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Início » Últimas Notícias » Klabin (KLBN11) tem prejuízo de R$ 497 milhões no 1T26: dólar, celulose e dívida pressionam ação
Ações

Klabin (KLBN11) tem prejuízo de R$ 497 milhões no 1T26: dólar, celulose e dívida pressionam ação

Mesmo vendendo mais no trimestre, a Klabin viu o lucro virar prejuízo, com Ebitda menor, fluxo de caixa negativo e cenário ainda desafiador para 2026
Luciana RibeiroPor Luciana Ribeiro14 de maio de 20267 minutos lidos
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A Klabin (KLBN11) começou 2026 sob pressão na Bolsa após divulgar um primeiro trimestre com sinais contraditórios: a companhia vendeu mais, aumentou volumes em diferentes segmentos e manteve parte da força operacional, mas encerrou o período com prejuízo líquido de R$ 497 milhões, revertendo lucro de R$ 446 milhões registrado no mesmo trimestre de 2025.

O resultado reforça a cautela do mercado com empresas ligadas a commodities, especialmente em um ambiente de dólar mais baixo, preços pressionados da celulose, custos mais altos e dívida ainda relevante. A análise do esboço fornecido também aponta esse ponto central: a Klabin continua sendo uma empresa sólida e diversificada, mas 2026 pode ser um ano mais difícil do que parte dos investidores esperava.

Principais números da Klabin no 1T26

A receita líquida da Klabin somou R$ 4,95 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 2% na comparação anual. O Ebitda ajustado ficou em R$ 1,669 bilhão, queda de 10% frente ao 1T25, com margem Ebitda de 34%, abaixo dos 38% registrados um ano antes.

IndicadorResultado no 1T26Comparação
Receita líquidaR$ 4,95 bilhões+2% em 12 meses
Ebitda ajustadoR$ 1,669 bilhão-10% em 12 meses
Margem Ebitda ajustada34%queda de 4 p.p.
Resultado líquidoPrejuízo de R$ 497 milhõesreverte lucro de R$ 446 milhões
Volume total vendido1,016 milhão de toneladas+12% em 12 meses
Vendas de celulose401 mil toneladas+16% em 12 meses
Vendas de papéis356 mil toneladas+15% em 12 meses
Expedição de embalagens408 milhões de m²+3,6% em 12 meses
Alavancagem em dólar3,3x dívida líquida/Ebitdaestável ante 4T25
Alavancagem em reais3,1x dívida líquida/Ebitdaqueda de 0,2x ante 4T25

Os dados mostram que o problema da Klabin não foi falta de volume. Pelo contrário: a companhia vendeu mais celulose, papéis e embalagens. O ponto negativo foi que esse crescimento não se converteu em lucro, por causa da combinação de câmbio, preços, custos e despesas financeiras.

Por que a Klabin teve prejuízo mesmo vendendo mais?

A principal explicação está na pressão sobre margens. A valorização do real frente ao dólar reduziu o efeito positivo das vendas externas quando convertidas para reais. Para uma empresa exportadora, o dólar mais baixo tende a diminuir a receita em moeda local, mesmo quando o volume vendido cresce.

Além disso, a celulose passou por um ambiente mais desafiador, com preços pressionados e maior oferta global. A Klabin conseguiu aumentar as vendas de celulose em 16%, mas a receita do segmento ficou praticamente estável, justamente porque o preço da commodity e o câmbio limitaram o ganho financeiro.

Outro fator relevante foi o aumento de custos e despesas. A companhia também teve impacto de parada programada de manutenção na unidade de Monte Alegre, que durou 14 dias e teve custo direto de R$ 124 milhões, pressionando o desempenho operacional no trimestre.

Dólar menor virou um dos maiores problemas para KLBN11

O câmbio foi um dos pontos mais importantes do balanço. Como parte relevante das receitas da Klabin tem ligação com o mercado externo, a queda do dólar reduz a conversão da receita para reais. Isso ajuda a explicar por que o volume vendido cresceu 12%, mas a receita líquida avançou apenas 2%.

Na prática, a Klabin produziu e vendeu mais, mas não conseguiu transformar esse crescimento em expansão proporcional de receita e lucro. Esse efeito preocupa porque, se o dólar permanecer em patamar mais baixo nos próximos trimestres, a pressão sobre os resultados pode continuar.

Dívida e fluxo de caixa também exigem atenção

A Klabin encerrou o 1T26 com alavancagem de 3,3 vezes em dólar, medida pela relação dívida líquida/Ebitda ajustado, em linha com o trimestre anterior. Em reais, a alavancagem ficou em 3,1 vezes, com redução de 0,2 vez frente ao 4T25.

Apesar da melhora gradual, a dívida ainda pesa no valuation da companhia. A Klabin fez grandes investimentos nos últimos anos para ampliar capacidade produtiva, e agora o mercado espera que esses projetos gerem caixa suficiente para reduzir a alavancagem.

O fluxo de caixa livre também veio negativo. Segundo análises de mercado, a companhia reportou fluxo de caixa livre negativo de R$ 404 milhões no 1T26; excluindo dividendos e projetos de expansão, o fluxo ajustado ficou negativo em R$ 102 milhões.

Segmentos de papel e embalagens ajudaram a conter a pressão

Apesar do resultado final negativo, nem tudo foi ruim no balanço. O negócio de papéis teve alta de 15% no volume vendido, enquanto embalagens avançaram 3,6% em expedição. A receita de embalagens também foi sustentada por segmentos mais resilientes, como alimentos, higiene, limpeza e frutas.

Essa diversificação é uma das principais vantagens da Klabin em relação a empresas mais concentradas em celulose. A companhia atua em celulose, papéis, embalagens e papel-cartão, o que reduz parte da volatilidade operacional.

Mesmo assim, a diversificação não elimina o impacto de um ciclo negativo. Quando dólar, celulose, custos e juros pressionam ao mesmo tempo, a empresa sente o efeito no lucro e no caixa.

Dividendos da Klabin ainda são atrativos?

A Klabin segue no radar de investidores que buscam dividendos, mas o momento exige cautela. O resultado do 1T26 mostra que a empresa não deve ser analisada apenas pelo histórico de distribuição. Em companhias industriais e de commodities, dividendos dependem diretamente da geração de caixa, do nível de dívida, do capex e do ciclo de preços.

No esboço, a análise destaca que a Klabin não deve ser tratada como uma ação puramente de dividendos no curto prazo, já que a tese depende mais da recuperação operacional, da melhora do fluxo de caixa e da redução da alavancagem.

O que pode mudar para a Klabin em 2026?

O mercado acompanha quatro fatores principais para KLBN11 ao longo de 2026:

FatorPor que importa
DólarCâmbio mais alto melhora a conversão das receitas externas
CeluloseRecuperação de preços pode impulsionar margens
DívidaRedução da alavancagem melhora percepção de risco
CapexMenor investimento pode liberar mais fluxo de caixa

A Fitch reafirmou o rating de crédito da Klabin em “BB+” na escala global e revisou a perspectiva de estável para positiva, citando expectativa de redução da alavancagem líquida, geração de caixa mais forte, menor nível de investimentos e política de dividendos mais conservadora.

Esse ponto mostra que, apesar do prejuízo contábil no trimestre, parte do mercado ainda vê espaço para melhora estrutural se a companhia entregar desalavancagem e geração de caixa nos próximos períodos.

Vale a pena investir em Klabin agora?

A Klabin continua sendo uma empresa relevante, integrada e com posição forte no setor de papel, celulose e embalagens. O problema é que a ação está exposta a variáveis que a companhia não controla totalmente, como dólar, preço da celulose e demanda global.

Para o investidor de curto prazo, o cenário ainda é desafiador. O prejuízo no 1T26, o Ebitda menor e o fluxo de caixa negativo reforçam a necessidade de cautela.

Para quem olha o longo prazo, a tese depende de uma combinação de fatores: recuperação do câmbio, melhora da celulose, queda do capex, aumento da geração de caixa e redução da dívida. Se esses pontos avançarem, KLBN11 pode voltar a ganhar força. Se demorarem, a ação pode continuar pressionada.

O resultado mais recente não destrói a tese da Klabin, mas muda o tom da análise. A empresa segue forte, porém o momento pede mais paciência, seletividade e atenção ao preço de entrada.

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Luciana Ribeiro
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Luciana Ribeiro é contadora e consultora tributária, com mais de 12 anos de experiência no setor fiscal. Na A Revista, explica Imposto de Renda, tributação de investimentos, regras aplicáveis a pessoas e empresas e mudanças na legislação. Identifica o período de vigência das normas e ressalta quando casos individuais exigem orientação específica.

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