A Klabin (KLBN11, KLBN4, KLBN3) encerrou 2025 com um quarto trimestre fraco e reacendeu um antigo questionamento do mercado: trata-se de uma “eterna promessa” ou de uma empresa em fase de transição para um novo ciclo de geração de valor?
No 4T25, o lucro líquido recuou cerca de 69% a 70% na comparação anual, fechando próximo de R$ 168 milhões. A queda expressiva foi provocada por uma combinação de fatores: paradas programadas para manutenção industrial, impacto cambial com dólar mais fraco no período e pressão nos preços internacionais da celulose.
Apesar do choque no lucro, o mercado reagiu de forma mais equilibrada, refletindo que parte dos investidores está olhando além do trimestre.
Produção e vendas: trimestre fraco, ano mais consistente
A produção total no quarto trimestre apresentou leve retração, com impacto maior na celulose, principal produto da companhia. No consolidado anual, no entanto, o volume produzido cresceu cerca de 3%, com avanço também na produção de papéis.
Já o volume vendido no 4T25 teve crescimento marginal, ao redor de 1%, enquanto no acumulado do ano a expansão foi próxima de 4%. O desempenho indica que o problema foi mais concentrado no trimestre do que estrutural no ano.
A receita líquida do 4T25 recuou aproximadamente 2%, ao mesmo tempo em que o custo dos produtos vendidos subiu cerca de 9%. Essa combinação pressionou fortemente o lucro bruto, que caiu em torno de 30% na comparação anual trimestral.
Indicadores financeiros consolidados de 2025
Mesmo com a pressão no lucro líquido, os números operacionais mostram outro ângulo da história:
| Indicador 2025 | Resultado | Variação anual |
|---|---|---|
| EBITDA Ajustado | R$ 7,8 bilhões | +7% |
| Lucro Líquido (ano) | Queda de ~18% | -18% |
| Dívida Líquida/EBITDA | 3,3x | melhora vs. 4,5x |
| Caixa disponível | ~R$ 10,9 bilhões | alta trimestral |
| Dívida bruta | ~R$ 36,8 bilhões | aumento |
O EBITDA ajustado cresceu 7% no ano, sinalizando que a operação industrial segue resiliente. Já a alavancagem caiu de aproximadamente 4,5x para 3,3x Dívida Líquida/EBITDA em 12 meses, mostrando avanço relevante na desalavancagem.
A dívida bruta permanece elevada, próxima de R$ 36,8 bilhões, com grande parte denominada em moeda estrangeira. Por outro lado, o caixa robusto ajuda a mitigar riscos de curto prazo.
Impacto do câmbio: dois lados da moeda
A Klabin é exportadora relevante: cerca de 47% do volume vendido é direcionado ao mercado externo. Porém, apenas cerca de 35% da receita vem de exportações, enquanto 65% é gerada no mercado interno.
A queda do dólar no fim de 2025 reduziu a conversão das receitas externas. Em contrapartida, como boa parte da dívida está em dólar, o câmbio mais baixo também alivia a pressão sobre o endividamento. O efeito líquido tende a ser parcialmente compensatório.
Dividendos: rendimento elevado é sustentável?
Em 2025, o dividend yield ficou acima da média histórica da companhia, próximo de 9% em determinados momentos. Contudo, esse patamar não é recorrente.
Considerando payout médio em torno de 60% a 65% e o lucro consolidado de 2025, projeções mais conservadoras indicam dividend yield estrutural entre 4,5% e 5% para os próximos ciclos, caso não haja expansão relevante do lucro.
Historicamente, a Klabin oscilou entre dividendos de 4% a 7%, com raros picos acima disso.
Valuation: cara ou descontada?
O debate sobre as ações da Klabin gira em torno da precificação:
P/VP acima de 2x em determinados momentos
ROE em torno de 18%, abaixo de algumas concorrentes do setor
Forte necessidade histórica de capital para expansão
Ao mesmo tempo, parte do mercado enxerga a faixa entre R$ 17 e R$ 20 como região potencialmente descontada frente ao ciclo de maturação dos projetos Puma I e II.
Projeções para 2026 e 2027 consideram:
Ganhos de eficiência operacional
Redução gradual do capex
Maior conversão de EBITDA em fluxo de caixa
Continuidade da desalavancagem
Comparação histórica: performance da ação
Nos últimos cinco anos, a valorização acumulada das ações da Klabin foi modesta, próxima de um dígito em determinados recortes, enquanto o Ibovespa superou 60% no mesmo intervalo.
Considerando inflação acumulada superior a 30% no período, o ganho real foi limitado, alimentando a percepção de “promessa não entregue”.
Veredito: eterna promessa ou tese em transição?
Para investidores focados em valorização rápida, a Klabin pode frustrar no curto prazo, especialmente após a queda de 70% no lucro trimestral.
Para quem adota visão de longo prazo, o cenário é diferente: a empresa encerra um ciclo pesado de investimentos, melhora indicadores de alavancagem e mantém EBITDA crescente.
A virada estrutural depende de três fatores centrais:
Recuperação consistente dos preços da celulose
Controle de custos industriais
Redução contínua da alavancagem
Se esses vetores se confirmarem, 2026 e 2027 podem marcar uma transição de “empresa que investe” para “empresa que gera caixa”.
O debate sobre ser ou não uma eterna promessa continua aberto. O que os números mostram é que o trimestre foi fraco, mas a estrutura financeira está menos pressionada do que no ciclo anterior — e é justamente essa transição que o mercado começa a precificar.
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