A Itaúsa (ITSA4) confirmou que participa, por meio da Livorno Participações, do processo para escolha do investidor de referência da Copasa (CSMG3), companhia de saneamento de Minas Gerais. A proposta mira a aquisição de ações equivalentes a 30% do capital total da estatal mineira.
A Livorno será dividida entre os atuais acionistas da Aegea, com participações próximas de 33% para cada grupo. A própria Aegea terá até 1% do capital da estrutura.
O que está em jogo para ITSA4
A operação pode marcar um avanço importante da Itaúsa no setor de saneamento, área considerada defensiva, regulada e com potencial de crescimento no longo prazo. A holding já tem exposição ao segmento por meio da Aegea e, caso a proposta avance, passaria a ter também uma participação indireta relevante na Copasa.
O processo ainda não está concluído. A divulgação do investidor finalista está prevista para 27 de maio de 2026, enquanto a definição do investidor selecionado deve ocorrer em 1º de junho de 2026.
Dívida pode subir, mas cenário não parece crítico
A principal preocupação do mercado está no tamanho do aporte. Se a oferta total ficar próxima de R$ 9 bilhões, a fatia econômica da Itaúsa poderia exigir algo ao redor de R$ 3 bilhões, considerando sua participação aproximada de um terço na Livorno.
Isso elevaria a dívida da holding, mas não necessariamente colocaria a empresa em situação delicada. A Itaúsa tem como principal ativo o Itaú Unibanco, uma das maiores geradoras de lucro e dividendos da Bolsa brasileira, o que ajuda a sustentar sua capacidade financeira.
| Ponto analisado | Possível impacto para a Itaúsa |
| Aporte estimado | Pode exigir cerca de R$ 3 bilhões da holding |
| Dívida | Tende a subir no curto prazo |
| Dividendos | Podem ficar mais pressionados se a empresa priorizar desalavancagem |
| Estratégia | Reforça exposição a saneamento e infraestrutura |
| Risco | Processo ainda depende da escolha do investidor vencedor |
E os dividendos da Itaúsa?
No curto prazo, a operação pode limitar parte do espaço para aumentos mais agressivos de dividendos, especialmente se a holding decidir reduzir a alavancagem mais rapidamente. Ainda assim, o impacto tende a ser administrável, já que a Itaúsa possui fluxo recorrente de dividendos vindo do Itaú.
Para o investidor, o ponto central é o prazo. A Copasa pode exigir investimentos relevantes após a privatização, principalmente para expansão e universalização dos serviços de saneamento. Isso significa que o retorno pode ser mais forte no longo prazo, e não imediatamente em dividendos.
A entrada da Itaúsa na disputa pela Copasa muda o perfil de crescimento da holding, mas não destrói a tese de dividendos de ITSA4. O movimento aumenta a exposição a infraestrutura e saneamento, setores com potencial de geração de valor, porém exige paciência do investidor.
O principal risco está no preço pago e no tempo necessário para a Copasa entregar ganhos de eficiência. Se a operação for bem executada, a Itaúsa pode transformar um aumento temporário de dívida em uma nova fonte de valor para os acionistas.
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