A ação da Itaúsa (ITSA4) entrou em dezembro como uma das maiores surpresas do mercado. A holding ultrapassou resistências antigas, acumulou mais de 50% de valorização no ano e reacendeu o debate sobre compra, venda, preço justo e expectativa de dividendos — especialmente com a projeção de um pagamento robusto no início de 2026.
O movimento é tão forte que a ação recuperou níveis de lucratividade, retorno sobre capital e percepção de valor que não se via desde ciclos históricos do Itaú. Não é por acaso que parte do mercado já considera dezembro um mês estratégico para posicionamento.
A grande pergunta agora é: ainda vale comprar Itaúsa após a forte alta?
Lucros crescentes e ROE estável sustentam o rally
A Itaúsa chegou ao fim de 2025 com lucro recorrente anualizado na casa dos R$ 16 bilhões somando os últimos quatro trimestres da holding — patamar elevado para uma empresa cuja base é majoritariamente o Itaú Unibanco.
Além disso:
O ROE permanece entre 15% e 17%, faixa considerada saudável para uma holding diversificada.
O preço/lucro gira entre 8 e 9 vezes, dependendo da última atualização.
O P/VP está próximo de 1,37, longe dos picos históricos acima de 2,0 observados em ciclos de euforia.
Ou seja, não está barata como em grandes crises, mas também não está cara como nos momentos mais exagerados do mercado. A precificação atual sugere que o investidor não paga um valor irracional pela ação, mesmo após a forte valorização.
Expectativa de super dividendo em fevereiro movimenta o mercado
O mercado trabalha com a possibilidade de um pagamento expressivo no início de 2026 vindo do Itaú, o que naturalmente respinga na Itaúsa. A holding tem tradição de repassar aos seus acionistas praticamente tudo que recebe, especialmente em ciclos de resultados recordes do banco.
Com isso:
Dezembro virou mês de posicionamento, com investidores antecipando fluxo para capturar o super dividendo.
A Itaúsa já distribuiu montantes elevados ao longo de 2025, e o início de 2026 pode repetir o movimento.
A dinâmica dividendos + valorização cria para alguns o “combo perfeito”: renda no curto prazo e manutenção da tendência de alta.
Essa perspectiva tem atraído desde investidores conservadores até traders que buscam capturar volatilidade.
Por que Itaúsa continua sendo um “coringa de carteira”?
Mesmo com críticas históricas — como aumento da base acionária e dividendos que não são estáveis ano após ano — Itaúsa segue sendo peça central de muitos portfólios de longo prazo.
Motivos:
Exposição robusta ao Itaú Unibanco, um dos bancos mais rentáveis do mundo.
Diversificação crescente em empresas de energia, saneamento, consumo e infraestrutura.
Resiliência impressionante em crises: mesmo em eventos como 1998, 2008 e 2020, o drawdown máximo ficou entre 35% e 45%, menos que o de empresas cíclicas.
Para quem tem horizonte de investidor de 10 a 15 anos, Itaúsa se consolida como uma reserva de valor com renda periódica — não explosiva, mas previsível.
Operações com opções: um capítulo à parte na Itaúsa
A baixa volatilidade natural de Itaúsa sempre atraiu investidores que usam estratégias com opções, especialmente venda de calls cobertas.
Em um cenário típico:
Strike perto de R$ 11,50.
Prêmio vendido em torno de R$ 0,80 por ação.
Possibilidade de recomprar com 50% de lucro caso o mercado recue.
Caso a ação suba demais e seja exercida, o investidor entrega o papel com lucro adicional.
Essa estrutura funciona como um “dividendo sintético”, frequentemente superior ao dividend yield anual da própria Itaúsa.
É uma das razões pelas quais muitos investidores ficam confortáveis mesmo que o papel suba “demais”: a volatilidade controlada permite extrair renda com frequência.
Faixas de preço e pontos estratégicos de entrada
Com a ação oscilando na faixa dos R$ 12,20 a R$ 12,30, surge a dúvida:
Está cara? Está barata? Ou está apenas no meio do caminho?
Analisando histórico:
Entre R$ 9,80 e R$ 12,00 — zona considerada de preço teto para muitos investidores que calculam valor com base em dividendos de 3 a 5 anos.
Acima de R$ 12,20 — perde-se o desconto, e o investidor passa a depender mais de crescimento do Itaú do que do valuation confortável da holding.
Uma correção entre 5% e 10% seria considerada saudável após tanta valorização.
Os pontos de compra mais citados entre analistas técnicos variam entre R$ 11,65 e R$ 11,80 para quem está esperando uma queda mais generosa.
No lado da expansão, projeções técnicas apontam alvos na região dos R$ 12,50 a R$ 12,70, podendo chegar a R$ 13,40 caso o movimento comprador continue forte.
Itaúsa está em “modo foguete”. Mas isso não impede uma correção em dezembro
O cenário atual pode ser resumido assim:
Fundamentos sólidos sustentam a alta.
Proventos fortes devem impulsionar o início de 2026.
Valuation neutro/atraente favorece investidores de longo prazo.
Estratégias com opções aumentam a rentabilidade para quem já tem posição.
Alta acumulada de mais de 50% em 2025 eleva o risco de uma correção técnica.
Para quem pensa em longo prazo, Itaúsa continua sendo um ativo de acumulação. Para quem busca preço técnico perfeito, dezembro pode exigir paciência e disciplina para esperar um recuo.
A leitura final é clara:
Itaúsa não é uma barganha, mas ainda pode ser uma excelente compra — desde que o investidor saiba aproveitar volatilidade, dividendos, ciclos e o comportamento histórico do papel.
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