As ações da Magazine Luiza (MGLU3) acumulam uma expressiva valorização de aproximadamente 60% somente em 2025, reacendendo o debate sobre uma possível retomada da antiga força da empresa, que já figurou entre as gigantes da Bolsa e se tornou símbolo do varejo digital brasileiro.
O ritmo acelerado da ação contrasta com um cenário ainda desafiador nos lucros, mas o mercado passou a enxergar sinais claros de recuperação operacional e melhora no fluxo de caixa — fatores que indicam uma virada estrutural caso a taxa Selic finalmente comece a recuar.
Resultados recentes mostram avanço operacional, mas lucro segue pressionado
A comparação entre o 3º trimestre de 2025 e o 3º trimestre de 2024 mostra um desempenho misto:
Receita e margens
Receita líquida: estável em cerca de R$ 9 bilhões no trimestre.
Lucro bruto: também praticamente estável, refletindo a forte concorrência do varejo.
EBITDA ajustado: permaneceu próximo de R$ 711 milhões, com crescimento leve, mas consistente.
EBITDA operacional (não ajustado): avanço de quase 10%, indicando melhora clara na eficiência da operação.
Lucro líquido
Lucro líquido ajustado: queda de 70 para 21 milhões.
Lucro contábil: recuo de 17%.
No acumulado do ano, o lucro cai mais de 50%, reforçando que a pressão financeira ainda pesa.
O ponto central é que o lucro não acompanha a melhora operacional — e isso tem uma explicação clara: resultado financeiro ainda muito negativo, consequência de anos de juros elevados e de um endividamento que cresceu de forma agressiva no passado.
Endividamento controlado, mas longe da fase dourada
Em 2025, a Magazine Luiza apresenta:
Dívida líquida / EBITDA: 1,4x, nível considerado equilibrado.
Caixa: R$ 15,5 bilhões.
Dívida bruta: aprox. R$ 6 bilhões.
Mesmo com a relação dívida/EBITDA confortável, o histórico recente mostra que a empresa precisou recorrer a emissões de ações para reforçar a estrutura de capital. A fase de maior aperto ficou para trás, mas os efeitos ainda refletem no resultado financeiro.
No passado, a Magalu chegou a ter mais caixa do que dívida, o que impulsionou lucros muito maiores. Hoje, a realidade é oposta: os juros altos engolem parte relevante do resultado, impedindo que o lucro acompanhe o forte desempenho operacional.
Indicadores mostram melhora, mas a empresa ainda não voltou ao auge
Com base na cotação de R$ 10,28 em 28/11, os principais indicadores são:
Valor de mercado: R$ 7,6 bilhões
Dividend yield: 3% ao ano (surpreendente para uma empresa de crescimento)
ROE: 3% (muito abaixo do ideal de 10%)
Margem líquida: 1%
P/L: 20x
Embora o múltiplo de 20x pareça alto à primeira vista, é importante lembrar que, na fase de expansão acelerada entre 2016 e 2020, a Magalu chegou a negociar acima de 80x, 100x ou até 200x lucro.
Hoje, a ação está muito mais barata do que no auge, mas ainda depende de crescimento para justificar múltiplos maiores.
Histórico revela expansão recorde e a razão do lucro baixo: custo da dívida
Os números históricos deixam claro onde está o gargalo:
Receita (em bilhões)
2019: R$ 29 bilhões
2020: aceleração das vendas online
2025: R$ 38,3 bilhões — maior patamar da história
EBITDA
2019: R$ 1,6 bilhão
2025: R$ 3 bilhões, praticamente o dobro
O lado operacional nunca esteve tão forte.
Lucro
2019: R$ 922 milhões
2025: R$ 367 milhões
A grande diferença?
Resultado financeiro
2019: –R$ 70 milhões
2025: muito mais pesado, consumindo grande parte da geração de caixa.
A empresa não piorou no operacional — ela piorou na dívida, e os juros altos amplificaram essa ferida.
Fluxo de caixa operacional cresce e anima investidores
Um dos pontos mais positivos no momento é o forte crescimento da geração de caixa:
O fluxo de caixa operacional está bem acima da média histórica.
A empresa tem gerado caixa livre mesmo após investimentos, o que melhora capacidade de pagamento e abre margem para:
redução de dívida,
possíveis recompras de ações,
expansão de projetos rentáveis.
Essa evolução ajuda a explicar por que a ação subiu mesmo com lucro pressionado.
Por que a ação disparou 60% em 2025?
Três fatores principais:
1. Expectativa de queda da Selic
Um juro mais baixo melhora diretamente o resultado financeiro da Magalu — hoje o maior problema.
2. Operacional forte e EBITDA recorde
O mercado está de olho no crescimento consistente do EBITDA, que mostra que a empresa voltou a operar no “modo saudável”.
3. Ação ainda barata comparada ao passado
Mesmo após subir 60%, MGLU3 ainda vale uma fração do que valia quando atingiu R$ 250 por ação em seu período de ouro.
Vale a pena investir em Magazine Luiza agora?
A Magalu não é uma ação para quem busca estabilidade ou dividendos recorrentes. O varejo segue extremamente competitivo, com margens apertadas e grande sensibilidade ao ciclo econômico.
Mas para quem busca oportunidade e potencial de valorização, o cenário atual traz pontos favoráveis:
Pontos positivos
EBITDA em alta
Fluxo de caixa forte
Dívida controlada
Possíveis cortes de juros no horizonte
A ação ainda está bem abaixo dos patamares históricos
Pontos de atenção
Lucro segue pressionado
Resultado financeiro elevado
Setor de varejo é altamente competitivo
Empresa é cíclica e sensível à economia
Se o ciclo de queda da Selic se confirmar, a Magalu tem potencial de entregar uma das maiores recuperações da Bolsa. O momento atual é favorável para investidores que aceitam volatilidade e buscam valorização no médio prazo.
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