26Comparação anual
Receita líquidaR$ 1,66 bilhão-1,3%
EbitdaR$ 304,8 milhões+16,3%
Margem Ebitda18,4%alta de 2,8 p.p.
Lucro líquidoR$ 264,6 milhões+8,8%
Produção total2.997 unidades-9,0%
Market share no Brasil43,5%posição relevante

Dividendos seguem como atrativo de POMO4

Além do lucro, os dividendos continuam sendo um dos principais pontos de interesse em Marcopolo. Em abril de 2026, a companhia aprovou o pagamento de juros sobre capital próprio de R$ 0,085 por ação, com pagamento a partir de 8 de maio de 2026.

No histórico recente, a remuneração ao acionista ganhou força. Segundo dados da própria Marcopolo, os dividendos e JCP por ação somaram R$ 0,936 em 2025, o que representou dividend yield de 15,7% com base no preço da ação no último dia útil daquele ano.

Esse patamar ajuda a explicar por que POMO4 aparece entre os papéis observados por investidores que buscam renda passiva. Porém, é importante destacar que dividend yield elevado também pode refletir queda no preço da ação. Por isso, o investidor precisa avaliar se os pagamentos são sustentáveis com base em lucro, caixa, endividamento e perspectivas de demanda.

ProventoValor por açãoData-comPagamento
JCP 2026R$ 0,08524/04/202608/05/2026
Dividendos e JCP em 2025R$ 0,936ano-base 2025ao longo do ano
Dividend yield 202515,7%base RI Marcopolofechamento de 2025

Caminho da Escola pode impulsionar vendas em 2026

Outro fator positivo no radar é o programa Caminho da Escola. Em abril de 2026, a Marcopolo foi apontada como a principal vencedora da licitação, assegurando 7.210 dos 7.470 ônibus escolares ofertados, o equivalente a cerca de 97% do volume.

Esse contrato pode ajudar a compensar parte da fraqueza observada no mercado doméstico, especialmente em um ambiente de juros altos, que costuma atrasar decisões de compra e renovação de frotas. O efeito, no entanto, depende do cronograma de produção, entrega e reconhecimento das receitas ao longo dos próximos trimestres.

A XP avaliou os resultados do 1T26 como neutros, mas destacou que os volumes devem melhorar daqui em diante, justamente com o suporte de novos pedidos e melhora na carteira da companhia.

Expansão internacional ajuda mas não elimina riscos

A Marcopolo também tenta reduzir a dependência do mercado brasileiro com crescimento internacional. Em 2026, a companhia passou a olhar com mais força para exportações e novos mercados, incluindo América Latina e Europa. Segundo a Reuters, a empresa busca compensar a desaceleração no Brasil com maior presença fora do país, após as operações internacionais ganharem peso relevante na receita de 2025.

Essa estratégia pode abrir novas frentes de crescimento, mas também traz riscos. A empresa fica exposta ao câmbio, à demanda externa, a custos logísticos e à necessidade de adaptação de produtos em mercados diferentes.

No Brasil, o principal desafio segue sendo a Selic elevada. Juros altos encarecem financiamentos e podem adiar a renovação de frotas por empresas de transporte, prefeituras e operadores privados. Para uma fabricante de ônibus, esse fator pesa diretamente sobre o volume de pedidos.

POMO4 está barata ou ainda exige cautela?

A queda recente de POMO4 deixou a ação em uma faixa que chama atenção de investidores em busca de empresas lucrativas e pagadoras de dividendos. O papel negocia abaixo das máximas recentes, enquanto a companhia segue entregando lucro, margem elevada e contratos relevantes.

Ainda assim, a leitura exige cautela. A Marcopolo tem bons fundamentos, mas atua em um setor cíclico, dependente de investimentos em transporte, crédito e decisões públicas. Além disso, a ação ainda mostra volatilidade no curto prazo, o que pode incomodar investidores com menor tolerância a risco.

Para o investidor de longo prazo, POMO4 continua sendo uma empresa a acompanhar por três motivos principais: liderança no setor de ônibus, rentabilidade elevada e histórico recente de dividendos. Para quem busca entrada no curto prazo, o ideal é observar se a melhora operacional será suficiente para reverter a pressão no preço da ação.

No fim, a Marcopolo mostra um cenário misto: a Bolsa cobra cautela, mas os números da companhia ainda sustentam interesse. O próximo teste será transformar contratos, margens e expansão internacional em crescimento consistente nos próximos trimestres.

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Mariana Duarte
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Mariana Duarte é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com mais de 10 anos de experiência em redações de portais nacionais e especialização em jornalismo digital. Na A Revista, acompanha economia, empresas, mercados e tecnologia ligada a negócios. Trabalha com linguagem acessível, atribuição de fontes e verificação de dados e documentos.

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