A Itaúsa voltou ao centro das atenções do mercado após divulgar um trimestre extremamente robusto, com lucro recorde, forte geração de caixa, queda expressiva na dívida, além de um desconto de 25% na Bolsa considerado exagerado pelo Banco Safra. O movimento elevou o interesse dos investidores e impulsionou o desempenho das ações ITSA4, que já acumulam forte valorização no ano.
A holding reportou R$ 4,1 bilhões de lucro líquido recorrente, alta de 6% frente ao mesmo período do ano anterior, enquanto o lucro líquido gerenciável do Itaú, seu principal ativo, alcançou R$ 11,5 bilhões no trimestre, superando projeções e reforçando o status de “máquina de rentabilidade”. O banco também registrou ROE de 23,3%, o maior entre as grandes instituições financeiras do país.
Desconto de holding chega a 25% e abre rara janela de compra, diz Safra
O Safra elevou o preço-alvo de ITSA4 para R$ 15, o que representa potencial de alta de 28%. Segundo o banco, a soma do valor das participações da Itaúsa chega a R$ 168,1 bilhões, enquanto o valor negociado na Bolsa gira em torno de R$ 126 bilhões, indicando “um desconto acima da média histórica e totalmente desconectado da qualidade do portfólio”.
Na prática, explica o relatório, é como “comprar uma nota de R$ 100 por R$ 75”.
Dividendos tendem a crescer e podem surpreender
A Itaúsa distribuiu R$ 3 bilhões em dividendos nos nove primeiros meses do ano, um avanço de 12% no comparativo anual. O mercado, porém, está de olho em um possível evento extraordinário.
Diante da iminente taxação de dividendos acima de R$ 50 mil mensais a partir de janeiro, o Safra acredita que o Itaú para evitar perdas aos grandes acionistas deve antecipar dividendos extraordinários ainda em dezembro, podendo chegar a R$ 22,5 bilhões. Desse total, R$ 8,4 bilhões iriam para a Itaúsa.
Isso elevaria o dividend yield implícito da holding para 6,5%, acima da média histórica e com potencial de atrair ainda mais investidores.
Dívida despenca 26% após gestão mais eficiente
A gestão financeira da holding também chamou atenção. A Itaúsa reduziu a dívida líquida de R$ 939 milhões para R$ 697 milhões, queda de 26%, após pré-pagar debêntures mais caras e emitir novos títulos a custos menores.
O custo médio da dívida caiu de CDI + 1,54% para CDI + 1,11%, liberando mais caixa para dividendos e amortizações.
O cronograma de pagamentos impressiona: não há amortizações relevantes até 2028, o que dá tranquilidade operacional e previsibilidade ao investidor de longo prazo.
Itaú mantém posição dominante no crédito e atinge melhor eficiência da história
O Itaú, que responde por cerca de 90% do resultado da Itaúsa, reportou:
- Carteira de crédito de R$ 1,4 trilhão (+6,4%)
- Inadimplência estável em 1,9%
- Eficiência recorde de 37,7%
- Crescimento consistente em serviços, cartão e crédito imobiliário
O desempenho do Itaú é decisivo para o momento positivo da holding e reforça a tese de que a ação continua barata, mesmo após forte valorização recente.
Retorno ao acionista supera o Ibovespa
Nos últimos 12 meses, o retorno total ao acionista da Itaúsa somando valorização das ações e dividendos foi de 21%, quase o dobro do Ibovespa, que avançou 11% no mesmo período.
Outro indicador que chama atenção é o dividend yield de 8,9%, impulsionado pelo aumento dos resultados e pela perspectiva de novos repasses.
Projeções e preço-teto: espaço para valorização
Com lucro projetado de quase R$ 16 bilhões e payout estimado em 65%, analistas calculam:
- Preço-teto para 4% ao ano: R$ 25,15
- Para 6% ao ano: R$ 16,77
- Para 8% ao ano: R$ 12,57
- Para 10% ao ano: R$ 10,06
A Genial Investimentos também recomenda compra, com preço-alvo de R$ 12,13.
Riscos no radar
Segundo o Safra, os principais riscos são:
- Demora no fechamento do desconto de holding
- Manutenção da Selic elevada, reduzindo o apetite do mercado
- Implementação lenta da reforma tributária, que impacta estruturas de holdings
Mesmo assim, o cenário base permanece otimista diante do desempenho excepcional do Itaú e da expectativa de dividendos maiores.
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