O setor elétrico brasileiro voltou ao centro das atenções nesta semana após o JP Morgan revisar sua recomendação para a ISA Energia Brasil (ISAE3). O banco elevou a classificação do papel de venda para compra e ajustou o preço-alvo de R$ 26,50 para R$ 30, indicando um potencial de valorização próximo de 20% até o fim de 2026.
A mudança de postura chama atenção porque ocorre em um momento em que grande parte do mercado vinha evitando ações elétricas, alegando falta de margem de segurança após a forte alta recente dos papéis do setor.
Ação vinha ficando para trás no setor
Segundo o JP Morgan, a ISA Energia apresentou desempenho inferior ao de outras companhias do setor elétrico nos últimos meses, criando uma assimetria de risco mais favorável para alta. Para os analistas, esse “atraso” abre espaço para reprecificação, especialmente diante de mudanças relevantes no cenário macroeconômico e regulatório.
No pregão mais recente, as ações da companhia operavam na faixa dos R$ 27, refletindo o impacto imediato da nova recomendação no humor do mercado.
Litígios regulatórios podem destravar valor bilionário
Um dos principais pontos da revisão envolve discussões regulatórias antigas relacionadas a investimentos realizados pela companhia que não foram devidamente remunerados no passado. De acordo com o banco, esses processos podem representar cerca de R$ 500 milhões em valor presente líquido adicional.
Esses litígios envolvem negociações com o governo do Estado de São Paulo e podem ser solucionados a partir de 2026. Qualquer desfecho diferente do cenário atual em que a empresa arca com custos sem compensação tende a gerar valor relevante para os acionistas.
Queda da Selic pode impulsionar lucro e dividendos
Outro fator-chave da análise é o cenário de juros. A ISA Energia é uma empresa estruturalmente alavancada, característica comum do setor de transmissão. Com isso, a despesa financeira pesa nos resultados.
Segundo as estimativas do JP Morgan, cada queda de 1 ponto percentual na Selic pode elevar o lucro da companhia em cerca de 3%, mantendo as demais variáveis constantes. Esse ganho tem impacto direto sobre a geração de caixa e o potencial de dividendos futuros.
Dividendos extraordinários entram no radar
Além do efeito positivo da redução dos juros, o banco avalia que eventuais recursos provenientes dos litígios regulatórios podem ser usados de duas formas estratégicas: redução da alavancagem ou distribuição de dividendos extraordinários.
Em um contexto de debates sobre tributação de dividendos no Brasil, uma distribuição antecipada e extraordinária poderia beneficiar diretamente os acionistas, adicionando mais um catalisador para o papel.
Pressão vendedora pode virar oportunidade
O relatório também menciona a possível continuidade da pressão vendedora decorrente do processo de desinvestimento da Axia, acionista relevante da companhia. Embora essa movimentação possa gerar volatilidade no curto prazo, analistas avaliam que, se os fundamentos permanecerem sólidos, quedas provocadas por esse fator podem representar oportunidades para investidores de longo prazo.
Empresa segue atrativa no longo prazo
Mesmo após a valorização recente, a ISA Energia mantém um dividend yield próximo de 11% nos últimos 12 meses, patamar considerado elevado para o setor. Para analistas, o papel segue interessante sob uma ótica de longo prazo, especialmente em um cenário de normalização dos juros e resolução de pendências regulatórias.
A revisão do JP Morgan reforça a ideia de que o mercado está começando a reavaliar o setor elétrico, olhando menos para o passado recente e mais para os catalisadores que podem destravar valor nos próximos anos.
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