A Itaúsa (ITSA4) voltou ao centro das atenções do mercado após divulgar um resultado considerado forte no primeiro trimestre de 2026. A holding registrou lucro líquido recorrente de R$ 4,49 bilhões no 1T26, alta de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionada principalmente pelo desempenho do Itaú Unibanco, principal ativo do portfólio da companhia.
O número reforça uma característica já conhecida pelos investidores: embora a Itaúsa tenha participações em diferentes empresas, seu resultado ainda é altamente concentrado no banco. Segundo os dados comentados no esboço, mais de 90% do resultado recorrente das empresas investidas veio do Itaú, o que mostra que a tese de investimento em ITSA4 continua fortemente ligada ao desempenho de ITUB4.
Resultado do 1T26 mostra força, mas também concentração
O balanço mostrou crescimento relevante no lucro e melhora na rentabilidade. A Itaúsa informou que o ROE recorrente chegou a 20,1% no 1T26, avanço de 2,7 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre de 2025. A companhia atribuiu o desempenho à evolução dos resultados do Itaú Unibanco e ao avanço das investidas do setor não financeiro.
Na prática, o resultado confirma que a Itaúsa segue se beneficiando diretamente da rentabilidade elevada do Itaú, um dos bancos mais lucrativos da Bolsa brasileira. O Itaú Unibanco apresentou lucro líquido recorrente de R$ 12,28 bilhões no 1T26, com ROE de 24,8%, mantendo forte capacidade de geração de caixa.
Ainda assim, o investidor precisa observar que a diversificação da Itaúsa tem peso limitado no resultado total. Empresas como Alpargatas, Motiva, Aegea, Copa Energia, Dexco e NTS fazem parte do portfólio, mas ainda representam uma fatia menor da geração recorrente da holding.
Principais números da Itaúsa no 1T26
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Lucro líquido recorrente | R$ 4,49 bilhões |
| Crescimento anual do lucro recorrente | 17% |
| ROE recorrente | 20,1% |
| Participação da Itaúsa no Itaú Unibanco | cerca de 37,5% |
| Cotação de ITSA4 em 11/05/2026 | R$ 13,29 |
| Máxima em 52 semanas | R$ 15,24 |
| Desconto de holding citado no esboço | próximo de 19% |
A cotação de ITSA4 encerrou o pregão de 11 de maio de 2026 em R$ 13,29, queda de 1,56% no dia, segundo dados do próprio RI da Itaúsa. O papel também aparece abaixo da máxima de 52 semanas, de R$ 15,24, o que ajuda a explicar por que parte do mercado voltou a discutir margem de segurança e preço teto.
Dividendos seguem no radar dos investidores
Um dos principais atrativos da Itaúsa continua sendo a distribuição de proventos. Como holding, a companhia recebe dividendos e juros sobre capital próprio de suas investidas e repassa parte relevante desse fluxo aos acionistas.
No esboço analisado, a projeção citada aponta para dividend yield na faixa de 8% ao ano considerando a cotação próxima de R$ 13,29 e os proventos pagos no exercício anterior. Esse patamar é visto como competitivo, mas depende diretamente da manutenção dos lucros e da política de distribuição do Itaú Unibanco.
Esse ponto é importante porque, historicamente, o payout do Itaú nem sempre ficou em níveis muito elevados. Caso o banco reduza a parcela do lucro distribuída aos acionistas, os dividendos recebidos pela Itaúsa também podem cair, afetando a atratividade da ação para quem busca renda passiva.
Desconto de holding ainda existe
Outro ponto que chama atenção é o chamado desconto de holding. Esse desconto aparece quando o valor de mercado da Itaúsa na Bolsa fica abaixo da soma estimada das participações que ela possui em suas investidas, descontando dívida e adicionando caixa.
Segundo os cálculos apresentados no esboço, o desconto estaria próximo de 19%, patamar considerado próximo da média histórica. Esse desconto pode ser visto como uma margem de segurança por alguns investidores, mas também reflete custos próprios da estrutura da holding, despesas administrativas, impostos e o fato de o investidor não comprar diretamente os ativos controlados.
Em outras palavras, a Itaúsa pode parecer mais barata do que a soma de suas partes, mas esse desconto não desaparece automaticamente. Para que ele diminua, o mercado precisaria enxergar melhora na eficiência da holding, maior valorização dos ativos ou um ambiente mais favorável para ações brasileiras.
Programa de recompra foi aprovado, mas impacto é limitado
A Itaúsa também aprovou um programa de recompra de ações preferenciais. No entanto, conforme descrito no esboço, a recompra prevista envolve até 5 milhões de ações preferenciais, número pequeno diante de uma base acionária superior a 11 bilhões de papéis.
Por isso, o efeito financeiro direto tende a ser limitado. Além disso, o programa citado tem finalidade ligada à remuneração de executivos, e não necessariamente ao cancelamento de ações para aumentar a participação proporcional dos acionistas.
Preço teto de ITSA4: ainda há margem?
Com base nas estimativas apresentadas no esboço, a tese considera um lucro esperado de aproximadamente R$ 18,5 bilhões em 2026 e um preço teto na faixa de R$ 14 a R$ 15 por ação. Como a cotação recente estava em torno de R$ 13,29, haveria alguma margem de segurança segundo essa visão.
Ainda assim, a decisão exige cautela. O retorno potencial de ITSA4 depende de três fatores principais: crescimento dos lucros, manutenção dos dividendos e eventual reprecificação da ação. O terceiro ponto é o mais incerto, pois depende do humor do mercado, dos juros, do fluxo estrangeiro e da percepção dos investidores sobre bancos e holdings.
O que o investidor deve observar agora
O balanço do 1T26 foi positivo para a Itaúsa, mas não elimina os riscos. A ação segue muito ligada ao Itaú Unibanco, o que pode ser bom em momentos de forte rentabilidade do banco, mas reduz a ideia de diversificação ampla.
Para quem acompanha ITSA4, os próximos pontos de atenção são: a continuidade dos lucros do Itaú, a política de dividendos, o comportamento do desconto de holding, o nível da Selic e o fluxo de investidores estrangeiros na Bolsa brasileira.
Veredito
A Itaúsa (ITSA4) entregou um primeiro trimestre forte, com lucro recorrente de R$ 4,5 bilhões, ROE acima de 20% e uma tese ainda apoiada na força do Itaú Unibanco. O papel segue atraente para investidores que buscam exposição indireta ao banco, dividendos e possível margem de segurança pelo desconto de holding.
Por outro lado, o investidor precisa entender que ITSA4 não é uma holding amplamente diversificada na prática. O Itaú continua sendo o principal motor do resultado, e qualquer mudança na rentabilidade ou na política de proventos do banco pode afetar diretamente a Itaúsa.
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