A Itaúsa (ITSA4) voltou ao radar dos investidores após divulgar um novo balanço sólido, com crescimento consistente de lucros, alto retorno sobre capital e dividendos atrativos. Mesmo após a recente valorização das ações, a holding ainda levanta uma dúvida central no mercado: ainda está barata ou já precificou boa parte do potencial?
O questionamento se intensifica ao comparar a empresa diretamente com o Itaú (ITUB3/ITUB4), principal ativo do grupo e responsável pela maior parte dos resultados.
Lucro cresce, retorno sobe e dividendos seguem fortes
No quarto trimestre, a Itaúsa apresentou:
Lucro recorrente: cerca de R$ 4,3 bilhões (+16%)
Lucro por ação: alta de 19%
ROE (retorno sobre patrimônio): próximo de 20%
Lucro anual recorrente: R$ 16,5 bilhões (+11%)
Esse nível de rentabilidade coloca a holding entre as empresas mais eficientes da Bolsa, com geração de valor consistente ao acionista.
Além disso, a distribuição de proventos segue robusta:
Dividendos pagos (2025): R$ 11,8 bilhões
Dividend yield: cerca de 9,5%
Payout: 76%
Mesmo com a alta recente das ações, a empresa continua entregando uma renda relevante — ponto que sustenta o interesse dos investidores de longo prazo.
Desconto holding chama atenção: oportunidade ou armadilha?
Um dos principais atrativos da Itaúsa continua sendo o chamado desconto holding.
Valor dos ativos: ~R$ 179 bilhões
Valor de mercado: ~R$ 145 bilhões
Desconto: cerca de 19% a 24%
Na prática, o investidor paga menos pela holding do que valem suas participações — principalmente no Itaú, que sozinho representa mais valor do que toda a Itaúsa na Bolsa.
No entanto, existe um ponto de atenção:
a maior parte desse valor está concentrada em um único ativo.
Itaú domina resultados e reduz diversificação real
Apesar de possuir participações em empresas como Alpargatas, Copa Energia, NTS e Dexco, o desempenho da Itaúsa ainda depende quase totalmente do banco.
Participação do Itaú no lucro: cerca de 95%
Ou seja, investir na Itaúsa, na prática, é quase equivalente a investir no Itaú — com a diferença do desconto e da estrutura de holding.
Estrutura financeira é um dos grandes diferenciais
Se por um lado há concentração, por outro a Itaúsa se destaca pela saúde financeira extremamente sólida:
Dívida líquida: próxima de R$ 300 milhões (ajustada)
Prazo médio da dívida: 17 anos
Cobertura de juros: 29x
Baixa pressão de vencimentos até 2031
Esse cenário coloca a empresa em posição confortável, inclusive com espaço para aumentar alavancagem se necessário.
Fluxo de caixa revela dependência dos dividendos
A Itaúsa funciona como uma grande distribuidora de proventos:
Proventos recebidos: ~R$ 17,7 bilhões
Pagamentos aos acionistas: ~R$ 19,4 bilhões
Grande parte desses recursos vem diretamente do Itaú, que repassa dividendos robustos.
Isso reforça um ponto importante:
o desempenho da Itaúsa está diretamente ligado ao ciclo de lucros do banco.
Retorno esperado ainda supera renda fixa
Mesmo após a valorização, as projeções indicam que a empresa ainda oferece um retorno competitivo:
Lucro projetado: ~R$ 18 bilhões
Dividendos estimados: R$ 1,40 por ação
Dividend yield projetado: ~7,8%
Retorno total esperado: ~16,4% ao ano (dividendos + crescimento)
Em comparação com títulos públicos oferecendo cerca de IPCA + 7%, a ação ainda apresenta um prêmio relevante.
Reforma tributária pode destravar valor em 2027
Um dos principais gatilhos para a valorização futura está na mudança tributária prevista:
Fim da tributação sobre JCP recebido por holdings
Ganho estimado: até R$ 1 bilhão por ano
Esse ajuste elimina uma ineficiência histórica da empresa e pode:
Aumentar lucros
Melhorar geração de caixa
Reduzir o desconto holding
Itaúsa vs Itaú: qual é melhor hoje?
A comparação entre ITSA4 e ITUB3/ITUB4 continua sendo central para o investidor:
| Indicador | Itaúsa | Itaú |
|---|---|---|
| P/VP | Menor | Maior |
| Dividend yield | Maior | Menor |
| ROE | Menor | Maior |
| Crescimento | Moderado | Mais forte |
Resumo prático:
Itaú → mais crescimento e valorização
Itaúsa → mais renda e desconto
Ou seja, a escolha depende do perfil do investidor:
Foco em dividendos → Itaúsa
Foco em valorização → Itaú
Itaúsa está cara ou ainda vale a pena?
Mesmo após a alta recente, os dados indicam que:
A empresa segue com desconto relevante
Mantém dividendos elevados
Possui estrutura financeira sólida
Tem gatilho positivo para 2027
Por outro lado:
A dependência do Itaú continua elevada
Parte do desconto pode refletir essa concentração
O crescimento tende a ser mais moderado que o banco
A Itaúsa ainda não parece cara, mas também não está mais “barata demais”. O ativo hoje se posiciona como uma opção equilibrada entre renda, segurança e retorno previsível, especialmente para quem busca dividendos consistentes no longo prazo.
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