A Itaúsa (ITSA4) voltou a despertar atenção dos investidores após suas ações se afastarem das máximas próximas de R$ 15 registradas ao longo do ano. No recorte analisado, o papel chegou à região de R$ 12,34, abrindo novamente a discussão sobre até onde vai o desconto da holding e se os preços atuais representam oportunidade.
O debate ganha força depois dos números do segundo trimestre de 2026. A companhia apresentou lucro líquido recorrente de R$ 4,306 bilhões, crescimento de 7% frente ao mesmo período de 2025. Já o lucro líquido contábil atingiu R$ 5,244 bilhões, avanço de 29%.
Itaúsa entrega lucro maior e ROE de 18,7%
O indicador mais importante para avaliar a evolução operacional da holding é o lucro recorrente, por retirar efeitos considerados extraordinários.
No primeiro semestre, o resultado recorrente acumulou R$ 8,797 bilhões, crescimento de 12% na comparação anual. O retorno sobre o patrimônio líquido recorrente, o ROE, alcançou 18,7% ao ano no segundo trimestre.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Lucro líquido 2T26 | R$ 5,24 bilhões |
| Lucro recorrente 2T26 | R$ 4,31 bilhões |
| Crescimento recorrente | 7% |
| Lucro recorrente 1S26 | R$ 8,80 bilhões |
| ROE recorrente | 18,7% |
| Valor do portfólio (NAV) | R$ 189,35 bilhões |
| Valor de mercado da Itaúsa | R$ 149,95 bilhões |
| Desconto da holding | 20,8% |
| Dividend yield | 9,8% |
O Itaú Unibanco continua sendo o principal motor do resultado. A contribuição do banco para a holding cresceu 8,5% no trimestre. Motiva, Alpargatas e Copa Energia também avançaram, enquanto algumas participações apresentaram desempenho mais pressionado.
Por que ITSA4 negocia com desconto?
Em junho, as participações e demais ativos que formavam o portfólio da Itaúsa estavam avaliados em aproximadamente R$ 189,4 bilhões, enquanto a própria holding valia cerca de R$ 150 bilhões na Bolsa.
A diferença produzia um desconto de holding de 20,8%. Esse desconto não significa automaticamente que a ação esteja 20,8% “barata”: holdings costumam negociar abaixo da soma de seus ativos devido a despesas administrativas, impostos, estrutura societária e risco de decisões de alocação de capital.
A dívida líquida da Itaúsa, porém, estava relativamente baixa, em R$ 1,184 bilhão, reduzindo a preocupação com alavancagem financeira.
Mudança em 2027 pode reduzir uma ineficiência importante
Um dos pontos que pode alterar a avaliação da Itaúsa está na reforma tributária.
Segundo a própria companhia, a incidência de PIS e Cofins sobre JCP recebidos gerou impacto de R$ 234 milhões apenas no segundo trimestre e R$ 458 milhões no primeiro semestre de 2026.
Com as mudanças tributárias, essa cobrança deixará de existir a partir de janeiro de 2027, eliminando uma ineficiência fiscal estrutural da holding.
Se considerado apenas como exercício matemático, anualizar os R$ 458 milhões do primeiro semestre indicaria um impacto próximo de R$ 916 milhões em 12 meses. Isso não significa, contudo, que todo esse valor necessariamente será convertido diretamente em dividendos.
Dividendos seguem como ponto forte de ITSA4
A remuneração aos acionistas continua relevante. O dividend yield acumulado em 12 meses estava em 9,8% ao final de junho, enquanto os proventos contabilizados no primeiro semestre chegaram a R$ 2,8 bilhões.
A companhia também programou para 28 de agosto pagamentos de JCP que, somados, totalizam R$ 2,8 bilhões brutos, equivalentes a R$ 0,254 por ação antes do imposto.
ITSA4 está barata? Avaliação aponta até R$ 15,15
No exercício de valuation apresentado no material que embasa esta análise, utilizando lucro recorrente anualizado, ROE próximo de 18%, payout ao redor de 75% e diferentes hipóteses de crescimento, foi estimado um preço-teto entre R$ 14,78 e aproximadamente R$ 15,15.
Esse número não representa preço-alvo oficial da Itaúsa nem consenso de mercado. Trata-se de uma estimativa que depende diretamente das premissas utilizadas.
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