A correção recente das ações do setor financeiro reacendeu uma dúvida comum entre investidores da Bolsa: é melhor comprar Itaú Unibanco diretamente, por meio de ITUB4, ou investir em Itaúsa, pela ITSA4?
A pergunta ganhou força porque os dois papéis passaram por ajuste nas cotações, abrindo espaço para uma nova rodada de avaliação sobre preço, desconto, dividendos, qualidade dos resultados e potencial de valorização. Embora Itaú e Itaúsa estejam fortemente ligados, a escolha entre uma ação e outra envolve diferenças importantes.
O Itaú Unibanco segue sendo o principal ativo da Itaúsa e continua concentrando a maior parte do resultado da holding. No entanto, a Itaúsa carrega uma característica que pode atrair investidores em momentos de queda: o chamado desconto de holding, ou seja, a diferença entre o valor de mercado da empresa e a soma estimada das participações que ela possui.
Itaú segue como um dos bancos mais sólidos da Bolsa
O Itaú Unibanco apresentou lucro líquido recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 10,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido anualizado ficou em 24,8%, enquanto a carteira de crédito atingiu R$ 1,48 trilhão. A inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 1,9%, nível considerado controlado para um banco de grande porte.
Esses números reforçam a principal tese a favor de ITUB4: previsibilidade. O banco tem mantido lucro elevado, rentabilidade forte e controle de risco em um ambiente ainda desafiador para o crédito no Brasil.
Para o investidor que busca exposição direta a uma empresa operacional, ITUB4 oferece uma tese mais simples: comprar uma participação no maior banco privado do país, com alta liquidez, geração recorrente de lucro e histórico relevante de distribuição de proventos.
Por que a Itaúsa entrou no radar dos investidores
A Itaúsa, por outro lado, funciona como uma holding. Isso significa que o investidor não compra apenas exposição ao Itaú, mas também a outras empresas investidas, como Aegea, Dexco, Alpargatas, Motiva, Copa Energia e NTS.
O ponto central é que, em 31 de março de 2026, o valor de mercado da Itaúsa era de R$ 156,7 bilhões, enquanto a soma do valor de mercado das participações nas empresas investidas alcançava R$ 194,5 bilhões. Isso representava um desconto de holding de 19,4%, segundo dados da própria companhia.
Esse desconto pode ser visto como uma oportunidade quando o mercado precifica a holding abaixo do valor estimado de seus ativos. Na prática, quem compra ITSA4 está adquirindo exposição ao Itaú e a outras empresas com um “abatimento” em relação à soma das partes.
Tabela comparativa: ITSA4 x ITUB4
| Critério | Itaúsa (ITSA4) | Itaú (ITUB4) |
| Tipo de empresa | Holding de investimentos | Banco operacional |
| Principal fonte de resultado | Participação no Itaú | Operação bancária própria |
| Exposição ao Itaú | Indireta | Direta |
| Diversificação | Maior, com empresas não financeiras | Menor, focada no setor bancário |
| Desconto de holding | Sim, estimado em 19,4% no 1T26 | Não se aplica |
| Tese principal | Comprar Itaú e outras investidas com desconto | Comprar o banco diretamente |
| Risco principal | Desconto pode persistir e investidas podem pesar no resultado | Risco do setor bancário e crédito |
| Perfil mais adequado | Investidor que aceita tese de holding | Investidor que prefere tese direta e mais simples |
Reforma tributária pode favorecer a Itaúsa
Um dos pontos mais relevantes para a Itaúsa está na mudança tributária prevista para 2027. Hoje, parte do desconto da holding é explicada por despesas de PIS e Cofins sobre Juros sobre Capital Próprio recebidos. A própria Itaúsa informou que essa ineficiência fiscal somou R$ 859 milhões em 2025 e R$ 224 milhões no primeiro trimestre de 2026.
Com a reforma tributária, a incidência sobre o JCP recebido pela holding deve ser eliminada a partir de janeiro de 2027, o que pode reduzir a ineficiência fiscal estrutural da empresa. Essa mudança é vista por analistas como um possível catalisador para diminuir o desconto da Itaúsa em relação ao valor de suas participações.
Em outras palavras, se o mercado passar a enxergar a Itaúsa como uma estrutura mais eficiente, parte do desconto atual pode diminuir ao longo do tempo. Esse é um dos principais argumentos para quem vê ITSA4 como uma oportunidade mais assimétrica do que ITUB4.
Itaúsa é mais barata ou apenas mais complexa?
A resposta depende do perfil do investidor. ITSA4 pode parecer mais atrativa quando o foco está no desconto da holding, na diversificação do portfólio e na possibilidade de fechamento desse desconto nos próximos anos.
Mas esse potencial vem acompanhado de complexidade. A Itaúsa não é apenas Itaú. Embora o banco ainda seja o principal motor de resultado, as demais investidas podem ajudar ou prejudicar a performance da holding, dependendo do ciclo econômico, dos resultados operacionais e da capacidade de alocação de capital da companhia.
Já ITUB4 é uma tese mais direta. O investidor compra o banco, sem depender do fechamento de desconto de holding. A ação pode ser mais adequada para quem busca simplicidade, alta liquidez e exposição direta a uma empresa com forte histórico de lucro, rentabilidade e dividendos.
Afinal, qual parece melhor agora: ITSA4 ou ITUB4?
No cenário atual, ITSA4 ganha força como uma opção interessante para investidores que buscam uma possível assimetria: exposição ao Itaú, diversificação em outras empresas e desconto relevante em relação ao valor do portfólio.
ITUB4, por sua vez, continua sendo a alternativa mais direta, sólida e previsível. O papel tende a fazer mais sentido para quem quer comprar Itaú sem depender da tese de fechamento do desconto da holding.
Para o investidor conservador, que prefere simplicidade e exposição direta ao banco, ITUB4 segue como a escolha mais objetiva.
Para quem aceita uma tese um pouco mais complexa e busca potencial adicional com desconto de holding, ITSA4 pode estar mais interessante após a queda.
A diferença principal é que ITUB4 oferece qualidade direta. Já ITSA4 oferece qualidade com desconto, mas também com mais variáveis no caminho. Em um momento de correção da Bolsa, essa diferença pode ser decisiva para quem está avaliando novas compras no setor financeiro.
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