A busca por ações de dividendos voltou a ganhar força entre investidores que acompanham empresas tradicionais da Bolsa brasileira. Nomes como Itaú Unibanco, Itaúsa, Cemig, Klabin e Suzano aparecem no centro das discussões por motivos diferentes: remuneração ao acionista, queda nas cotações, exposição a ciclos de commodities e movimentações de grandes investidores.
No caso do Itaú Unibanco, a comparação entre ITUB3 e ITUB4 chamou atenção porque as ações preferenciais historicamente costumam negociar com maior liquidez. O banco informa que remunera acionistas desde julho de 1980 por meio de dividendos e juros sobre capital próprio, com distribuição igual para ações ordinárias e preferenciais.
A discussão, porém, não se limita ao dividendo. Para pequenos investidores, a diferença entre ITUB3 e ITUB4 precisa considerar preço, liquidez, tributação em caso de venda com lucro e custos de troca de posição. Mesmo que uma ação pareça mais descontada, uma eventual “arbitragem” pode não compensar se houver imposto de renda, spread e taxas.
Itaúsa ainda depende fortemente do Itaú
A Itaúsa (ITSA4) segue sendo uma das holdings mais conhecidas da Bolsa, mas sua tese continua muito ligada ao desempenho do Itaú. A companhia mantém política de dividendo mínimo de 25% do lucro líquido ajustado e prevê proventos trimestrais de R$ 0,02 líquidos por ação, além de pagamentos adicionais quando a administração considerar adequado.
No primeiro trimestre de 2026, a Itaúsa registrou lucro líquido recorrente de R$ 4,5 bilhões, alta de 17% na comparação anual, segundo dados divulgados ao mercado. O desempenho foi sustentado principalmente pelo Itaú Unibanco e pela recuperação das investidas não financeiras.
Klabin e Suzano sofrem com ciclo ruim da celulose
Já Klabin e Suzano vivem outro momento. As empresas do setor de papel e celulose são mais sensíveis ao ciclo internacional da commodity, ao câmbio e à demanda global. A Suzano é a maior produtora mundial de celulose e uma das maiores fabricantes de papéis da América Latina.
Com preços mais pressionados da celulose e resultados operacionais mais fracos em relação aos picos recentes, as ações do setor passaram por forte correção. Esse tipo de movimento não é incomum em empresas cíclicas: quando o ciclo está favorável, lucros e dividendos podem crescer; quando vira, as cotações costumam sofrer com intensidade.
Para investidores de longo prazo, o setor pode parecer mais atrativo após quedas expressivas, mas exige tolerância à volatilidade. Suzano historicamente não é vista como uma grande pagadora recorrente de dividendos, enquanto Klabin também pode ter períodos de menor distribuição dependendo do lucro, alavancagem e ciclo de investimentos.
Cemig chama atenção por dividendos e grandes acionistas
A Cemig também entrou no radar por causa da queda recente das ações e da presença de investidores relevantes na companhia. A empresa continua sendo uma das elétricas mais acompanhadas da Bolsa, especialmente por quem busca dividendos, exposição ao setor de energia e ativos considerados mais defensivos.
A tese em Cemig envolve fatores como distribuição de lucro, controle estatal, regulação do setor elétrico, privatização ou não da companhia e movimentos de acionistas relevantes. Para o investidor pessoa física, o ponto principal é entender que ações ordinárias e preferenciais podem ter liquidez, direitos e comportamentos de mercado diferentes.
Principais pontos para observar
| Empresa | Tese principal | Ponto de atenção |
| Itaú | Banco lucrativo e pagador recorrente | Diferença entre ITUB3 e ITUB4 |
| Itaúsa | Holding com foco em dividendos | Forte dependência do Itaú |
| Cemig | Elétrica com apelo de dividendos | Risco político e regulação |
| Klabin | Papel e celulose no ciclo baixo | Volatilidade e possível queda de lucro |
| Suzano | Líder global em celulose | Preço da celulose e câmbio |
Rentabilidade passada não garante resultado futuro
O esboço também cita uma carteira que teria rendido acima do Ibovespa e do CDI em determinados períodos. Esse tipo de comparação pode ser útil para avaliar estratégia, mas precisa ser lido com cautela. Uma carteira pode superar o mercado em uma janela e ficar abaixo em outra, especialmente em períodos de crise.
O mais importante é observar consistência, diversificação, controle de risco, reinvestimento de dividendos e capacidade de atravessar ciclos negativos sem decisões impulsivas.
Itaú e Itaúsa seguem como nomes fortes para quem busca previsibilidade e dividendos no setor financeiro. Cemig combina potencial de renda com riscos políticos e regulatórios. Klabin e Suzano, por outro lado, dependem mais da recuperação do ciclo da celulose e exigem visão de médio e longo prazo.
Para o investidor, a principal lição é clara: dividendos importam, mas não devem ser analisados isoladamente. Preço, qualidade do negócio, endividamento, ciclo econômico e risco setorial precisam entrar na conta.
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